Forças da SADC Apoiam a Luta de Moçambique Contra os Insurgentes

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EQUIPA DA ADF

Moçambique está a obter algum reforço na sua batalha que já dura um ano contra os terroristas islâmicos na província nortenha de Cabo Delgado.

Em meio a preocupações de que o conflito possa expandir e afectar a região, a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) anunciou a criação de uma força militar “para ser destacada em apoio a Moçambique a fim de combater o terrorismo e agir contra o extremismo violento.”

Os líderes do grupo de 16 países reuniram-se no dia 23 de Junho para uma cimeira de emergência na capital moçambicana, Maputo, onde esboçaram um comunicado breve com poucos pormenores, como quantas tropas serão usadas e quando seriam mobilizadas.

Depois de visitarem Cabo Delgado para avaliarem o teatro, em Abril, uma equipa técnica liderada pelo Brigadeiro do Botswana, Michael Mukokomani, Chefe do Estado Maior da Força de Intervenção da SADC, recomendou intervenção militar.

Mukokomani e os outros especialistas militares colocaram a proposta de 2.916 soldados, quatro helicópteros armados, dois navios de patrulha de superfície, um submarino, uma aeronave de vigilância marítima e outros apoios logísticos.

O comunicado de 23 de Junho também apelou os Estados membro e as organizações humanitárias para continuarem a fornecer apoio ao norte de Moçambique, onde aproximadamente 1 milhão de pessoas precisam de comida, de acordo com o Programa Mundial de Alimentação das Nações Unidas.

Na cimeira, o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, comprometeu-se em estabelecer uma base de operações para a força da SADC na cidade portuária de Nacala, em Nampula, a província que se encontra a sul de Cabo Delgado.

Nyusi, que historicamente resistiu à intervenção estrangeira, foi claro que as tropas da SADC apenas apoiariam e melhorariam as operações do exército e da polícia moçambicanos.

“Estas [forças da SADC] serão um complemento importante para os esforços que o país está a levar a cabo para confrontar o terrorismo,” disse no encerramento da cimeira. Ele teve o cuidado de elogiar as “forças de defesa e segurança do seu país que estão determinadas de forma abnegada em garantir a soberania e a integridade territorial e proteger a nossa população.”

Embora Nyusi tenha resistido à intervenção ao longo do ano passado, a violência aumentou de forma dramática na província que é famosa pelos seus ricos depósitos de gás natural. A insurgência, que começou em 2017 como um conflito local na cidade costeira de Mocímboa da Praia, cresceu em tamanho e em termos de violência.

Em 2020, Moçambique confirmou, pela primeira vez, que o grupo rebelde Ansar al-Sunna estava a ter apoio de militantes do Estado Islâmico em Cabo Delgado.

Aproximadamente 3.000 pessoas foram mortas no conflito — metade delas civis — e cerca de 800.000 pessoas fugiram das suas casas, de acordo com as Nações Unidas.

No dia 24 de Março de 2021, centenas de militantes invadiram a cidade portuária de Palma, que dista cerca de 25 quilómetros da fronteira com a Tanzânia. Dezenas de pessoas foram mortas e cerca de 20.000 pessoas são dadas como desaparecidas. O ISIS reivindicou a responsabilidade pelo ataque.

Por estar preocupada com questões de segurança, a empresa francesa de petróleos Total suspendeu o seu projecto de gás natural, avaliado em 20 bilhões de dólares, que se localiza a poucos quilómetros de Palma.

Mokgweetsi Masisi, presidente do Botswana e presidente do Órgão de Cooperação nas Áreas de Política, Defesa e Segurança, confirmou no dia 23 de Junho que as tropas da SADC não iriam ser destacadas numa missão ofensiva, mas, pelo contrário, para ajudar a restaurar a paz.

Ele também afirmou que o grupo se comprometeu em disponibilizar 12 milhões de dólares para a operação.

“Não foi uma decisão fácil, mas, finalmente, acreditamos que tomamos a decisão certa,” disse no encerramento da cimeira de 23 de Junho. “A SADC, como um bloco, está a implementar alguns dos seus ideais como o de garantir que haja paz e estabilidade na região.

“Ferir um é ferir todos.”

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