A parceria de defesa entre o Quénia e a França atingiu uma nova fase em meados de Março, quando três navios de guerra franceses e mais de 800 militares franceses atracaram no porto de Mombaça durante uma missão centrada no treino e na cooperação em matéria de segurança marítima.
A mobilização da Aconit, uma fragata, e do Dixmude, um navio de assalto anfíbio, teve como objectivo reforçar os laços de defesa entre os países e garantir a segurança das rotas marítimas vitais no Oceano Índico Ocidental. A região enfrenta ameaças como o tráfico de seres humanos, a pesca ilegal, o terrorismo marítimo e várias outras formas de contrabando e tráfico. Um navio de patrulha offshore Finch também participou na missão.
A visita incluiu exercícios de treino conjuntos com as Forças de Defesa do Quénia, em particular com unidades navais responsáveis pela salvaguarda da costa do Quénia. As forças quenianas e francesas colaboraram em operações marítimas reais. O pessoal francês também ofereceu formação avançada a oficiais da Marinha e marinheiros quenianos sobre coordenação no mar e tácticas navais modernas. Durante a visita, o General Charles Muriu Kahariri, chefe das Forças de Defesa do Quénia, foi condecorado com a Legião de Honra, a mais alta e prestigiada ordem de mérito nacional francesa.
Os observadores notaram que a visita ao porto sublinhou as ambições do Quénia de desempenhar um papel mais proeminente na governação marítima regional. Nairobi tem defendido consistentemente esforços colaborativos de segurança marítima com os vizinhos Somália e Tanzânia, e com as nações insulares das Maurícias e das Seychelles.
“Ao acolher forças navais estrangeiras e participar em operações multinacionais, o Quénia está a reforçar o seu estatuto como um parceiro de segurança fiável,” relatou o site comunitário queniano Fatuma’s Voice. “O governo investiu na modernização da sua marinha, na melhoria das infra-estruturas portuárias e na expansão dos sistemas de vigilância costeira. Estes esforços visam não só proteger as águas nacionais, mas também contribuir para a estabilidade em toda a região do Oceano Índico Ocidental.”
A visita fazia parte de uma operação francesa de cinco meses para patrulhar os oceanos Índico e Pacífico.
“Nas últimas semanas, participámos na missão Atalanta da UE [União Europeia], como parte do grupo de trabalho que visa combater a pirataria ao largo do Corno de África e do Oceano Índico,” o Capitão Jocelyn Delrieu, comandante da força-tarefa francesa Jeanne d’Arc 2026, disse numa reportagem do jornal The East African. “Teremos a oportunidade de fazer valer a liberdade de navegação no Mar da China Meridional.”
Pacto de Defesa Assinado
No dia 9 de Abril, o Parlamento do Quénia aprovou um acordo de cooperação em matéria de defesa com a França. O acordo visa melhorar a capacidade de defesa do Quénia através do acesso à formação, tecnologia e conhecimentos especializados franceses em segurança marítima, intercâmbio de informações, operações de manutenção da paz e ajuda humanitária em caso de catástrofes, informou a Bloomberg.
“Para o Quénia, laços mais estreitos com a França oferecem uma oportunidade de diversificar as suas parcerias militares e diplomáticas para além da sua tradicional dependência do Reino Unido e dos Estados Unidos, ao mesmo tempo que reforçam as relações económicas,” escreveram os analistas do site de notícias Africa Eye.
Os laços entre os países irão aprofundar-se ainda mais quando co-organizarem a Cimeira de Parcerias África-França para a Inovação e o Crescimento, agendada para 11 e 12 de Maio em Nairobi. De acordo com o Ministério da Europa e dos Negócios Estrangeiros em Paris, a cimeira será a primeira do género a realizar-se num país não francófono. O presidente queniano William Ruto e o presidente francês Emmanuel Macron deverão estar presentes, assim como líderes empresariais, jovens, artistas e representantes da sociedade civil, de outros países africanos e da diáspora.
“Será uma oportunidade para destacar o compromisso da França, do Quénia e de outros países africanos em intensificar o investimento mútuo e em construir e financiar soluções concretas para desafios comuns,” Arnaud Suquet, embaixador francês no Quénia, disse numa reportagem do jornal queniano The Standard.
