Numa altura em que a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental se prepara para criar uma força regional para combater o terrorismo e as ameaças à segurança, os investigadores afirmam que será fundamental identificar uma fonte de financiamento fiável.
Em Fevereiro, os chefes de estado-maior da CEDEAO aprovaram o plano, que se insere no âmbito da Força em Estado de Alerta do grupo, tal como previsto pela União Africana. As autoridades anunciaram o plano inicial em Agosto de 2025, com uma meta de 260.000 soldados e um orçamento anual de 2,5 bilhões de dólares. Os chefes optaram agora por uma brigada de combate ao terrorismo de 1.650 soldados para formar o núcleo da força. O Benin, a Costa do Marfim, a Gâmbia, o Gana, a Nigéria e o Senegal reafirmaram o seu compromisso de fornecer tropas, de acordo com o Instituto de Estudos de Segurança (ISS), sediado na África do Sul. Os contingentes ficarão estacionados nos seus respectivos países, prontos para serem destacados.
A CEDEAO tem vindo a debater a criação de tais forças regionais desde 2004. Em Dezembro de 2022, a CEDEAO chegou a um acordo para criar uma força regional de manutenção da paz com o objectivo de combater o terrorismo e restabelecer a governação democrática após golpes militares. Os responsáveis da CEDEAO também afirmaram que pretendem utilizar uma força regional para ajudar a impedir que grupos terroristas e separatistas tomem o controlo de qualquer território da África Ocidental. Apontaram para os sucessos do seu anterior Grupo de Monitorização da CEDEAO, que interveio na Libéria, na Serra Leoa e na Guiné-Bissau na década de 1990 e na Costa do Marfim no início da década de 2000.
A CEDEAO tentou várias vezes ao longo dos anos criar uma força militar unida, mas careceu de “recursos, financiamento e vontade política para transformar esta ambição em realidade,” informou o ISS.
O presidente da Comissão da CEDEAO, Omar Alieu Touray, afirmou que outras iniciativas de segurança na região, incluindo a Força Conjunta do G5 Sahel, a Iniciativa de Acra, a Força-Tarefa Conjunta Multinacional da União Africana e as operações das Nações Unidas, conduziram a uma “fragmentação” das respostas.
A chave para o sucesso de uma força armada regional será um autofinanciamento previsível e sustentável, afirmam os especialistas, apontando a Força Conjunta do G5 Sahel e a Iniciativa de Acra como exemplos de grupos regionais que não se revelaram sustentáveis.
A Iniciativa de Acra foi criada em 2017 por Benin, Burquina Faso, Costa do Marfim, Gana e Togo. O Mali e o Níger foram adicionados como Estados observadores. A intenção, de acordo com a Rede da África Ocidental para a Manutenção da Paz, era que fosse uma força regional para assumir a “responsabilidade total” pela sua própria segurança após as incursões progressivas de grupos extremistas violentos no Sahel. A rede afirmou que a iniciativa foi uma “medida provisória” depois de a CEDEAO não ter conseguido mobilizar uma Força de Reserva. Foi também, segundo os líderes africanos, uma tentativa de encontrar “soluções africanas para problemas africanos.”
A iniciativa teve algum sucesso, mas acabou por ser limitada pelas suas missões de curta duração — uma missão típica durava apenas quatro ou cinco dias — e pelo seu alcance geográfico restrito. Desde 2020, segundo a Rede da África Ocidental, não se realizaram operações transfronteiriças de grande envergadura “devido à falta de financiamento e de apoio logístico.”
Numa cimeira de 2014, o Burquina Faso, o Chade, o Mali, a Mauritânia e o Níger criaram a Força Conjunta do G5 Sahel para coordenar a cooperação regional no desenvolvimento de políticas e segurança na África Ocidental. Os chefes de estado-maior dos países-membros encarregaram a força de combater grupos terroristas na região, incluindo o Boko Haram. A força-tarefa perdeu o seu ímpeto quando o Burquina Faso, o Mali e o Níger se retiraram da CEDEAO em 2025, na sequência de golpes militares.
Para que a actual iniciativa da CEDEAO seja bem-sucedida, afirmaram os analistas, terá de superar dois grandes desafios: o financiamento e o tipo de lutas internas que levaram os três países governados por golpes a separarem-se do grupo.
“Esses desafios vão persistir,” Beverly Ochieng, da empresa de inteligência Control Risks, sediada em Dakar, disse à Al Jazeera. “Terão também de encarar isso não apenas como uma resposta militar, mas como uma operação holística que incluirá intervenções sociais para travar a influência destes grupos que lhes permite recrutar membros.”
As autoridades afirmam que a mais recente iniciativa da CEDEAO deve aprender com as falhas das missões multinacionais anteriores. Um relatório da West Africa Network concluiu que tais missões devem ser financiadas de forma sustentável, sendo flexíveis e versáteis. Por exemplo, quando as alianças políticas mudaram para a Iniciativa de Acra, esta precisou de “adaptar-se, reimaginar-se e posicionar-se para manter estrategicamente a sua influência e relevância,” afirmou a rede. “No entanto, isso não foi feito.”
A experiência do G5 demonstrou que tais missões africanas precisam de ser autofinanciadas, uma vez que “a dependência de financiamento externo é arriscada e imprevisível,” afirmou a rede. As forças regionais necessitam de financiamento previsível e sustentável para lidar com despesas como a administração, as comunicações, os sistemas de informação, o equipamento e a logística.
Qualquer missão regional deste tipo também precisa de ir além da guerra e abordar as causas da invasão dos extremistas, afirmam os analistas.
Maman Sambo Sidikou, antigo secretário-executivo da Força Conjunta do G5 Sahel, afirmou que as intervenções para travar os grupos terroristas “não devem assentar numa solução essencialmente militar, visto que esta pode ser dispendiosa e insustentável.”
