A Argélia ampliou a presença das nações africanas no espaço este ano com o lançamento de dois satélites em duas semanas em Janeiro.
O ALSAT-3A e o ALSAT-3B elevaram para 69 o número de satélites que os países africanos lançaram em órbita desde o NileSat-101 do Egipto em 1998.
O espaço tornou-se uma fronteira importante para os países africanos ansiosos por demonstrar o seu poderio tecnológico e recolher dados sobre o clima, a segurança alimentar, os movimentos populacionais e outras informações que os ajudem a planear o futuro.
A Argélia desenvolveu os ALSAT-3A e 3B para fornecer imagens de alta resolução da Terra que irão reforçar a sua capacidade de planeamento do uso do solo e prevenção de desastres. Estes vieram na sequência do ALSAT-2A e do ALSAT-2B, ambos lançados em 2010. O primeiro satélite da Argélia, o ALSAT-1, entrou em órbita em 2002.
A segunda Conferência NewSpace Africa abordou o futuro da presença do continente no espaço em Abril, num encontro co-organizado pela Agência Espacial Africana e pela agência espacial do Gabão, a Agence Gabonaise d’Etudes et d’Observations Spatiales (AGEOS).
A conferência de três dias reuniu especialistas do governo, de agências espaciais nacionais, do meio académico e do sector espacial comercial para desenvolver estratégias para promover o futuro de África no espaço.
Os organizadores da conferência enfatizaram a necessidade de que esse futuro impulsione o desenvolvimento em todo o continente de forma justa e equitativa. O objectivo, segundo os organizadores, é reestruturar a indústria espacial africana “não apenas como uma fronteira da ciência e da inovação, mas como um facilitador estratégico do desenvolvimento sustentável e da prosperidade partilhada para todos os africanos.”
Tidiane Ouatarra, presidente do Conselho das Agências Espaciais Africanas, descreveu a conferência como mais do que uma oportunidade para destacar o progresso de África na tecnologia espacial, mas também “uma plataforma para alinhar a nossa visão colectiva do espaço como motor do desenvolvimento sustentável, do crescimento económico e da parceria global.”
Ao longo de quase três décadas, 18 países africanos colocaram satélites em órbita, com o Egipto (15) e a África do Sul (12) a liderarem o caminho. Os satélites são utilizados para observação, comunicação e outros fins.
Sem instalações de lançamento locais, os satélites africanos foram lançados a bordo de foguetões do Japão, da Rússia, da China, dos Estados Unidos e das instalações da Agência Espacial Europeia.
O desenvolvimento de satélites aumentou à medida que a tecnologia subjacente se tornou mais barata e mais facilmente acessível. Vários países africanos deram os primeiros passos no espaço utilizando CubeSats de baixo custo, que medem cerca de 10 centímetros de cada lado e podem transportar uma variedade de tecnologias.
O Senegal desenvolveu o primeiro satélite do país, o Gaindesat-1A, em colaboração com o Centro Espacial Universitário de Montpellier, na França. O CubeSat foi lançado em 2024, um ano após a inauguração da Agência de Estudos Espaciais do Senegal (ASES).
O Senegal planeia criar o seu próprio “Space Valley” como um centro de inovação e desenvolvimento tecnológico, com vista ao lançamento de até mais sete satélites a partir de 2028.
“Ao criar a ASES, o Estado do Senegal tem uma ambição clara: tornar o sector espacial uma alavanca transversal para impactar todas as áreas, com a segurança como prioridade,” afirmou Maram Kaïré, director-geral da ASES. “Esta parceria irá estimular a inovação, reforçar a nossa soberania e desenvolver as competências do futuro.”
Em 2025, a ASES assinou um acordo de cinco anos com as Forças Armadas do Senegal para colaborar na recolha de dados através de satélites. O acordo reflecte uma tendência crescente no continente, numa altura em que os países reconhecem o valor que a tecnologia espacial oferece em termos de vigilância, comunicações seguras e segurança nacional.
O impulso para criar uma abordagem equitativa em relação ao espaço inspirou a União Africana a lançar a Agência Espacial Africana, que iniciou as suas actividades no Cairo no final de 2025. A agência opera com base em quatro pilares: melhorar a observação da Terra; apoiar a comunicação, navegação e posicionamento por satélite; promover a astronomia; e promover as ciências espaciais.
O objectivo é reunir os programas espaciais fragmentados do continente para colaborar em projectos que beneficiem todos os africanos, de acordo com Meshack Kinyua Ndiritu, responsável pela formação em aplicações espaciais da UA.
“O programa espacial africano encontra-se numa fase embrionária neste momento,” Kinyua disse num vídeo da UA no ano passado. “Estamos a trabalhar directamente para garantir que os Estados-membros tenham capacidade em termos de infra-estruturas e de desenvolvimento de capital humano.”
