EQUIPA DA ADF
O desenvolvimento industrial está em expansão em grande parte de África e, com ele, surge a utilização de produtos químicos perigosos e outros materiais sensíveis.
Os grupos terroristas cobiçam muitos destes itens de “dupla utilização” para os utilizarem em ataques. O gás cloro, por exemplo, é comummente utilizado no tratamento de água, mas pode ser transformado numa arma com efeitos mortíferos. A investigação médica utiliza materiais radiológicos e biológicos que podem ser perigosos nas mãos erradas.
“Os mesmos materiais que reforçam os cuidados de saúde, a investigação científica, a mineração e a indústria podem também tornar-se riscos de segurança se forem mal geridos,” Mubarak Aliyu, analista de riscos políticos e de segurança sediado na Nigéria, disse à Al Jazeera.
Para combater esta ameaça, mais de 100 profissionais de todo o continente reuniram-se em Tunis para o Africa Shield 2026, um workshop regional sobre o combate à proliferação. Os participantes representavam as forças armadas, as forças policiais, os decisores políticos e os organismos internacionais de supervisão.
A Agência de Redução de Ameaças de Defesa (DTRA) dos EUA, com o apoio da União Europeia e de agências das Nações Unidas, financiou e organizou a conferência de três dias. Os participantes debateram uma série de temas, incluindo:
Gestão de fronteiras e segurança da cadeia de abastecimento: os países estão a trabalhar para reforçar os controlos nos postos fronteiriços e a partilhar as melhores práticas para impedir que actores não estatais contrabandeiem materiais sensíveis.
Fluxo de informações e gestão da resposta a incidentes: a partilha de informações e a coordenação irão melhorar as respostas a incidentes potencialmente perigosos.
Controlos de exportação e tecnologias de dupla utilização: o reforço da regulamentação e do policiamento ajuda a prevenir a transferência ilícita de materiais sensíveis.
Investigação criminal e combate ao financiamento da proliferação de materiais químicos, biológicos, radiológicos e nucleares (CBRN): os profissionais de segurança estão a actualizar as suas competências de investigação e a recolher as informações necessárias para desmantelar as redes financeiras que facilitam a proliferação.

A reunião também enfatizou a implementação da Resolução 1540 do Conselho de Segurança da ONU, aprovada em 2004, que apela à partilha de informações, à coordenação entre agências, à gestão das fronteiras e à cooperação regional para combater a ameaça.
Os participantes afirmaram que eventos como o Africa Shield são fundamentais para reforçar a rede de profissionais que impede que materiais perigosos sejam desviados ou roubados.
“Esta iniciativa permite aos países africanos demonstrarem claramente a sua apropriação do conjunto de problemas relacionados com o combate à proliferação,” disse a Major Brittany Brown, do programa africano de combate às armas de destruição maciça (CADM) da DTRA. “As redes e a colaboração criadas e apoiadas no Africa Shield são inigualáveis, permitindo aos nossos parceiros estrangeiros combater eficazmente as redes adversárias.”
Países de toda a África estão também a trabalhar para reforçar as medidas de segurança nacionais. Após o Africa Shield, a Polícia da Nigéria realizou um workshop de desenvolvimento curricular sobre CADM em Abuja. O evento, realizado em parceria com a DTRA, fez parte de uma iniciativa de formação de formadores destinada a aumentar a sensibilização e a reforçar a capacidade da polícia em todo o país para responder a ameaças químicas, biológicas, radiológicas, nucleares e explosivas.
“A natureza em constante evolução das armas de destruição maciça exige um policiamento proactivo, formação operacional contínua e uma colaboração interinstitucional e internacional mais profunda,” o vice-inspector-geral da polícia responsável pelas operações, Umar Shehu Nadada, disse no início do evento.
No Quénia, as forças armadas, a polícia e civis realizaram uma série de eventos de formação. O país apresentou formalmente o seu primeiro Plano de Acção Nacional abrangente em matéria de CBRN no ano passado. Durante o exercício anual Justified Accord, em Nairobi, soldados norte-americanos treinaram em conjunto com membros do Batalhão de Resposta a Catástrofes do Quénia para se prepararem para cenários de ameaças CBRN.
Os especialistas consideram que as medidas de segurança e a sensibilização em matéria de CBRN devem fazer parte de uma abordagem governamental global que prepare para as ameaças sem impedir a actividade económica lícita.
“O desafio não é restringir o desenvolvimento, mas garantir que a inovação seja acompanhada por uma supervisão eficaz, práticas de manuseamento seguras e sistemas regulatórios robustos que impeçam o desvio ou o uso indevido sem abrandar o progresso económico,” Aliyu disse à Al Jazeera.
