A visão de Nathan Nwachuku sobre a Paz Africana ocupa um lugar de destaque no site da sua empresa: “Trazer paz duradoura ao continente através da soberania de segurança africana, um futuro em que África construa, implemente e controle a sua própria tecnologia de defesa.”
O nigeriano de 23 anos é PCA da start-up Terra Industries, sediada em Abuja, que assinou em Fevereiro um acordo de parceria com a empresa estatal militar-industrial nigeriana Defence Industries Corp. of Nigeria (DICON), para investigar e desenvolver drones, robótica e sistemas de segurança cibernética.
Após anos a adquirir drones da China, do Paquistão e da Turquia, as forças armadas da Nigéria voltaram a sua atenção para o mercado interno, exemplificando uma tendência em todo o continente de os governos investirem na produção nacional. Os custos e os atrasos na aquisição e manutenção de drones reforçam os argumentos a favor da produção local.
Entre 1980 e 2026, 34 países adquiriram 1.959 drones, de acordo com 234 registos de compra compilados pelo site de defesa Military Africa. Mais de metade — 1.054 dos 1.959 — foram adquiridos entre 2020 e 2026. Actualmente, nove países africanos fabricam drones localmente, com a África do Sul, a Nigéria, a Argélia e a Etiópia a liderarem o caminho.
Moses Wambui, PCA da empresa queniana de investigação e consultoria Insight Strategists Solutions Africa, disse que o mercado emergente de drones no continente passou da agricultura e dos cuidados de saúde para servir as necessidades militares de combate e de informações.
“A taxa de penetração dos drones em África ronda os 14% de todo o mercado mundial de drones,” disse à News Central TV, sediada em Lagos, numa emissão de Dezembro de 2025. “O custo inicial torna-se um problema. Estamos a falar de uma economia de cerca de 8 bilhões de dólares.”
A proliferação de drones nas mãos de grupos armados altera os cálculos das forças armadas africanas. Drones comerciais baratos, modificados para funções de vigilância ou ataque, obrigam os exércitos a investir em sistemas anti-drones, guerra electrónica e equipamento terrestre autónomo.
A Nigéria está a posicionar-se como um centro líder de produção de defesa na região, numa altura em que o governo e as empresas privadas investem na produção local para reforçar as capacidades de segurança e vigilância. A Elite Logistics & Development Services, com sede em Lagos, iniciou a produção e montagem de drones militares em 2023.
Mais recentemente, a Terra realizou uma demonstração ao vivo dos seus drones interceptores e veículos não tripulados de remoção de minas para oficiais militares e governamentais, no dia 27 de Abril.
“Hoje é um dia em que demonstramos a nossa prontidão para operações no campo de batalha e para a mobilização efectiva para a linha da frente,” Nwachuku disse à agência de notícias Reuters, enquanto se encontrava no exterior da fábrica de drones da sua empresa, com 1.394 metros.
O chefe da DICON, o Major-General Babatunde Alaya, disse que os sistemas de drones de ataque e vigilância da Terra foram concebidos para apoiar operações de contra-insurgência e colmatar lacunas de capacidade.
“Não há nenhuma outra empresa que esteja a disponibilizar estes [drones] para as nossas tropas no terreno utilizarem face aos desafios reais que enfrentamos, por exemplo, com os dispositivos explosivos improvisados que temos no nordeste e, agora, no noroeste,” disse numa conferência de imprensa antes da demonstração. “As maiores baixas que estamos a sofrer devem-se aos dispositivos explosivos improvisados.”
A fábrica da Terra em Abuja está a aumentar a sua capacidade para 30.000 drones por ano, incluindo drones de longo alcance concebidos para missões de vigilância, quadricópteros para primeira resposta e recolha de dados, e pequenos veículos autónomos para vigilância terrestre e transporte. A empresa afirmou que exporta sistemas de drones para oito países africanos.
Expandiu também a produção para o Gana com a construção de uma fábrica de 3.159 metros quadrados que, segundo Nwachuku, será a maior do continente e terá capacidade para produzir 50.000 drones por ano a plena capacidade.
“O Gana faz todo o sentido como país,” disse ao site de tecnologia de defesa Tectonic, numa entrevista publicada a 20 de Abril. “É um dos países mais seguros de África neste momento e é também uma das economias que mais cresce, com uma moeda forte, uma base industrial sólida, pessoas verdadeiramente inteligentes e uma forte vontade política de liderar o continente em termos de desenvolvimento industrial e defesa soberana.”
Nwachuku disse que o seu sonho é ajudar a industrializar África, mas, para que isso aconteça, “temos de resolver o denominador comum, que é a insegurança.”
“A única forma de África alcançar uma paz duradoura é unindo-se para construir uma defesa soberana, e não dependendo de uma arquitectura de segurança estrangeira,” disse no site da Terra. “Precisamos de controlar o nosso próprio destino, criando as ferramentas e os sistemas necessários para nos protegermos. É assim que este continente derrota o terrorismo.”
