No dia 25 de Março, as autoridades marroquinas e espanholas colaboraram na detenção de três suspeitos de pertencerem ao grupo Estado Islâmico: dois em Tânger e um em Maiorca, a maior ilha da Espanha.
Na Espanha, o suspeito é acusado de planear um ataque a solo, enquanto os suspeitos em Marrocos terão fornecido financiamento e apoio logístico a combatentes ligados ao grupo Estado Islâmico na Somália (ISSOM) e a outras filiais do EI na região do Sahel, noticiou o jornal Morocco World News.
Analistas afirmam que o ISSOM, em particular, está empenhado em expandir-se para além da sua base na região autónoma da Puntlândia, através de propaganda, radicalização online e esforços de recrutamento a partir da sua base de Al-Karrar. Localizada na Puntlândia, Al-Karrar é um centro logístico e financeiro fundamental para o EI a nível global.
De acordo com o especialista em segurança, Lucas Webber, editor-chefe do militantwire.com, o ISSOM continua a “operar como um centro regional e transnacional de comando, finanças e propaganda com um historial de recrutamento internacional, facilitação no estrangeiro e conspirações,” o que “reforça o seu papel emergente como uma ameaça concreta de operações externas, particularmente para a Europa e a América do Norte.” As operações externas referem-se a actividades realizadas fora do território que um grupo controla. O EI tem um historial de planear conspirações terroristas mortíferas no estrangeiro, incluindo os ataques de 2015 em Paris, os atentados de Bruxelas no ano seguinte e um ataque em Moscovo em 2024.
Estas são as razões pelas quais as recentes detenções em Marrocos e na Espanha constituem um “sinal de alerta” de como o alcance internacional do ISSOM pode traduzir-se em ataques diversos e difíceis de prever, afirmou Webber, que é também analista sénior de inteligência na Tech Against Terrorism e investigador sénior no grupo de reflexão Soufan Center.
O Emergente ‘Cibercalifado’
Os terroristas estão a utilizar a tecnologia para expandir a sua influência. As unidades de propaganda do EI, muitas vezes, constroem ou alteram narrativas históricas para se adequarem aos motivos do grupo e aos seus esforços de recrutamento, que geralmente visam comunidades da diáspora e prisioneiros. Isso é feito online, através do Facebook e do YouTube, e por meio de plataformas das redes sociais, como o Instagram, o Telegram, o Twitter e o WhatsApp.
“Esta utilização extensiva dos meios cibernéticos para apoiar os fins jihadistas levou à criação do termo “cibercalifado” para se referir à rede tecida pelo [EI] na internet,” a analista Paula Las Heras escreveu para a Universidade de Navarra, na Espanha. “Esta rede está estruturada de forma profissional, com jihadistas individuais a formarem as suas próprias agências de produção multilingues e revistas digitais. No Twitter e no Telegram existem contas fáceis de identificar e dedicadas ao treino militar ou à publicação de material jihadista.”
Os videojogos do EI também são conhecidos por destacar actos terroristas, como atentados suicidas, e são utilizados para apoiar a violência contra um Estado ou figuras políticas, acrescentou Las Heras.
De acordo com Mohamed, analista do Projecto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED), o ISSOM financia as suas operações principalmente através de extorsão e tributação ilícita de empresas locais. Na estratégica cidade costeira de Bosaso, por exemplo, o grupo terá exigido cerca de 500.000 dólares a empresas locais em 2023. A localização de Bosaso facilita o tráfico de armas entre o Iémen e a Somália, enquanto organizações de contrabando de armas de longa data continuam a operar nas regiões costeiras da Somália.
O ISSOM também recruta desertores do al-Shabaab e “goza do apoio das comunidades locais, incluindo os subclãs proeminentes do clã Majeerteen, principalmente o subclã Ali Saleban na região de Bari, de onde é originário o líder do grupo, Abdulkadir Mumin,” Mohamed disse numa entrevista de Setembro de 2025 no site do ACLED.
Combatentes do ISSOM Mortos em Batalha Recente
As forças da Puntlândia obtiveram vitórias recentes contra o EI. No dia 22 de Abril, as autoridades exibiram os corpos de mais de 10 suspeitos de serem combatentes do ISSOM mortos nas Montanhas Calmiskaad. Autoridades militares afirmaram que os militantes pertenciam a células que tinham recentemente levado a cabo ataques contra as forças de segurança da Puntlândia, acrescentando que o grupo tinha morto um soldado da Puntlândia na noite anterior, segundo noticiou o site de notícias somali Hiiran Online.
Também a 22 de Abril, o presidente da Puntlândia, Said Abdullahi Deni, nomeou o Tenente-Coronel Mohamud Shire Mohamed como novo comandante das forças de segurança que operam nas Montanhas Calmiskaad, de acordo com a agência noticiosa Horseed Media, da Puntlândia.
De acordo com a agência noticiosa Somaliland Standard, o ISSOM retomou recentemente as operações nas montanhas após a retirada da maioria das tropas da Puntlândia das linhas da frente. Fontes de segurança afirmaram que o grupo restabeleceu as redes de logística e abastecimento alimentar, enquanto unidades responsáveis pela colocação de minas terrestres reapareceram. Uma recente explosão de uma mina terrestre nas montanhas matou oito soldados locais.
