As importações de armas na África Ocidental aumentaram na última década, mesmo que as vendas de armamento na maior parte do resto do continente tenham permanecido estáveis ou diminuído, revela um estudo de 2026.
A diferença é o terrorismo. Os países da África Ocidental estão a comprar armas principalmente para combater grupos terroristas em ascensão, como o Boko Haram e afiliados do Estado Islâmico. A região do Sahel está sob ataque constante.
Embora as importações de armas pelos países de toda África tenham diminuído 41% na última década, as transferências de armas na África Ocidental aumentaram acentuadamente, de acordo com o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), que divulgou um relatório sobre as transferências globais de armas em Março. O instituto informou que as importações combinadas de armas dos Estados da África Ocidental aumentaram 82% entre os períodos de 2010-14 e 2020-24. A Nigéria representou a maior parte, com 34%, das importações de armas para a África Ocidental em 2020-24.
“O crescimento das importações de armas para a África Ocidental tem sido impressionante,” afirmou Katarina Djokic, investigadora do SIPRI. “Embora o volume das importações continue a ser relativamente pequeno, tem implicações geopolíticas importantes.”
Algumas partes da África Ocidental enfrentam actualmente alguns dos piores problemas de terrorismo do mundo. Por exemplo, o Índice Global de Terrorismo de 2026 indica que o Burquina Faso foi o país mais afectado pelo terrorismo no continente e ocupou o segundo lugar a nível mundial. O Níger, a Nigéria e o Mali ocuparam os cinco primeiros lugares, respectivamente.
“Ao contrário dos tradicionais importadores de armas do Norte de África, como o Egipto, o Marrocos e a Argélia, que frequentemente adquirem armas avançadas para manter o domínio militar regional, muitos países da África Subsariana estão a aumentar as compras militares principalmente para fazer face a ameaças à segurança interna e a insurgências,” relatou o Business Insider Africa.
Na África Oriental, a guerra civil sudanesa que começou em 2023 também tem sido um destino para transferências de armas. Ambas as forças opostas receberam armamento de grande porte durante o período de 2021-2025.
Os envios de armamento para as Forças Armadas do Sudão (SAF) e para as Forças de Apoio Rápido (RSF) da oposição incluíram equipamento pesado, como quatro peças de artilharia e pelo menos um sistema de defesa aérea de fornecedores desconhecidos para as RSF, informou o SIPRI. As transferências para as SAF provieram de pelo menos cinco países. Incluíram drones, veículos blindados e aeronaves de transporte. O SIPRI afirmou que as SAF também receberam um avião de combate de um fornecedor desconhecido.
Outros pontos críticos na África Ocidental incluem o Mali, onde os terroristas têm tentado isolar a capital; e a Nigéria, que está sob constante ataque de grupos terroristas e gangues criminosas. Com tanta coisa a acontecer, afirma o instituto, é difícil saber com precisão que armas estão a ser enviadas para onde.
“Rastrear as transferências de armas para zonas de conflito, especialmente em África, é difícil, uma vez que envolvem frequentemente elevados níveis de sigilo,” observou o instituto.
Algumas partes do Norte de África continuam a ser clientes significativos na compra de armas, de acordo com o instituto. O Marrocos, que ocupa o 28.º lugar a nível mundial em compras de armas, e a Argélia, em 33.º, são de longe os maiores destinatários de armas de grande porte em África. Os investigadores afirmam que as tensões de longa data entre os dois países são um dos principais motores das suas importações de armas.
A Nigéria está entre vários países africanos actualmente empenhados em modernizar o seu equipamento militar. Os Estados Unidos concordaram com a venda de 346 milhões de dólares em armamento à Nigéria, incluindo bombas e foguetes de precisão, segundo o Business Insider Africa. A Nigéria tem também um contrato de 1,38 bilhões de dólares que envolve caças e helicópteros da Itália e dos EUA.
O Mali também está entre os actuais líderes em importações de armas na África Subsariana, de acordo com o instituto. O país comprometeu-se em comprar caças de ataque ao solo, aviões de treino e helicópteros de ataque e transporte. O Business Insider Africa informou que o Mali recebeu mais de 100 veículos militares em 2025.
“O país também reforçou as suas capacidades aéreas através de drones Bayraktar TB2 da Turquia, enquanto relatórios de defesa indicam que o Mali terá adquirido drones de combate de longo alcance Akinci para melhorar as operações de vigilância e ataque,” informou o Business Insider Africa.
O Senegal também se tornou um importante importador de armas na África Ocidental, aumentando as suas despesas com a defesa para modernizar as suas forças armadas e fazer face à instabilidade na região. As aquisições recentes, de acordo com o Business Insider Africa, incluíram veículos blindados de transporte de pessoal da África do Sul e três navios de patrulha offshore destinados a “reforçar a segurança marítima e proteger as infra-estruturas energéticas offshore.”
O Senegal inaugurou a sua primeira fábrica de montagem de veículos militares numa tentativa de começar a construir uma indústria de defesa nacional.
