Na tentativa de exercer maior controlo sobre partes do nordeste da Nigéria, grupos terroristas atacaram postos militares em toda a região e mataram dezenas de soldados.
No dia 13 de Abril, os terroristas do Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP) atacaram uma base militar na comunidade de Monguno, no Estado de Borno. Entre os mortos encontrava-se o comandante da base, o Coronel I.A. Muhammed, juntamente com quatro soldados. Uma semana antes, um ataque a uma base em Benesheikh, também em Borno, matou um número não confirmado de soldados, juntamente com o comandante da base, o Brigadeiro-General Oseni Omoh Braimah.
Os ataques foram os mais recentes de uma série de mais de uma dezena de ataques terroristas a postos militares nos Estados de Borno e Yobe desde o início de 2025. Os ataques mataram dezenas de soldados e vários oficiais de alta patente. Os terroristas também lançaram ataques mortíferos contra civis em toda a região.
Chigozie Ubani, investigador do Instituto de Segurança da Nigéria, disse recentemente ao Punch News da Nigéria que os ataques fazem parte de uma tentativa do Boko Haram e do seu rival, o ISWAP, de recuperar o controlo sobre o território perdido para as forças armadas durante a Operação Hadin Kai, ainda em curso.
“O objectivo deles é tomar o controlo dos nossos territórios,” afirmou Ubani. “Quando tomarem o controlo, todos ali se submeterão à sua autoridade religiosa. É isso mesmo.”
Durante alguns ataques recentes contra bases, os terroristas incendiaram edifícios e destruíram veículos. Os ataques às bases, juntamente com os ataques contra comunidades civis, têm como objectivo expulsar as pessoas das suas residências, deixando espaço que os terroristas podem então ocupar, segundo Ubani.
“O objectivo deles é aterrorizar, mutilar e deslocar as pessoas. Assim que as deslocam, é claro, ocupam o espaço. Portanto, enquanto isso não for alcançado, eles só podem recuar e voltar,” acrescentou.
Os terroristas sofreram pesadas baixas durante os ataques nocturnos às bases. Pelo menos 60 combatentes morreram quando as forças armadas repeliram um ataque à base militar de Bita, na área de governo local de Gwoza, no Estado de Borno, em Maio de 2025.
Kabiru Adamu, PCA da Beacon Security and Intelligence Limited, disse à BBC que vê os recentes ataques como parte de um esforço do Boko Haram e do ISWAP para receber mais atenção e, por extensão, mais apoio das organizações maiores da al-Qaeda e do Estado Islâmico.
Em Fevereiro, o Estado Islâmico elogiou outra das suas filiais, o Estado Islâmico na Província do Sahel, por ter atacado uma base da Força Aérea do Níger no aeroporto nos arredores da capital do Níger, Niamey, no final de Janeiro.
“Isso encoraja as filiais da organização em diferentes países a procurarem reconhecimento, assistência e maior valorização por parte da organização central,” Adamu disse à BBC.
O brigadeiro-general nigeriano aposentado, Peter Aro, disse ao Punch que o recente sucesso dos terroristas em atacar bases e matar comandantes revela lacunas na preparação, na inteligência e no equipamento.
As forças armadas devem adaptar-se para combater a abordagem assimétrica que o Boko Haram e o ISWAP utilizam. Um exército que pareça previsível, lento a ajustar-se ou travado pela inércia institucional está a dar vantagem aos grupos terroristas, acrescentou Aro.
“A guerra assimétrica exige tácticas flexíveis, pequenas unidades bem equipadas, vigilância eficaz, capacidades de combate a dispositivos explosivos improvisados (DEI) e sistemas de resposta rápida,” afirmou Aro. “O que estamos a testemunhar não é meramente um ressurgimento da actividade terrorista, mas um reflexo de quão adaptáveis os grupos insurgentes podem ser quando as respostas do Estado não evoluem ao mesmo ritmo.”
