Uma série de explosões em Bujumbura, a capital económica do Burundi, começou por volta das 18h15 do dia 31 de Março e só terminou por volta da meia-noite. As explosões mataram pelo menos 13 pessoas e feriram outras 57, incluindo três soldados burundeses.
As autoridades afirmaram que as explosões, que fizeram chover projécteis sobre bairros próximos e subir colunas de fumo acima da cidade, foram provocadas por um acidente eléctrico no principal depósito de munições da Força de Defesa Nacional do Burundi (FDNB), localizado no bairro densamente povoado de Musaga. O incêndio alastrou-se rapidamente e desencadeou uma onda de explosões sentidas muito além da base.
“Foram danificadas casas em vários bairros, bem como veículos particulares,” o porta-voz da FDNB, o General Gaspard Baratuza, disse num comunicado. “Equipamento e instalações militares arderam e foram destruídos.”
Um oficial superior da polícia no local afirmou que a escassez de água dificultou os esforços de combate ao incêndio. Ele disse numa reportagem conjunta da Agence France-Presse (AFP) e da Reuters que o “inferno gigantesco” deixou o acampamento da base “reduzido a cinzas.”
Um sobrevivente contou à Reuters que viu uma jovem morrer.
“Ela estava à minha frente,” disse a testemunha. “Vi-a cair enquanto corria no meio de um grupo de pessoas. Pouco tempo depois, percebi que ela tinha sido violentamente atingida por uma bomba.”
O depósito de Musaga fica junto ao Instituto Superior de Quadros Militares, bem como a importantes depósitos logísticos do exército, ao acampamento militar de Muha e à prisão central de Mpimba, onde uma mulher disse à BBC Great Lakes que um dos seus familiares tinha sido morto. Outros muitos reclusos terão também ficado feridos.
Na sequência do incidente, as autoridades burundesas exortaram os cidadãos a comunicarem por telefone a presença de munições não detonadas, alertando: “Tenham cuidado e NÃO TOQUEM.”
Explosões não planeadas em locais de armazenamento de munições são uma preocupação constante em instalações militares e nas suas proximidades, em todo o continente e em todo o mundo. De acordo com o Small Arms Survey, tais explosões mataram ou feriram 31.489 pessoas em todo o mundo entre Janeiro de 1979 e Dezembro de 2024. Das 674 explosões nesse período, seis das 10 com mais vítimas ocorreram em África, incluindo os dois incidentes mais graves, segundo o Survey.
Em Janeiro de 2002, um incêndio num mercado de Lagos, na Nigéria, alastrou-se ao vizinho Acampamento Militar de Ikeja, inflamando munições e provocando explosões de bombas e projécteis de artilharia, lançando granadas e morteiros contra milhares de casas. O incidente matou mais de 1.000 pessoas, muitas delas crianças, e deslocou mais de 12.000 pessoas, de acordo com a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.
Uma explosão ocorrida em Março de 2012 num depósito em Brazzaville, na República do Congo, matou cerca de 300 pessoas, feriu mais de 2.300 e deixou 17.000 desabrigadas, segundo a AFP. As autoridades acusaram 32 soldados pelo incidente, condenando seis e absolvendo 26. Um cabo foi condenado a 15 anos de trabalhos forçados por atear fogo intencionalmente ao depósito.
O incidente mais recente deste tipo em África ocorreu em Junho de 2024, quando um depósito de armas nos arredores de N’Djamena, no Chade, explodiu, matando nove pessoas e ferindo outras 46.
Erros de manuseamento e práticas de trabalho inadequadas causaram um quinto destes incidentes, de acordo com o Small Arms Survey. Outras causas significativas incluíram a incapacidade de ter em conta influências externas e ambientais, armazenamento inadequado, deterioração do armamento e segurança deficiente.
Nicolas Florquin, director de dados e análise do Small Arms Survey, afirmou que as melhores práticas incluem a realização de uma análise de risco adequada ao armazenar munições. Num artigo para o The Conversation, Florquin afirmou que as precauções de segurança contra incêndios e os protocolos para o manuseamento adequado de munições são fundamentais, tal como a vigilância da estabilidade química das munições.
Os especialistas afirmam que as autoridades militares devem estar atentas à proximidade dos depósitos de munições em relação às cidades e aos centros populacionais. Os depósitos devem também ser adequadamente construídos, fortificados e protegidos por dentro e por fora para prevenir roubos, invasões e incêndios.
