A IA está a ser utilizada para analisar dados relacionados com uma grande variedade de ameaças, tais como a pesca não regulamentada, o banditismo e o terrorismo. No entanto, os especialistas alertam que os profissionais de segurança devem compreender as suas limitações.
“A IA pode melhorar a nossa capacidade de monitorização, mas é muito perigoso confundir dados com informação,” o almirante brasileiro Renato Rodrigues de Aguiar Freire, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, disse recentemente aos participantes da Conferência dos Chefes de Defesa Africanos (ACHOD), em Luanda, Angola.
A IA pode ajudar a detectar padrões de movimento ou alterações no terreno que possam indicar crimes ou ameaças à segurança. Recorrendo a imagens de satélite, a IA pode identificar rotas de abastecimento e campos de treino de terroristas. Pode analisar rapidamente grandes quantidades de dados para ajudar os soldados a antecipar problemas antes que estes ocorram.
No entanto, utilizar a IA de forma eficaz para monitorizar o ambiente marítimo e outros ambientes vai além de simplesmente activar a tecnologia e deixá-la a funcionar, segundo Freire. É necessário formar pessoas para trabalharem com a IA, de modo a compreenderem os dados recolhidos e determinarem a melhor forma de responder aos mesmos.
“É preciso utilizar a tecnologia para dar prioridade aos recursos escassos,” explicou Freire.
Mesmo com o apelo à utilização da IA a espalhar-se por toda a África, o continente continua muito aquém do pessoal necessário para tirar o máximo proveito da tecnologia. O Banco Africano de Desenvolvimento estima que o continente necessitará de 23 milhões de profissionais do ramo tecnológico até 2030.

SEGUNDO SARGENTO RAQUEL BIRK/EXÉRCITO DOS EUA
Os fundadores de academias de IA, como o Africa AI Hub, na Nigéria, oferecem à força de trabalho mais jovem do mundo a oportunidade de aprender a IA. Os responsáveis da empresa afirmam no seu site que se inspiraram na constatação de que “a revolução da IA está a acontecer à África, e não com a África.”
Em países como o Quénia, a Nigéria, a África do Sul e a Tunísia, a tecnologia e a formação em IA estão a ganhar terreno, permitindo que alguns dos primeiros centros de dados do continente comecem a funcionar.
“O Quénia é um centro nevrálgico na África Oriental. Temos muito talento a chegar para inovar,” Peter Addo, director-adjunto do escritório da Agência Francesa de Desenvolvimento no Quénia, disse recentemente à France 24.
Estima-se que o Quénia tenha 600.000 pessoas formadas na utilização da IA, com mais pessoas a ingressarem no mercado de trabalho todos os anos.
Esses novos profissionais de tecnologia com competências em IA oferecem o potencial para reforçar a forma como as forças armadas utilizam a tecnologia, o Chefe da Força de Defesa Popular da Tanzânia, General Jacob Mkunda, disse aos participantes da ACHOD.
“A tecnologia é um importante multiplicador de força que pode reforçar a segurança nacional,” disse Mkunda. “Mas a tecnologia é um meio, não um fim.”
A utilização da IA está distribuída de forma desigual pelo continente, com alguns países a avançarem rapidamente enquanto outros ficam para trás. Isso pode tornar-se um problema no que diz respeito à colaboração transfronteiriça para rastrear e desmantelar redes criminosas e outras ameaças à segurança.
Os centros de fusão e os nós regionais, como os utilizados pelo acordo de cooperação marítima do Código de Conduta de Yaoundé, podem superar essas diferenças, melhorando simultaneamente a cooperação e a segurança transfronteiriça através da construção de confiança, segundo Freire.
“A primeira barreira é sempre a confiança,” afirmou. “A cooperação pode reforçar a segurança nacional.”
Mkunda concordou.
“A partilha de informações já não é uma questão de escolha,” afirmou. “A tecnologia de IA pode acelerar a partilha de informações.”
