EQUIPA DA ADF
Mais de 5.600 pessoas de cerca de 40 países estudaram novas tecnologias militares durante o exercício Leão Africano realizado no Gana, Marrocos, Senegal e Tunísia, de 20 de Abril a 8 de Maio.
“Esta edição centrou-se fortemente na inovação e na tecnologia avançada, a par da ajuda humanitária, reflectindo a dinâmica construtiva que torna o exercício Leão Africano uma oportunidade verdadeiramente valiosa para todos os participantes,” o Brigadeiro-General Reda Shuaib, das Forças Armadas de Marrocos, disse após o exercício final de campo em Tan-Tan, Marrocos.
O maior exercício militar multinacional do continente, o Leão Africano é também o maior exercício conjunto anual do Comando dos Estados Unidos para a África (AFRICOM). Organizado pela Força-Tarefa do Exército dos EUA para o Sul da Europa e África, o exercício enfatizou a inovação, a interoperabilidade e a segurança regional liderada pelos parceiros.
“Mais de 40.000 militares participaram nas últimas cinco edições deste exercício, atestando assim o compromisso dos nossos parceiros e a importância deste evento anual,” afirmou um dos planeadores militares marroquinos.
Durante a cerimónia de abertura na sede do Comando da Zona Sul, em Agadir, a 27 de Abril, o Tenente-General Mohammed Benlouali, de Marrocos, Chefe do Estado-Maior da Zona Sul, afirmou que o exercício representa um passo importante no reforço da cooperação militar entre Marrocos e todos os países participantes.
“Este exercício visa reforçar a parceria e a integração nas áreas de planeamento, melhorar a prontidão operacional, contribuindo assim para a melhoria gradual do desempenho operacional, a expansão das áreas de cooperação e o aperfeiçoamento de conhecimentos e competências a vários níveis e em várias especialidades,” afirmou.
A 22.ª edição do Leão Africano marcou uma mudança das tácticas tradicionais baseadas no poder de fogo para sistemas avançados de comando e controlo que integram tecnologias modernas, tais como drones, veículos autónomos, sistemas de disparo controlados remotamente e inteligência artificial.
A par de sistemas avançados de vigilância e reconhecimento, os responsáveis pelo planeamento do exercício integraram as novas tecnologias no planeamento e na execução dos exercícios de treino. O Leão Africano 26 expandiu-se também para novas áreas, tais como a segurança cibernética, a guerra electromagnética e as operações espaciais.
Uma fase académica, de 20 a 30 de Abril, apoiou os exercícios de comando e de campo. Incluiu 20 unidades especiais que utilizaram tecnologias emergentes, incluindo drones, ferramentas de segurança cibernética e operações relacionadas com o espaço.
Mais de 40 fornecedores de tecnologia militar também estiveram presentes, permitindo aos participantes utilizar o exercício como um campo de testes ao vivo para produtos que respondiam a necessidades específicas, tais como sistemas de comando de missão, capacidades de ataque profundo, facilitadores de defesa em profundidade e integradores de contra-ataque.
Em Kap Draa, perto da cidade de Tan-Tan e da foz do Rio Draa, a tecnologia militar moderna teve um papel de destaque numa simulação de ataque em grande escala que marcou a conclusão do Leão Africano em Marrocos. O Tenente-Coronel Yassine El Semlali, de Marrocos, vice-comandante das operações de campo em Ras Draa, disse que o evento culminante teve um enorme valor prático.
“Todas estas tecnologias confirmaram a natureza estratégica destes exercícios, visto que proporcionaram capacidades significativas, tais como a redução do tempo de tomada de decisão, o aumento da precisão de alvejamento e a salvação de vidas,” disse numa entrevista à rede de televisão marroquina Medi 1. “O exercício táctico de Kap Draa permitiu avaliar a prontidão e a eficácia destes sistemas, bem como a possibilidade de os integrar em campos de batalha reais.”
A demonstração testou as capacidades das forças para repelir um ataque e convertê-lo numa contra-ofensiva arrasadora. Os combatentes utilizaram sistemas de alerta precoce e drones para localizar as posições inimigas antes de passarem de operações defensivas para ofensivas.
Utilizando tanques, artilharia, outros veículos blindados e infantaria, as unidades terrestres marroquinas neutralizaram os recursos inimigos e romperam as suas linhas antes de destruírem as colunas em avanço. Foram apoiadas por sete novos helicópteros de ataque Apache que a Força Aérea Real recebeu recentemente, sublinhando a sua crescente integração de tecnologia moderna e sistemas de comando e controlo melhorados por IA.
O Capitão Adnan Ma al-Aynayn, da Força Aérea Real Marroquina, disse que foi emocionante liderar o seu esquadrão de Apaches ao lado da Força Aérea dos EUA pela primeira vez.
“Trocámos conhecimentos especializados e tácticas modernas no terreno,” disse à Medi 1 TV. “Este exercício deu-nos a oportunidade de trabalhar num ambiente multinacional, priorizando sempre a segurança e a execução precisa e eficaz das missões.”
Num gesto simbólico, vários caças F-16 marroquinos escoltaram dois bombardeiros B-52 da Força Aérea dos EUA enquanto sobrevoavam Kap Draa, no dia 23 de Abril.
“A sua presença visível sobre Marrocos, a operar ao lado dos caças da Força Aérea Real Marroquina, sinaliza uma dissuasão credível e reforça o compromisso dos EUA com a segurança regional,” afirmou o comandante do AFRICOM, o General Dagvin Anderson.
“Já não confinada à terra, ao mar e ao ar, a natureza da guerra está a evoluir rapidamente,” afirmou. “O Leão Africano serve como um laboratório de inovação, onde testamos, aprendemos e nos adaptamos em tempo real para estarmos preparados para os desafios do futuro.”
Na Tunísia, o vice-comandante do AFRICOM, Tenente-General John Brennan, disse que mais de 500 militares de nações africanas e aliadas participaram em semanas de treino de alta intensidade que se centraram em operações de combate em grande escala, resposta a crises e assistência humanitária.
“Como um conjunto de mais de 40 países, o Leão Africano deste ano demonstra o crescimento contínuo e a relevância deste exercício de excelência,” disse na cerimónia de encerramento, no dia 29 de Abril. “A enorme escala deste exercício combinado, conjunto e interagências demonstra a profundidade da unidade e a diversidade de capacidades que a coligação de voluntários da qual fazemos parte pode mobilizar contra ameaças comuns.”
