Uma campanha de ataques aéreos na Somália obrigou o al-Shabaab a limitar as comunicações do grupo e a evitar grandes reuniões dos seus líderes de topo.
No noroeste da Nigéria, um ataque aéreo contra os campos terroristas de Lakurawa obrigou os combatentes a fugir para o norte. Fontes locais revelaram ao investigador Viktor Marsai que muitos dos terroristas ficaram chocados por terem sido alvo de ataques, tendo-se anteriormente sentido a salvo de ataques aéreos.
“Nenhum destes exemplos demonstra uma derrota total dos grupos terroristas, mas estes casos ilustram como os ataques aéreos podem enfraquecer a coesão e as capacidades operacionais dos grupos — pelo menos por algum tempo,” escreveu para o The Soufan Center num resumo de 4 de Agosto.
O poder aéreo pode ter um impacto significativo no combate ao terrorismo, mas os especialistas afirmam que existem limites. Advertem contra a dependência exclusiva das forças aéreas e encorajam uma maior coordenação entre as forças aéreas e terrestres.
“O combate ao extremismo violento em África requer uma estratégia mais abrangente; os ataques aéreos que eliminam campos de treino e alvos de alto valor — incluindo comandantes de alto escalão —, por si só, não conseguem aniquilar os grupos terroristas,” escreveu Marsai.
No Sahel, os grupos terroristas utilizam tácticas irregulares para explorar as fraquezas das forças de segurança que se regem por estruturas tradicionais. O Major-General Fatai Alli, reformado do exército nigeriano, disse que as forças aéreas e terrestres devem integrar os serviços de informações e reestruturar-se para obterem maior mobilidade.
“Sem forças terrestres para tirar partido dos efeitos dos ataques aéreos, os insurgentes limitam-se a dispersar-se, reagrupar-se e reconstituir-se,” escreveu num relatório de Fevereiro para o Centro de Estudos Estratégicos de África. “Isso revela uma lacuna estrutural mais profunda: os recursos de ISR [inteligência, vigilância e reconhecimento], já insuficientes em número, não são acompanhados pela capacidade de ataque terrestre nem pela arquitectura de comando e controlo necessária para agir com rapidez com base na informação de inteligência. A gestão do espaço de batalha continua lenta e fragmentada. Muitas vezes, demoram horas até que o quartel-general tome conhecimento de um ataque em curso, período durante o qual as unidades da linha da frente são deixadas a lutar sozinhas, com reforços ou reabastecimento mínimos.”
As operações na Somália e na Bacia do Lago Chade demonstram que os ataques aéreos são mais eficazes quando os alvos se concentram numa área reduzida. Os caças, helicópteros e drones destacados relativamente perto de campos de batalha que abrangiam algumas centenas de quilómetros quadrados tiveram maior impacto do que aqueles posicionados nos vastos desertos do Sahel.
“Na zona da tríplice fronteira entre o Mali, o Burquina Faso e o Níger, a região de Liptako-Gourma abrange mais de 500.000 quilómetros quadrados,” escreveu Marsai. “Os grupos terroristas deslocam-se com relativa rapidez e liberdade neste vasto terreno, lançando ataques, por vezes, a partir de uma distância de centenas de quilómetros.”
A Força Aérea Nigeriana tem como objectivo modernizar a sua frota e promover uma melhor coordenação com os outros ramos das forças armadas. Em Agosto, a NAF disse ter reforçado a sua presença sobre o Estado de Sokoto para apoiar operações conjuntas de segurança.
O Comodoro Ehimen Ejodame, director de relações públicas e informação da NAF, disse que os terroristas e bandidos, muitas vezes, exploram terrenos acidentados, tirando partido da mobilidade e da camuflagem para escapar às forças terrestres.
“Ao tirar partido do alcance, da velocidade, da flexibilidade e da precisão do poder aéreo, a NAF está mais bem posicionada para localizar, neutralizar e enfraquecer elementos hostis, privá-los da liberdade de movimento e criar oportunidades para que as forças terrestres consolidem os ganhos,” disse num comunicado de 24 de Agosto.
O Marechal Sunday Aneke, Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, acrescentou que as ameaças assimétricas exigem que a NAF seja ágil para agir com base em informações de inteligência e coordenar rapidamente com as tropas terrestres.
“O nosso objectivo é claro: manter a pressão sobre os elementos criminosos, privá-los da liberdade de acção e criar as condições para que as nossas forças terrestres dominem o ambiente operacional,” afirmou. “Continuaremos a empregar o poder aéreo de forma inteligente, profissional e decisiva, em sinergia com as forças armadas irmãs e outras agências de segurança, mantendo sempre a máxima consideração pela segurança dos civis.”
As baixas civis têm sido uma questão importante numa altura em que a NAF tem alargado a sua campanha de ataques aéreos contra terroristas e bandidos. Marsai alertou que uma das maiores críticas ao uso de ataques aéreos é o facto de estes poderem causar danos colaterais, o que pode radicalizar civis inocentes e reforçar os esforços de propaganda e desinformação dos grupos terroristas.
No entanto, ele acredita que a luta em constante evolução contra o terrorismo exige a integração das forças aéreas e terrestres.
“Embora funcione como um instrumento no conjunto de ferramentas dos governos, o poder aéreo pode ajudar a moldar estratégias antiterroristas eficazes, mas, por si só, não consegue destruir organizações extremistas,” escreveu.
