EQUIPA DA ADF
Os grupos terroristas estão a experimentar a IA para propagar a sua ideologia e tornar os ataques mais mortíferos. No entanto, os profissionais de segurança estão a constatar que esta ferramenta é igualmente valiosa quando utilizada para proteger os cidadãos contra esses grupos.
“As ferramentas de vigilância baseadas na IA podem rastrear os movimentos dos terroristas, analisar transacções financeiras suspeitas e detectar padrões de radicalização nas plataformas das redes sociais,” Mahmoud Ali Youssouf, presidente da Comissão da União Africana, disse numa reunião do Conselho de Paz e Segurança da UA em 2025.
A al-Qaeda e o grupo Estado Islâmico adoptaram a tecnologia online e cada um tem procurado criar um “califado digital” que ultrapasse as fronteiras internacionais e vá muito além do que um califado físico conseguiria alcançar.
Sistemas de IA amplamente utilizados, como o ChatGPT, o Grok e o Claude, tornaram-se peças fundamentais da estratégia do califado digital, ajudando os terroristas a planear ataques, editar imagens de vídeo e traduzir propaganda para diferentes línguas, de modo a disponibilizá-la a diversos grupos étnicos e países.
A IA reduz o tempo necessário para produzir propaganda e esse material produzido pela IA pode, por sua vez, radicalizar pequenos grupos ou indivíduos que talvez nunca tivessem sido radicalizados. A tecnologia de blockchain ajuda as organizações terroristas a encriptarem as suas mensagens para escapar às agências de segurança.
“O potencial de militantes com conhecimentos tecnológicos criarem chatbots jihadistas sem restrições pode tornar o conhecimento sobre a violência disponível a pedido, proporcionando um planeador virtual que orienta os actores solitários em cada etapa de um ataque,” os investigadores Danielle Cosgrove, Doug Livermore, Erin K. McFee, Morgan Tadych e Timothy “Tito” Torres escreveram recentemente para o Atlantic Council.
Mesmo que os terroristas utilizem a IA para os seus fins, os governos e as agências de segurança africanas têm a capacidade de empregar a sua própria tecnologia de IA para identificar e combater o terrorismo. Estudos revelam que alguns dos mesmos sistemas de IA, conhecidos como grandes modelos de linguagem (LLM), que ajudam os terroristas também podem ser utilizados contra eles para detectar o extremismo online.
De acordo com o Instituto Inter-regional das Nações Unidas para a Investigação sobre Crime e Justiça (UNICRI) e o Centro das Nações Unidas de Combate ao Terrorismo (UNCCT), os governos podem utilizar tecnologia baseada na IA para combater as mensagens e actividades terroristas, incluindo: prever o terrorismo, identificar riscos de radicalização, detectar desinformação e informações falsas geradas por terroristas, automatizar a moderação de conteúdos para identificar e remover propaganda, contrariar as alegações terroristas e analisar conjuntos de dados amplos.
Estes métodos tornam-se mais importantes numa altura em que a IA acelera a capacidade dos grupos terroristas de semear a discórdia.
“À medida que o intervalo de tempo entre a exposição a conteúdos radicais e a prática de actos de violência se encurta, os esforços devem visar, em primeiro lugar, limitar o acesso a esses conteúdos,” escreveram Cosgrove e outros.
Um método para neutralizar conteúdos terroristas é conhecido como “partilha de dispersão.” A tecnologia identifica conteúdos nocivos com um número único que pode ser partilhado entre as autoridades policiais e as empresas online para os rastrear e remover.
“A partilha de dispersão revelou-se eficaz na prevenção da exploração de crianças online,” escreveram Cosgrove e outros. “Aplicar os mesmos conceitos ao combate ao terrorismo e utilizar as parcerias antiterroristas existentes entre organizações e países poderá representar um caminho para identificar e remover rapidamente conteúdos antes que se disseminem amplamente.”
Até ao momento, as agências de segurança de todo o mundo continuam a ficar para trás no que diz respeito à IA. Um inquérito realizado pelo UNICRI e pela Interpol revelou que metade das 50 agências policiais inquiridas referiram que os seus conhecimentos em matéria de IA eram “rudimentares.” Apenas 20% classificaram a sua capacidade como “avançada.”
