O recente ataque a uma base do Exército do Mali, perto da comunidade de Aguelhok, foi o mais recente exemplo da utilização de drones armados por grupos insurgentes no país contra forças governamentais e paramilitares.
O ataque da Frente de Libertação do Azawad (FLA) no início de Abril teve como alvo uma base militar perto da comunidade, utilizada pelo Exército do Mali (FAMa) e por combatentes a serviço do Africa Corps da Rússia.
O ataque foi o mais recente de uma série de assaltos da FLA a bases militares regionais. No final de Marco, o grupo atacou uma base conjunta das FAMa e do Africa Corps na vizinha Anéfis. Alguns dias antes, lançaram o seu primeiro ataque à base de Aguelhok.
Algumas semanas antes disso, o grupo atacou o Campo Firhoun ag Alinsar, em Gao, com 25 drones kamikaze armados. Uma semana antes disso, a FLA atacou um posto avançado das FAMa-Africa Corps na área de Adghar-Takalot, a sul de Kidal. Esse ataque destruiu um veículo blindado e matou ou feriu soldados malianos e mercenários russos.
A FLA afirma ter atacado as forças malianas e russas sete vezes durante o mês de Março.
Ela tem chamado a atenção pelo uso de drones no campo de batalha. O grupo utilizou um drone de vigilância armado Flydragon FDG410, de fabrico chinês, para derrubar um helicóptero do Exército do Mali em Tessalit, em Fevereiro de 2025. Trata-se do primeiro grupo não estatal do Sahel a adoptar tecnologia de fibra óptica com drones em 2025, que surgiu pela primeira vez entre soldados ucranianos que lutavam contra a invasão russa no seu país.
O Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM) e o Estado Islâmico na Província do Sahel também utilizaram drones armados de tipo comercial nos seus próprios ataques contra forças governamentais e mercenárias. A utilização de drones pelo JNIM aumentou depois de o antigo coronel do Exército do Mali, Hussein Ghulam, ter mudado da FLA para o JNIM em 2024, levando consigo o seu vasto conhecimento sobre operações com drones.
Os atacantes têm utilizado drones do tipo visão em primeira pessoa (FPV) de tipo comercial, incluindo alguns drones armados que filmaram ataques a veículos militares, edifícios e soldados em fuga nos locais. Estes vídeos, muitas vezes, são publicados nas redes sociais.
A combinação de drones FPV com explosivos de fácil aquisição cria uma arma de baixo custo “devastadoramente eficaz,” segundo o analista Shahryar Pasandideh, escrevendo num artigo publicado na sua publicação Substack, Universal Dynamics.
O ataque de Abril a Aguelhok ocorreu apesar da presença de tecnologia de interferência concebida para interromper a ligação entre o drone e o seu operador. Isso sugere que a FLA pode ter utilizado drones ligados ao seu operador por cabos de fibra óptica, o que os protegeria de bloqueadores de sinal, de acordo com analistas do site West Africa Maps.
De acordo com o analista Rueben Dass, que escreve para o site jurídico Lawfare, a FLA “está a aprender com outros conflitos e a aplicar as lições na sua guerra no Mali.”
Embora a FLA tenha utilizado drones principalmente no norte do Mali, estes criam o potencial para ataques noutros locais, de acordo com a Castor Vali Security Information Services, uma empresa de análise de risco focada em África.
“Embora a FLA não tenha levado a cabo ataques no interior do território controlado pelo governo maliano, os drones oferecem-lhe a capacidade de realizar ataques de precisão longe das linhas da frente — são leves e não requerem várias pessoas para os transportar e operar,” os analistas da Castor Vali escreveram num estudo sobre a utilização de drones no Sahel.
