Aumenta a Violência do Grupo Wagner Contra Malianos

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EQUIPA DA ADF

A lista de cidades da zona centro do Mali onde ocorreram massacres está a crescer, numa altura em que o famoso Grupo Wagner, da Rússia, expande o seu alcance no país.

Em Março, foram as cidades de Diabaly, Nioni e Moura. Em Abril, as cidades de Hombori, Boni e Mondoro foram adicionadas à lista.

Testemunhas e sobreviventes das operações conjuntas Mali-Rússia contam histórias semelhantes envolvendo mortes indiscriminadas, execuções sumárias, tortura, roubo e estupros. Muitas vezes, seguem-se raptos, e os residentes das aldeias são obrigados, sob ameaça de arma, a fazer covas para valas comuns.

O investigador do Sahel, Yvan Guichaoua, um professor sénior de conflito internacional, na Universidade de Kent, Inglaterra, disse que as violações se encontram em ascensão.

“Este ligeiro aumento coincide com a chegada das forças russas,” disse ao The New York Times. “A frequência e a escala destes ataques não têm precedentes.”

O Projecto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Evento, que rastreia a violência pelo mundo, comunicou que mais de 456 civis foram mortos em nove incidentes envolvendo forças malianas e o Grupo Wagner, entre Janeiro e meados de Abril de 2022.

No dia 30 de Maio, a Missão das Nações Unidas no Mali, conhecida como MINUSMA, comunicou sobre violações de direitos humanos cometidas por militares malianos “com apoio, em certas ocasiões, de elementos militares estrangeiros.”

A MINUSMA afirmou que a violência sancionada pelo Estado, contra civis, tinha aumentado mais de dez vezes entre finais de 2021 e o primeiro trimestre de 2022, correspondendo ao período da chegada do Grupo Wagner.

Em Março, vídeos das redes sociais mostraram dezenas de corpos incendiados encontrados próximos de Diabaly. Os residentes locais afirmam que aqueles eram corpos de pastores de gado que foram torturados e executados no acampamento militar maliano próximo dali, onde os russos estavam a operar.

Semanas depois, o número alarmante de vítimas do massacre de Moura, estimado pelas testemunhas como sendo de cerca de 600, causou indignação e condenação internacional.

As autoridades malianas anunciaram uma investigação das alegações de violação de direitos humanos de Moura, mas continuam a bloquear o acesso da ONU ao local.

Os sobreviventes do ataque do Grupo Wagner contra a aldeia de Hombori, em Abril, disseram que os mercenários russos disparam indiscriminadamente contra o mercado de venda de gado da comunidade, no dia 19 de Abril, matando cerca de 20 pessoas e levando consigo outras 60 em camiões. Os residentes locais acreditam que muitos deles foram posteriormente torturados e executados.

“Não havia jihadistas. Ninguém estava armado. As pessoas fugiram para todas as direcções. Eles mataram várias dezenas de pessoas,” um comerciante local que utilizou o pseudónimo Ahmed disse ao jornal britânico, The Telegraph. “O meu irmão mais velho foi encontrado em frente da sua loja. Foram pessoas brancas, russas, que prenderam o meu irmão.”

Os especialistas estimam que a Rússia conta com cerca de 1.000 mercenários no Mali. Eles são enviados para pelo menos 15 bases e instalações militares, incluindo bases entregues pelas forças francesas para as tropas malianas, de acordo com uma reportagem do The New York Times, de 31 de Maio.

O Grupo Wagner já realizou operações militares na República Centro-Africana, Líbia, Madagáscar, Moçambique e Sudão. Acusações de massacre contra civis, violações de direitos humanos e outras atrocidades seguiram-se em quase todos os casos.

O envio de mercenários para países instáveis é um método bem conhecido que a Rússia utiliza para levar a cabo os seus objectivos políticos estrangeiros e ganhar acesso a recursos naturais enquanto recusa qualquer ligação com as empresas militares privadas.

Daniel Eizenga, assistente de pesquisa no Centro de Estudos Estratégicos de África, disse que o Grupo Wagner é obscuro e nebuloso desde a sua concepção.

“É um conglomerado de grupos diferentes de logística e de mercenários sombrios, todos eles com esta famosa designação de Grupo Wagner,” disse numa entrevista à Turkish Radio and Television Corporation, no dia 28 de Abril.

“Não é provável que venhamos alguma vez a ter qualquer tipo de confirmação oficial das suas actividades, embora se esteja cada vez mais e mais a ser documentado que existem mercenários russos no Mali, que se envolvem no conflito, lutando lado a lado com os soldados malianos.”

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