Aliança Rebelde Deixa Etiópia à Beira da Guerra Civil

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EQUIPA DA ADF

O conflito militar da Etiópia com o seu Estado regional de Tigré tem estado a expandir-se para além da província montanhosa do norte durante meses.

Mais recentemente, o número de grupos que se opõem ao governo federal também aumentou.

A Frente de Libertação do Povo de Tigré (TPLF) esteve no centro da luta desde que o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, ordenou uma ofensiva contra Tigré há um ano.

Agora a TPLF não está sozinha.

Em Julho de 2021, enquanto as suas forças avançavam para os Estados vizinhos, a TPLF conseguiu uma aliança militar com uma facção separatista do seu antigo rival étnico do maior e mais populoso Estado da Etiópia, Oromia.

O líder do Exército de Libertação de Oromo (OLA, sigla inglesa), Kumsa Diriba, revelou o pacto e disse que os dois grupos partilharam informação militar e estiveram a considerar a hipótese de combater juntos.

“Está em curso,” disse ao The Associated Press, em Agosto. “Concordamos num nível de entendimento para cooperar contra o mesmo inimigo, principalmente em matérias de cooperação militar.

A única solução agora é a deposição deste governo de forma militar, falando a língua que eles desejam que lhes seja falada.”

O OLA, um grupo dissidente do partido político da Frente de Libertação de Oromo, esteve em conflito armado com o governo desde 1974.

Em Agosto, Diriba sugeriu uma “grande coligação” contra Abiy.

Três meses depois, um número de sete grupos contrários ao governo indicava ter-se juntado à TPLF e ao OLA para formar uma aliança com o intento de remover Abiy. Os grupos variam amplamente em tamanho e força.

Chamando a si próprios de Frente Unida de Forças Federalistas e Confederalistas da Etiópia, um porta-voz do novo grupo disse, no evento da assinatura do dia 5 de Novembro, em Washington D.C., que considera o governo de Abiy ilegítimo e busca uma transição para a democracia.

“Não existe um limite para nós,” Berhane Gebrechristos, um oficial tigrenho e antigo ministro dos negócios estrangeiros disse à imprensa. “Definitivamente, teremos mudança na Etiópia antes que ela imploda.”

A TPLF e o OLA, que o governo designou de grupos terroristas, em Maio, são bem conhecidos, mas os outros sete membros da aliança não são. O novo grupo é considerado uma coligação ampla de actores políticos e grupos armados que representam interesses étnicos e regionais diferentes.

Os outros grupos são a Frente Unida Democrática Revolucionária de Afar, o Movimento Democrático de Agaw, o Movimento de Libertação Popular de Benishangul, o Exército de Libertação Popular de Gambella, o Movimento de Direito e Justiça Popular Global de Kimant/Partido Democrático de Kimant, a Frente de Libertação Nacional de Sidama e a Resistência do Estado Somali.

“Reconhecemos a necessidade urgente de colaborar, unir as nossas forças para uma transição segura no país,” Adamassu Tsegaya, membro do Movimento Democrático de Agaw, disse à imprensa aquando da assinatura.

O Procurador-Geral da Etiópia, General Gedion Timothewos, desvalorizou a coligação como sendo uma manobra publicitária, afirmando que alguns dos grupos envolvidos “não são realmente organizações que possuam alguma tracção.”

A Al Jazeera noticiou que os especialistas em assuntos etíopes não tinham ouvido falar de alguns dos grupos.

No dia 2 de Novembro de 2021, dois dias antes do primeiro aniversário de hostilidades em Tigré, Timothewos declarou um estado de emergência nacional, com duração de seis meses, numa altura em que as forças da TPLF e do OLA afirmavam ter avançado 345 quilómetros para dentro de Adis Abeba.

O governo emitiu um apelo às armas aos 5 milhões de residentes da capital.

“Todos os residentes devem estar organizados em blocos e em bairros para proteger a paz e a segurança nas suas zonas de residência, em coordenação com as forças de segurança, que estarão a coordenar as actividades com a polícia comunitária e os agentes da lei,” anunciou Kenea Yedeta, chefe do Gabinete de Administração de Paz e Segurança da cidade.

O porta-voz da TPLF, Getachew Reda, afirmou que a ofensiva era necessária por motivos humanitários.

“Temos de certificar que o cerco sobre Tigré seja quebrado,” disse à Al Jazeera. “Temos de certificar que os nossos filhos não estejam a morrer de fome.

“Se marchar para Adis for o que é necessário para quebrar o cerco, marcharemos.”

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