Espera-se que a recente entrega de 48 veículos blindados ao Exército tunisino ajude as forças armadas do país a conduzir operações de segurança, exercícios conjuntos e combinados e missões de resposta rápida em toda a região.
Um responsável apresentou os veículos de rodas multifuncionais de alta mobilidade (Humvees) durante uma cerimónia realizada a 4 de Junho na base militar de El Aouina, em Tunis, a capital. Os Humvees, muitas vezes, são utilizados para transportar tropas, realizar evacuações médicas e efectuar patrulhas de combate, sendo conhecidos pela sua fiabilidade em ambientes extremamente adversos. Espera-se que ajudem a combater o contrabando e as actividades militantes ao longo das fronteiras com a Argélia e a Líbia.
“Estes veículos irão reforçar as capacidades operacionais do exército nacional e apoiar a sua prontidão, sobretudo no domínio da protecção das fronteiras terrestres, do combate ao terrorismo e ao contrabando e do combate a todas as actividades ilegais,” o Ministério da Defesa da Tunísia disse num comunicado. “Este acordo insere-se nos esforços da Tunísia e dos Estados Unidos para reforçar a cooperação militar entre ambos os países, aproximar as visões sobre várias questões de segurança e assumir um compromisso comum de apoiar esta parceria estratégica no interesse de ambas as partes.”
Fabricado nos EUA pela AM General, o amplamente utilizado Humvee pode atingir 113 quilómetros por hora em estradas pavimentadas e percorrer cerca de 400 quilómetros com um depósito de gasóleo, de acordo com a revista Military Africa. Possui mais de 38 centímetros de distância ao solo e, muitas vezes, é utilizado em áreas desérticas como as que caracterizam a longa fronteira ocidental da Tunísia com a Argélia e a fronteira sudeste com a Líbia.
Os Humvees são fabricados em várias configurações de carroçaria, incluindo ambulâncias e veículos de transporte de carga e armamento. Algumas versões blindadas podem equipar-se com metralhadoras e lançadores de granadas, bem como operar um sistema de mísseis antitanque. Os veículos cabem no interior de aviões de carga C-130 e podem ser lançados de pára-quedas, o que facilita a mobilização rápida.
Os EUA entregaram o seu primeiro lote de 52 Humvees à Tunísia em 2015 e realizaram outras entregas recentes de equipamento militar ao país. Em Dezembro de 2025, a Tunísia recebeu dos EUA equipamento de combate ao terrorismo no valor de 1,4 milhões de dólares. Ainda no ano passado, a Tunísia recebeu duas embarcações de patrulha da classe Island, com 34 metros, que ajudam as forças a proteger os 1.148 quilómetros de costa do país, confrontadas com ameaças de contrabando, crime organizado e terrorismo.
Também foi noticiado em 2025 que a Tunísia estava prestes a comprar um número não revelado de barcos patrulha Archangel de 20 metros dos EUA, a um custo total estimado de 110 milhões de dólares. A aquisição incluirá sistemas de GPS, de navegação e de comunicações, bem como formação. Em Janeiro, os EUA entregaram ao país um avião de transporte C-130 Hercules, a quarta entrega deste tipo desde 2021.
“A cooperação em matéria de segurança é uma pedra angular das relações diplomáticas de 229 anos entre os EUA e a Tunísia, e a transferência de hoje de 48 veículos blindados HMMWV para o Exército tunisino exemplifica a força da nossa parceria,” afirmou o embaixador dos EUA, Bill Bazzi. “O reforço da capacidade blindada da Tunísia amplia a nossa capacidade conjunta de apoiar a estabilidade regional, os esforços de segurança cooperativa e a assistência humanitária.”
Embora a Tunísia sofra relativamente poucos ataques terroristas de grande envergadura, o grupo Estado Islâmico (EI) reivindicou, em Fevereiro, ter utilizado explosivos para matar quatro soldados tunisinos e um pastor perto de Jebel Meghila, na região central do país. Mohamed Zekri, porta-voz do Ministério da Defesa da Tunísia, disse que os soldados foram mortos “durante uma operação de varredura nas alturas das montanhas de Mughayla para localizar elementos terroristas, após a explosão de uma mina terrestre fabricada à medida, tendo sido martirizados,” segundo noticiou o site de notícias britânico Arabi21.
Em Maio de 2023, um atirador matou dois fiéis e três agentes de segurança na ilha de Djerba, na sinagoga mais antiga do país.
Este ano, as forças armadas tunisinas impediram um ataque terrorista perto de uma feira semanal e mataram Seddik El Abidi, líder do batalhão Jund al-Khilafa, Soldados do Califado, uma ramificação do Estado Islâmico, segundo noticiou a agência de notícias Tuniscope. Quatro semanas depois, as autoridades tunisinas desmantelaram uma célula terrorista composta por quatro membros perto da fronteira com a Argélia. Todos os quatro membros foram mortos, incluindo um homem que detonou um colete suicida após recusar-se a render-se.
No dia 18 de Junho, as autoridades tunisinas anunciaram que a unidade nacional de combate ao terrorismo e ao crime organizado desmantelou duas redes criminosas internacionais envolvidas no tráfico de droga, branqueamento de capitais, extorsão e assassinatos por encomenda. A operação resultou em 25 detenções, na apreensão de quantias significativas de dinheiro, drogas, bem como de inúmeros carros de luxo, motociclos e barcos, segundo noticiou o site de notícias Tunis Tribune.
As autoridades tunisinas informaram que, em 2025, desmantelaram 62 células terroristas e prenderam 2.038 pessoas ligadas ao extremismo. A agência Tunis Afrique Presse informou que as autoridades registaram 2.058 actos relacionados com o terrorismo no ano passado.
