Um ataque a um posto militar avançado em Kofouno, no Benin, no início de Março, foi a mais recente demonstração de que os terroristas do Jama’at Nusrat al Islam wal Muslimin (JNIM) pretendem expandir o seu alcance para a África Ocidental costeira a partir da sua base no Sahel.
O ataque no departamento de Alibori, no nordeste do Benin, matou 15 soldados e feriu outros cinco. Seguiu-se a um ataque de maior dimensão do JNIM a postos militares em Wara e Bessassi em 2025, que causou dezenas de mortos.
Tal como outros locais de ataques do JNIM no Benin, Kofouno situa-se perto do complexo de parques W-Arly-Pendjari, partilhado por Benin, Níger e Togo, que se tornou um refúgio para o JNIM e outros grupos terroristas.
O JNIM assumiu o controlo de grandes porções do sudeste do Burquina Faso e do sudoeste do Níger e começou a expandir-se para as regiões setentrionais do Benin e do Togo, bem como para o noroeste da Nigéria.
Essa expansão teve início no Benin em 2021. O número de ataques no norte do Benin aumentou de 22 em 2021 para 176 em 2024, e o número de mortos duplicou de 52 para 131 entre 2022 e 2024, de acordo com o grupo de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos.
Os analistas afirmam que os esforços para travar o JNIM estão a vacilar devido às relações tensas entre os países costeiros e os seus vizinhos do Sahel. As juntas que derrubaram os governos eleitos no Burquina Faso, Mali e Níger retiraram-se da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) em Janeiro de 2025, prejudicando a capacidade da região de partilhar informações de inteligência sobre grupos terroristas.
“O avanço dos militantes para além do Sahel, particularmente para o norte do Benin e do Togo, tornou-se uma grande preocupação de segurança para estes Estados,” os analistas do grupo de reflexão International Crisis Group escreveram num relatório. “No entanto, para o JNIM, a expansão representa um dilema.”
Mas o grupo terrorista também pode estar a estender demasiadamente o seu alcance. Ao expandir-se, o JNIM está a dispersar-se e a expor-se a ataques do seu rival regional, o Estado Islâmico na Província do Sahel (ISSP). Os dois grupos estabeleceram o seu domínio em territórios de Burquina Faso, Mali e Níger. Na região de Liptako-Gourma, onde estes três países se encontram, o JNIM e o ISSP competem por território e receitas provenientes de tributação ilegal, roubo de gado e contrabando de recursos.
Ataques de grande visibilidade têm ajudado o JNIM a recrutar novos membros. No entanto, o número de membros dos grupos continua a ser de apenas alguns milhares — o suficiente para aterrorizar comunidades rurais, mas não o suficiente para controlar uma cidade ou província, segundo especialistas.
“A expansão não é a principal prioridade do grupo, cujos líderes receiam que avançar demasiado depressa possa fragmentar as fileiras do movimento,” escreveram os analistas do International Crisis Group. “Até agora, os líderes do JNIM têm considerado os países costeiros como secundários em relação ao seu domínio no Sahel.”
Apesar disso, os combatentes de base do JNIM estão ansiosos por expandir-se, tornando-os uma ameaça para os países costeiros, segundo o International Crisis Group.
As diferentes atitudes entre a liderança do JNIM e as suas fileiras estão a criar tensão dentro da organização. Os líderes querem manter a tomada de decisões estratégicas centralizada e os combatentes no terreno querem operar com autonomia.
“Embora a organização tenha, até agora, preservado a sua unidade, as decisões relacionadas com a conquista de novos territórios estão entre as que mais severamente testam a sua coesão,” escreveu o Crisis Group. “Estes interesses divergentes podem explicar por que razão as incursões do JNIM na costa da África Ocidental têm sido menos agressivas do que os observadores temiam no final da década de 2010.”
Nos locais onde o JNIM se estabeleceu, os seus combatentes exercem controlo sobre as populações locais, ameaçando-as para que não cooperem com as forças de segurança do governo. Também orientam a economia local para as suas necessidades específicas através do contrabando e do comércio ilícito de combustível e outros suprimentos.
A expansão do JNIM não é inevitável, mas combatê-la exigirá um investimento mais substancial na segurança local e na cooperação transfronteiriça, escreveram os analistas do Crisis Group.
“Para manter os militantes afastados, cada Estado deve identificar os factores que o tornam vulnerável e desenvolver a sua própria estratégia, contribuindo simultaneamente para a montagem de uma resposta regional, sem a qual nenhuma solução duradoura é possível,” acrescentaram.
