No Parque Nacional de Okomu, no Estado de Edo, no sudoeste da Nigéria, as autoridades encontraram uma nova abordagem para proteger a floresta da exploração madeireira ilegal e dos caçadores furtivos de animais selvagens: estão a contratar antigos madeireiros e caçadores furtivos para patrulhar o parque.
A Africa Nature Investors (ANI), uma organização não-governamental nigeriana, assumiu a gestão de Okomu em 2022. Desde então, os seus guardas-florestais prenderam mais de 200 madeireiros ilegais e caçadores furtivos.
“Vamos reduzir a caça e a exploração madeireira ilegais ao mínimo possível,” Peter Abanyam, director do parque da ANI, disse à Agence France-Presse (AFP).
Segundo algumas estimativas, a Nigéria perdeu 96% das suas florestas originais. A exploração madeireira ilegal de madeiras valiosas tropicais está ligada a sindicatos criminosos transnacionais, que podem ganhar milhões de dólares por mês transportando toros cortados ilegalmente das florestas africanas para as fábricas de mobiliário distantes, muitas delas na China.
O tráfico de toros ilícitos alimenta a corrupção entre funcionários governamentais e desestabiliza as comunidades quando a perda da cobertura florestal leva a inundações e outros problemas ambientais.
Muitos grupos criminosos envolvidos na exploração madeireira ilegal também ajudam organizações terroristas na Nigéria e noutros locais a financiar operações em toda a África — seja directamente, actuando como intermediários, ou indirectamente, vendendo protecção às operações de exploração madeireira.
Para as comunidades que enfrentam dificuldades económicas, no entanto, a floresta representa uma fonte fácil de dinheiro rápido.
“Íamos para a floresta, cortávamos troncos e levávamo-los para Lagos apenas para ter dinheiro,” James Leleghale Bekewei, um antigo madeireiro que agora comanda os guardas-florestais da ANI, disse à AFP.
A sua vida como guarda-florestal, no entanto, é mais segura e mais lucrativa.
“Ganho mais dinheiro como guarda-florestal,” disse Bekewei.
Antes de a ANI começar a gerir Okomu, era comum ver camiões madeireiros alinhados ao longo das estradas de acesso ao parque. Segundo Abanyam, chegavam a sair da reserva de 24.000 hectares cerca de 50 camiões cheios de madeira ilegal todos os dias.
As comunidades em torno de Okomu relatam que a exploração madeireira ilegal continua no parque, mas agora os guardas-florestais da ANI estão no local para os interceptar. Em 2025, os guardas-florestais interceptaram dois camiões que saíam do parque com madeira ilegal e confiscaram a sua carga.
Pelo menos um grupo comunitário, os Filhos e Filhas Preocupados das Comunidades Ribeirinhas do Estado de Edo, apelou às autoridades para que investiguem a exploração madeireira ilegal em Okomu.
O objectivo da ANI, segundo o co-fundador Tunde Morakinyo, é ajudar as pessoas que vivem perto de Okomu e de outros parques nigerianos a desenvolver uma estratégia de longo prazo para ganhar a vida sem destruir a floresta no processo.
“As pessoas são levadas à exploração madeireira e à caça furtiva pela pobreza,” Morakinyo disse à AFP. “Se lhes tirarmos estes meios de subsistência, temos de os substituir por meios de subsistência alternativos.”
Até agora, a ANI contratou 30 guardas-florestais de um total de 300 candidatos. Os candidatos a guardas-florestais são submetidos a testes para avaliar a sua resistência física e integridade moral. Também recebem formação sobre direitos humanos e ambientais e manuseamento de armas.
A ANI também concede às comunidades microcréditos sem juros para ajudar a estabelecer actividades lucrativas, como uma moagem de farinha de mandioca que uma comunidade da área de Okomu construiu para apoiar os seus residentes.
Morakinyo disse à EnviroNews Nigeria que, quando as comunidades prosperarem graças à sua relação com Okomu e outros parques, isso irá persuadi-las a defender as florestas.
“A nossa ambição é ter um parque que esteja realmente bem protegido, rodeado por um anel de comunidades economicamente prósperas, que trabalhem activamente connosco para proteger o parque,” afirmou.
