No dia 30 de Setembro, o Governo dos Estados Unidos entregou à Tunísia equipamento de combate ao terrorismo avaliado em cerca de 1 milhão de dólares, com o objectivo de ajudar a formar e certificar agentes das forças de segurança em matéria de resposta a situações de crise e competências especializadas de segurança.
A Embaixada dos EUA na Tunísia não forneceu detalhes sobre o equipamento, mas a transferência faz parte de um programa de assistência de combate ao terrorismo que proporciona formação e subvenções para equipamento às forças de segurança, ajuda os parceiros a enfrentar os desafios de segurança e dissuade operações terroristas. A entrega ocorreu num contexto de reforço do apoio militar e logístico dos EUA à Tunísia. Os EUA realizaram uma entrega semelhante de equipamento de combate ao terrorismo, no valor de 1,4 milhões de dólares, em Janeiro.
No mesmo mês, a Tunísia recebeu também um avião de transporte militar C-130 dos EUA. Em Junho, o governo dos EUA enviou à Tunísia 48 veículos blindados, ou Humvees, que transportam tropas, realizam evacuações médicas e patrulhas de combate, e são conhecidos pela sua fiabilidade em ambientes extremamente adversos. Espera-se que ajudem a combater o contrabando e as actividades militantes ao longo das fronteiras com a Argélia e a Líbia.
Em Junho, os EUA forneceram à Tunísia um sistema avançado de detecção de radiação para ser utilizado no porto de Radès, o maior porto do país.
A Tunísia não sofre um ataque terrorista de grande dimensão desde Maio de 2023, quando um atirador matou dois fiéis e três agentes de segurança na ilha de Djerba, na sinagoga mais antiga do país. No entanto, a ameaça terrorista persiste.
No dia 3 de Janeiro, as forças tunisinas impediram um ataque perto de um mercado semanal, matando o líder do grupo, Seddik El Abidi. Era natural da Tunísia e membro do batalhão Jund al-Khilafa, ou Soldados do Califado, um ramo do grupo Estado Islâmico (EI), segundo noticiou a agência de notícias Tuniscope. As autoridades detiveram um cúmplice e, posteriormente, prenderam 10 pessoas ligadas ao complô.
Quatro semanas depois, as autoridades desmantelaram uma célula terrorista de quatro membros perto da fronteira entre a Tunísia e a Argélia. Todos os quatro membros foram mortos, incluindo um homem que detonou um colete suicida após se recusar a render-se. A Tunísia enfrenta também problemas de insegurança nas fronteiras do lado líbio.
As fronteiras representam riscos como o contrabando de armas, insurgências de baixa intensidade e a infiltração de militantes nas zonas montanhosas do oeste. Grupos ligados à al-Qaeda e ao Estado Islâmico têm uma presença mínima na Tunísia, mas as autoridades continuam a enfrentar ameaças de indivíduos radicalizados online e têm de monitorizar e tratar o caso de antigos combatentes estrangeiros que se juntaram a grupos extremistas no Iraque, na Líbia e na Síria.
O Ministro da Defesa da Tunísia, Khaled Sehili, manifestou em Julho a sua satisfação com o nível de cooperação militar entre Túnis e Washington, que descreveu como “profundo, diversificado e em constante desenvolvimento.”
Em conversa com o General Dagvin Anderson, comandante do Comando dos Estados Unidos para a África (AFRICOM), Sehili disse que a parceria estratégica bilateral entre os países não se limita ao apoio logístico e técnico às forças armadas, mas inclui também formação, educação e exercícios conjuntos.
Sehili manifestou ainda o “interesse da Tunísia em aprofundar esta colaboração, explorando novas oportunidades na transferência de tecnologias de defesa e alargando a cooperação nos sectores estratégico e de informações,” de acordo com uma reportagem da plataforma online italiana Nova News.
Anderson elogiou a parceria estratégica entre os países e destacou “as competências e as capacidades de treino do exército tunisino demonstradas durante o exercício Leão Africano 26,” informou a Nova News. Leão Africano é o maior exercício conjunto anual do AFRICOM. A Tunísia co-organizou a edição deste ano, em Abril.
Um novo foco de cooperação em matéria de segurança entre a Tunísia e os EUA é o combate ao tráfico de droga e ao crime transnacional. Uma delegação de 14 responsáveis interministeriais tunisinos dos sectores da segurança, educação e saúde está a participar num programa de intercâmbio nos EUA.
O grupo deslocar-se-á a Boston, Massachusetts; Detroit, Michigan; Helena, Montana; e Washington, D.C., para comparar experiências e metodologias. Haverá um enfoque na cooperação entre as forças de segurança, as autoridades judiciais, os serviços de prevenção e os centros de reabilitação.
Em Detroit, o programa incluirá estudos sobre a coordenação entre os vários níveis das forças de segurança; investigações conjuntas sobre o tráfico de droga na fronteira entre os EUA e o Canadá; e parcerias para investigar, prevenir e combater a toxicodependência, segundo noticiou a Nova News. A Tunísia efectuou várias apreensões significativas de ecstasy e haxixe nos últimos anos.
