O pessoal dos serviços de informação da Força de Defesa do Botswana (BDF) analisou o relatório de ameaças assim que este chegou, a 12 de Agosto: drones não identificados estavam a operar perto de infra-estruturas críticas.
Felizmente, tratava-se de uma simulação.
O treino fazia parte do Southern Accord, um exercício conjunto realizado bienalmente pela BDF e pelas forças armadas dos Estados Unidos. O evento, com a duração de seis dias, teve como objectivo reforçar a segurança no Botswana e na África Austral, através de uma melhor cooperação e interoperabilidade.
A edição deste ano centrou-se no combate ao terrorismo, na contra-insurgência, na consciência dos domínios espacial e cibernético, no planeamento da resposta a crises e na coordenação de todo o governo. Decorreu de 10 a 15 de Agosto, com uma cerimónia de abertura no Gaborone Technical College, onde o Major-General Molefi Seikano, da Força de Defesa do Botswana (BDF), afirmou que o panorama de segurança imprevisível e frequentemente assimétrico exige respostas sincronizadas e parcerias profundamente enraizadas.
“Nenhuma nação, por mais poderosa que seja, pode lidar com estas realidades de segurança de forma isolada,” afirmou. “Os desafios do nosso tempo exigem respostas sincronizadas e parcerias dinâmicas.”
O Comando dos EUA para África tem vindo a realizar o exercício Southern Accord na África Austral desde 2010. Realizado pela primeira vez no Botswana em 2012, este exercício proporciona uma plataforma para os participantes partilharem conhecimentos especializados, testarem a prontidão operacional e reforçarem a coordenação durante situações complexas de segurança. O Botswana e a Guarda Nacional da Carolina do Norte têm colaborado no âmbito do Programa de Parceria Estadual desde 2008.
“A nossa parceria com o Exército dos Estados Unidos, especificamente através da África Central, proporciona aos nossos homólogos americanos uma visão única sobre as realidades operacionais, os contextos culturais e as inovações técnicas na região,” afirmou Seikano.
No dia 11 de Agosto, o pessoal de segurança cibernética partilhou as melhores práticas, integrou novas técnicas e realizou avaliações e testes de penetração para identificar vulnerabilidades e replicar tácticas que os adversários poderiam utilizar para aceder a uma rede.
J.R. Nabalo, um técnico de resposta a incidentes da Equipa de Resposta a Incidentes Informáticos do Botswana, afirmou que valorizou a oportunidade de reforçar e expandir os seus conhecimentos.
“Aprendi e irei incorporar uma técnica que me ensinaram para consolidar informações de diferentes fontes num único painel de controlo, a fim de ajudar a optimizar o meu trabalho,” afirmou.
O pessoal dos serviços de informações do Botswana e dos EUA pôs à prova as suas capacidades com uma série de simulações de ameaças, concebidas para reforçar as suas competências analíticas, a partilha de informações e a tomada de decisões. O Major Kegomoditswe Moeng, instrutor de logística da BDF, trabalhou na avaliação de potenciais ameaças e do seu impacto nas operações em tempo real.
“Estava ansioso por aprender muito sobre informações, especialmente em exercícios e operações conjuntas,” disse no dia 12 de Agosto. “Aprendi muito com este exercício e agora compreendo melhor a importância das informações.”
Outro ponto alto foi uma sessão informativa, a 10 de Agosto, sobre inteligência, vigilância e reconhecimento fundamentais baseados no espaço, ministrada pelo Tenente-Coronel Devin Zufelt, da Força Espacial dos EUA. No dia 13 de Agosto, oficiais militares de Eswatini, da África do Sul e do Zimbabwe visitaram o Southern Accord 26 para observar o exercício de planeamento conjunto do Estado-Maior em Gaborone.
O Botswana e os EUA mantêm laços de defesa sólidos, como evidenciado pelo recente anúncio de que a BDF vai receber dois aviões de transporte C-130H Hercules dos EUA, cada um estimado em 12 milhões de dólares. Os EUA também doaram um C-130H à Ala Aérea da BDF em Junho de 2024.
“Estas aeronaves demonstram a forte parceria entre os Estados Unidos e o Botswana e o nosso compromisso comum de promover a paz e a segurança em toda a África,” a Embaixada dos EUA no Botswana disse no dia 5 de Agosto.
O Coronel Anthony Sullins, da Força Aérea dos EUA, director-adjunto do exercício, elogiou o trabalho árduo e a colaboração demonstrados ao longo do Southern Accord 26.
“O rigor deste exercício desafiou os participantes a aprenderem novos conceitos em matéria de defesa cibernética e operações espaciais,” disse na cerimónia de encerramento.
O Major-General Simon Motswana Barwabatsile, da BDF, referiu que as conquistas do Southern Accord 26 eram uma prova da estreita relação que une ambos os países.
“O dia de hoje marca a conclusão bem-sucedida de um exercício que demonstrou o nosso compromisso colectivo com a segurança nacional, o profissionalismo militar, a cooperação e a parceria,” afirmou. “Nos últimos dias, testemunhámos não só o reforço das capacidades operacionais, mas também a construção de relações baseadas na confiança e num objectivo comum.”
