Membros do Grupo de Operações Especiais Marítimas da Tunísia desceram de rapel de um helicóptero tunisino UH-60M Black Hawk para uma grande embarcação no Mar Mediterrâneo. Juntamente com membros do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, desceram então uma escada até ao convés, onde procuraram contrabando, abriram uma escotilha e apontaram as suas armas para o interior.
As forças participavam numa operação de visita, abordagem, busca e apreensão durante o Exercício Phoenix 2026, um evento de 12 dias. Esta iniciativa promoveu a colaboração internacional para combater o tráfico de seres humanos, a pesca ilegal, a pirataria e o contrabando de combustível na região. A Tunísia acolheu o treino, patrocinado pelo Comando dos Estados Unidos para a África e liderado pelas Forças Navais dos EUA em África. O treino terminou a 18 de Setembro.
“A Tunísia orgulha-se de ter acolhido o Phoenix Express e de ter dado as boas-vindas aos nossos parceiros de toda a região e de além-fronteiras,” o Comodoro Rejeb Gara Ali, da Marinha Nacional da Tunísia, disse num comunicado. “Reunir as nossas forças aqui cria uma oportunidade para trocar conhecimentos especializados, realizar formação avançada e reforçar a cooperação que contribui para um ambiente marítimo mais seguro e protegido.”
Catorze países com interesses marítimos no Mar Mediterrâneo participaram no exercício. As actividades da 21.ª edição incluíram exercícios conjuntos de busca e salvamento, simulações de abordagem a navios e demonstrações reais destinadas a melhorar a coordenação táctica. Outros países participantes incluíram a Argélia, a Bélgica, o Egipto, a França, a Geórgia, a Itália, a Líbia, a Mauritânia, o Marrocos, a Turquia, a Arábia Saudita e a Espanha.
O exercício incluiu fases em terra e no mar, nas quais os centros regionais de operações marítimas trocaram dados em tempo real para orientar os esforços operacionais. A 6.ª Frota dos EUA também colaborou com os países participantes para integrar sistemas avançados e ferramentas de localização concebidos para detectar e dissuadir operações criminosas nas zonas económicas exclusivas africanas. Os exercícios nos portos e em terra incorporaram a utilização do Centro Multinacional de Comunicações da Tunísia para melhorar as comunicações entre as forças. Esta fase incluiu também intercâmbios de informações e workshops académicos e jurídicos.
“Uma verdadeira parceria não se define pelo tamanho das nossas respectivas frotas ou pelas nossas contribuições, mas pela nossa vontade de alinhar os nossos esforços, partilhar as nossas responsabilidades e trabalhar como uma equipa unida,” afirmou o Vice-Almirante J.T. Anderson, comandante da 6.ª Frota dos EUA e das Forças Navais de Ataque e Apoio da NATO. “Ao longo das últimas duas semanas, as nossas tripulações provaram que estamos unidos por interesses e responsabilidades comuns, mantendo um Mediterrâneo seguro, protegido, estável e aberto.”
A área é alvo de embarcações que pescam ilegalmente ou utilizam métodos proibidos. Na Tunísia, algumas dessas embarcações utilizam a pesca de arrasto de fundo, que envolve arrastar enormes redes pelo fundo do oceano, recolhendo indiscriminadamente a vida marinha. Isso mata peixes juvenis, dizima as unidades populacionais de peixes e destrói os ecossistemas. A Tunísia perde cerca de 65 milhões de dólares anualmente devido à destruição dos leitos de ervas marinhas que ajudam a sustentar a vida marinha.
Embora a pirataria nas águas entre a Tunísia e a Itália não seja tão comum como ao largo da costa da Somália, a zona é ocasionalmente alvo de ataques.
Em Agosto de 2024, as autoridades tunisinas detiveram quatro tunisinos, incluindo um pescador, por suspeita de pirataria. Os suspeitos interceptaram uma embarcação com destino a Itália, roubaram-lhe o motor e roubaram dinheiro aos passageiros. Este foi um dos vários incidentes deste tipo registados nesse ano, mas nenhum outro foi registado desde então. A colaboração internacional contra este flagelo é considerada um meio de dissuasão eficaz, segundo os analistas.
