Nos últimos três anos, grupos insurgentes de toda a África têm utilizado cada vez mais drones armados contra as forças de segurança, levando as forças armadas a correrem contra o tempo para desenvolver métodos para os combater.
Só em 2025, os analistas registaram quase 60 incidentes de ataques com sistemas aéreos não tripulados (SANT), quase o triplo do número do ano anterior. Mais de metade desses ataques foram levados a cabo pelo Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), sediado no Mali, e pela Frente de Libertação do Azawad (FLA).
O Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP) utilizou drones armados nesse mesmo ano contra as forças de segurança nos Camarões e na Nigéria. Na Somália, tanto o al-Shabaab como o Estado Islâmico na Somália estão a colaborar com os rebeldes Houthis do outro lado do Mar Vermelho, no Iémen, para desenvolver a sua própria capacidade em matéria de drones, embora esta continue a ser, em grande parte, orientada para o reconhecimento.
Em Janeiro, o Estado Islâmico na Província do Sahel (ISSP) utilizou quase uma dezena de drones armados contra as tropas nigerinas quando atacou o aeroporto internacional de Niamey. O JNIM e a FLA utilizaram drones armados em conjunto com combatentes terrestres durante o seu assalto coordenado contra postos militares avançados, aeroportos e locais estratégicos em todo o Mali.
Nos últimos cinco anos, os grupos insurgentes passaram rapidamente da utilização de drones comerciais prontos a usar (COTS) para reconhecimento e identificação de alvos para a sua utilização em ataques do tipo kamikaze. O Burquina Faso, o Mali e o Níger têm sido os mais afectados por essa transição, juntamente com o norte da Nigéria, de acordo com uma análise da Military Africa.
Os ataques com drones armados representam 41% das utilizações de drones, enquanto a recolha de informações representa cerca de 22%. O restante combina ambas as utilizações.
“A militarização de drones civis representa uma mudança nas tácticas assimétricas, à medida que os grupos armados contornam a superioridade militar convencional das forças armadas da região,” os investigadores Hassane Koné e Fahiraman Rodrigue Koné escreveram para o Instituto de Estudos Estratégicos (ISS).
As forças armadas envolvidas em conflitos em todo o mundo têm investido em plataformas de drones ofensivas, mas muito poucas adquiriram a capacidade de interceptar drones COTS armados que voam a baixa altitude, de acordo com analistas da Military Africa.
A Nigéria está a desenvolver rapidamente as suas capacidades anti-drones, à medida que tenta combater os ataques do Boko Haram e do ISWAP no nordeste e do JNIM no noroeste. No ano passado, a Força Aérea começou a formar pessoal no Sistema de Radar Anti-UAV 612A, concebido para detectar, seguir e neutralizar drones. A Nigéria também implementou o EDM4S SkyWiper, de fabrico lituano, um dispositivo de interferência portátil concebido para interromper a ligação de rádio entre os drones e os seus operadores.
As forças armadas nigerianas estão a colaborar com a Terra Industries, sediada em Abuja, para desenvolver tecnologia de drones de fabrico nacional que possa ser utilizada contra grupos terroristas.
A África do Sul encontra-se nas fases iniciais do desenvolvimento de um sistema de combate a SANT baseado na IA que combina armas electrónicas e cinéticas para neutralizar ameaças baseadas em drones.
As fronteiras porosas e os controlos fracos sobre a importação de drones de uso comercial facilitam a aquisição desta tecnologia por parte de grupos terroristas. As instruções disponíveis online têm-nos ajudado a transformar esses drones em munições aéreas guiadas, capazes de contornar defesas físicas, tais como muros e fossos, em torno de postos militares avançados e comunidades civis.
“Esta ameaça emergente merece uma atenção séria por parte dos governos do Sahel,” escreveram os dois investigadores do ISS. “Embora sejam caros, os sistemas anti-drones são necessários para proteger infra-estruturas críticas e civis.”
Se as forças armadas não investirem em sistemas defensivos, assistirão a um aumento contínuo dos ataques com drones por parte do JNIM, do ISWAP e de outros grupos terroristas, afirmam os analistas.
“A trajectória é inequívoca. Os incidentes com drones perpetrados por actores não estatais em África estão a duplicar ou a triplicar de ano para ano,” relatou a Military Africa. “Cada mês sem uma resposta sistemática de C-SANTé um mês em que o programa de drones do inimigo se torna mais sofisticado, enquanto a doutrina defensiva africana permanece estagnada.”
