Países do Golfo da Guiné Unem Forças para Proteger o Domínio Marítimo

EQUIPA DA ADF
 
Os proprietários de navios que operam no Golfo da Guiné receberam

um alerta de pirataria no final de Junho, depois de um navio graneleiro suíço ter sido abordado e alguns dos seus tripulantes feridos durante um ataque pirata ao largo de Conacri, na Guiné.

Quatro criminosos armados entraram a bordo do navio e roubaram dinheiro de um cofre antes de fugirem, de acordo com a TradeWinds, uma fonte de notícias sobre navegação.

Tratou-se de um dos mais recentes incidentes de pirataria registados na África Ocidental após anos de declínio dos ataques, incluindo 81 em 2020, 34 em 2021 e apenas três no ano passado.

Para fazer face à pirataria, à pesca ilegal e a outros crimes marítimos, o Benim, a Nigéria e o Togo realizaram, em meados de Setembro, uma operação de segurança marítima de cinco dias, designada por “Operação Domínio Seguro II.”

“Estes desafios de segurança prejudicam o desenvolvimento económico da zona, ao mesmo tempo que põem em perigo a subsistência das comunidades costeiras locais e dos navegadores em geral,” afirmou o Director do Centro de Coordenação Marítima Multinacional da Zona E, Comodoro Aniedi Ibok, da Marinha da Nigéria, numa reportagem do newsdiaryonline.com da Nigéria. “Por conseguinte, a operação ajudará a derrotar o adversário, qualquer que seja a sua forma.”

Lançada a partir da base naval do porto de Cotonou, no Benim, a operação contou com a participação de barcos de patrulha do Benim e do Togo e de um avião nigeriano. Os países são membros da Zona Marítima E, que faz parte da Arquitectura de Yaoundé para a Protecção e Segurança Marítima.

 

O Chefe do Estado-Maior da Marinha

Nigeriana, o Vice-Almirante Emmanuel Ogalla, afirmou que a operação reforçou a coesão das marinhas e os laços diplomáticos dos países.

“Além disso, a operação tornará o ambiente seguro, protegido e livre de problemas para que as actividades económicas possam prosperar nas zonas marítimas da Zona E,” disse Ogalla ao jornal nigeriano Peoples Gazette. “Isto irá impulsionar as actividades económicas, melhorar a economia e proporcionar emprego, entre outros benefícios, aos países-membros da zona.”

O Chefe do Estado-Maior da Defesa do Benim, Brigadeiro-General Fructueux Gbaguidi, agradeceu a cooperação dos quatro países.

“Isto permitiu-nos realizar os objectivos de proteger as nossas águas e controlar as actividades dos piratas e do crime marítimo no nosso domínio marítimo,” afirmou Gbaguidi numa reportagem do newsdiaryonline.com.

A África Ocidental também perde cerca de 9,4 bilhões de dólares por ano devido à pesca ilegal, praticada principalmente pela China, que possui a maior frota de pesca em águas longínquas do mundo e o pior registo de pesca ilegal do mundo, de acordo com o Índice de Pesca INN. O índice monitoriza a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada.

Os arrastões de fundo chineses capturam cerca de 2,35 milhões de toneladas de peixe por ano na região, o que representa 50% do total das capturas em águas longínquas da China e vale cerca de 5 bilhões de dólares, informou a Fundação para a Justiça Ambiental.

O Comodoro Richard Shammah, director do Centro Regional de Coordenação da Segurança Marítima da África Ocidental, afirmou que os países estão cada vez mais conscientes do valor económico das suas águas e que, para que a economia azul de um país prospere, o seu domínio marítimo deve ser seguro.

“Esta operação é necessária para que possamos ter uma linha marítima de comunicação e comércio e nenhum país o pode fazer sozinho, daí o esforço de colaboração,” disse Shammah durante a operação. “Rezo para que as metas e os objectivos desta colaboração sejam alcançados, porque isso também tenderá a desenvolver a capacidade das nossas marinhas.”

A Pew Charitable Trusts destacou a importância da colaboração e da cooperação para eliminar o flagelo num relatório de 2023 intitulado “Para Acabar Com a Pesca Ilegal, os Países Devem Trabalhar em Conjunto.”

O relatório defende que a coordenação regional pode ajudar os países a combater actividades ilegais específicas, como o transbordo, a prática de transferir peixe de um navio de pesca para um navio de carga refrigerado. Também conhecida como “saiko,” esta prática permite aos navios evitar os limites de captura.

“Aumentar a cooperação e a coordenação regional é um passo difícil, mas necessário para ajudar a erradicar a pesca INN, melhorar a saúde dos oceanos e trazer benefícios — incluindo credibilidade internacional — a todos os Estados envolvidos,” escreveram as autoras do relatório, Katherine Hanly e Tahiana Fajardo Vargas.

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