Caçadores De Vírus Esquadrinham Uma Floresta Gabonesa À Procura Da Próxima Ameaça

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AGÊNCIA FRANCE-PRESSE

Seis homens com fatos amarelos para protecção contra substâncias perigosas caminham no calor sufocante em direcção a uma caverna, no centro da floresta gabonesa. A sua missão: descobrir novos conhecimentos sobre como patogénicos como a COVID-19 saltam a barreira das espécies para os seres humanos.

Na caverna está o seu objectivo: uma colónia de morcegos.

“O nosso trabalho é de procurar por patogénicos que podem colocar os seres humanos em perigo e compreender como a transmissão acontece entre as espécies,” disse Gael Maganga, professor da Universidade de Franceville.

Os morcegos podem hospedar vírus que não os causam mal, mas podem ser perigosos para os seres humanos, muitas vezes, transmitindo-se por via de outros animais. A COVID-19 é o mais recente micróbio que se acredita ter usado o caminho zoonótico de animais para humanos.

Maganga chama a equipa para esticar uma rede na entrada da caverna. Um cientista avança focando com a sua lanterna para dentro. Os morcegos saem a voar e são capturados na rede. 

Os membros da equipa utilizam zaragatoas esterilizadas para colher amostras dos morcegos, que depois serão analisadas para verificar a existência de patogénicos emergentes.

“O comportamento humano, muitas vezes, é a causa de um vírus emergente,” disse Maganga. “Actualmente, com a pressão da população, a agricultura intensificada ou a caça, o contacto entre os humanos e os animais é cada vez mais frequente.”

Um relatório de Outubro de 2020, da Plataforma Intergovernamental Científico-Política sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistémicos, refere que existem até 850.000 vírus nos animais. Setenta por cento das doenças emergentes circulam nos animais antes de passarem para os seres humanos e, a cada ano, cerca de cinco novas doenças eclodem entre os humanos, disse.

Maganga também descobriu várias estirpes de coronavírus que circulam entre os morcegos, incluindo alguns que são idênticos à COVID-19.

Apesar do risco óbvio, as pessoas ainda vêm para estes zonas para caçar antílopes, gazelas, macacos e morcegos. 

Em Abril de 2020, o Gabão baniu a venda de morcegos e de pangolins, outras espécies consideradas como sendo potenciais vectores da COVID-19. Mas, para muitos aldeões da região, a pobreza parece estar acima de qualquer perigo.

“Numa noite, posso ganhar o dinheiro de um mês,” disse Aristide Roux, um caçador de 43 anos de idade.

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