SADC Instada a Preparar-se para o Longo ‘Trabalho Árduo’ de Combater o Terrorismo em Moçambique

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EQUIPA DA ADF

Enquanto os vizinhos de Moçambique na África Austral se juntam à sua luta de quatro anos contra os insurgentes, na província de Cabo Delgado, observadores celebram os primeiros ganhos enquanto alertam sobre o potencial para um envolvimento prolongado e dispendioso.

Sob os auspícios da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), Botswana, Ruanda, África do Sul e outros países enviaram tropas para reforçar a resposta de Moçambique à insurgência islâmica, conhecida como al-Shabab. Nos últimos anos, ataques extremistas mataram 3.000 pessoas e forçaram o deslocamento de outras 800.000.

O Ruanda, que não faz parte da SADC, foi o primeiro país a enviar tropas para a região. No início de Agosto, o exército ruandês anunciou que tinha expulsado os combatentes extremistas para fora de Mocímboa da Praia, a cidade portuária do norte que é fundamental para o futuro desenvolvimento das reservas de gás natural offshore. Os extremistas tinham ocupado Mocímboa por mais de um ano.

O exército ruandês disse que 70 insurgentes foram mortos no confronto. Dos que sobreviveram, alguns fugiram atravessando a fronteira para a Tanzânia, enquanto outros retiraram-se para as florestas a sul de Mocímboa.

O sucesso do Ruanda permitiu que os residentes deslocados regressassem às suas casas. As forças de elite foram elogiadas pela sua rapidez e eficiência. “Eles são impressionantes, os prussianos da África moderna,” o analista do exército sul-africano, Helmoed Heitman, disse à defenceWeb. “A sua resposta rápida não é surpreendente, nem o facto de eles terem imediatamente entrado em acção.”

Contudo, o pequeno número da força ruandesa implica que o território que eles libertarem deve ser entregue à polícia e ao exército moçambicanos, que anteriormente tiveram dificuldades para protegê-lo, disse Darren Olivier, director da African Defence Review, uma empresa de consultoria de pesquisa de conflitos.

“Devemos ser cuidadosos ao assumir que estes sucessos iniciais significam que os insurgentes estão próximos de serem derrotados. Não é o caso,” escreveu Olivier para o Centro Africano para a Resolução Construtiva de Disputas.

Olivier disse que a SADC deve utilizar os seus meios aéreos e navais para fazer a monitoria e interromper as cadeias de fornecimento dos insurgentes. A coligação de forças deve estar preparada para esperar pelos terroristas e mantê-los isolados. “Combater os insurgentes é um trabalho árduo, requer meses e anos de operações de estabilizar, edificar e esperar, não apenas de afastar os insurgentes, mas impedir o seu acesso às populações e interromper as suas cadeias de fornecimento,” escreveu Olivier.

Em Junho, os países da SADC concordaram em fornecer 3.000 soldados para ajudar Moçambique. Até agora, os envios atrasaram. A África do Sul, que prometeu 1.500 soldados, autorizou menos do que isso até agora.

Num relatório publicado em Junho, o Grupo Internacional da Crise aconselhou aos países da SADC para não se comprometerem de forma muito profunda num conflito que não compreendem completamente. Ele cita a tentativa das Nações Unidas de subjugar o grupo extremista das Forças Democráticas Aliadas da República Democrática do Congo. A fraca cooperação com o exército da RDC prejudicou o esforço de um ano de duração, permitindo que as Forças Democráticas Aliadas continuassem a atacar civis, observaram os autores.

“Fontes da segurança e do governo moçambicano temem que as tropas estrangeiras com entendimento limitado do ambiente local semelhantemente enfrentem dificuldades contra o al-Shabab,” escreveram os autores, referindo-se ao grupo que não possui qualquer relação com o grupo extremista somali com o mesmo nome.

Moçambique estaria melhor se utilizasse uma abordagem de incentivo e sanção para os seus extremistas de Cabo Delgado, argumentam os observadores.

Em relação à sanção: Aceitar que os conselheiros militares, a inteligência e o apoio combativo limitado da SADC apoiem as próprias forças militares de elite de Moçambique contra os extremistas. O Zimbabwe e o Botswana comprometeram-se com este processo.

Em relação ao incentivo: Encorajar os combatentes a deixarem as suas armas; o governo precisa de lidar com as insatisfações que existem entre os residentes de Cabo Delgado, que, em primeira instância, motivaram o extremismo.

“O governo deve trabalhar para desenvolver um corredor de saída para a rendição,” escreveram os autores do Grupo Internacional da Crise. Eles citaram a Nigéria como um exemplo de como reintegrar rebeldes com formação para o emprego e com um enfoque para impedir que as forças de segurança abusem os antigos extremistas.

Independentemente da estratégia, todos concordam que as forças da SADC e de Moçambique devem estar prontas para uma luta prolongada. “A história está repleta de exemplos de exércitos que declaram vitória de forma prematura, depois de algumas reconquistas iniciais de território, para depois ter insurgentes a emergirem novamente repetidas vezes,” escreveu Olivier.

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