Caçador Furtivo Acusado de Tráfico de Marfim e de Chifre de Rinoceronte

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EQUIPA DA ADF

Um famoso caçador furtivo de marfim e chifres de rinoceronte, conhecido pelo nome de Mansour, aguarda julgamento no tribunal federal dos Estados Unidos, depois da sua prisão em Julho de 2020, pela Direcção de Investigações Criminais do Quénia.

Mansour, cujo nome verdadeiro é Abubakar Mansur Mohammed Surur, foi detido no dia 29 de Julho de 2020, no Aeroporto Internacional de Mombasa quando desembarcava de um voo particular proveniente do Iémen. Mansour é um cidadão queniano mas possui bilhete de identidade do Iémen.

Ele é membro suspeito de uma gangue de crime transnacional baseada em Uganda e liderada por Moazu Kromah, da Libéria.

Chris Thouless, director do Fundo da Crise do Elefante, da instituição queniana Save the Elephants, elogiou o esforço de cooperação dos EUA e dos agentes da lei quenianos.

“Este é apenas o começo da abordagem unificada para atacar os problemas do tráfico de produtos da fauna bravia em todo o continente,” disse Thouless à ADF. “Esperamos que esta abordagem leve a mais processos judiciais de traficantes das redes à montante e à jusante de África e da Ásia.”

As autoridades apreenderam o caçador Abubakar Mansur Mohammed Surur, em Julho de 2020, e efectuaram a sua extradição para os EUA, em Janeiro de 2021, para ser julgado pelo tráfico de chifres de rinoceronte e marfim de elefantes, produtos da caça furtiva. DIRECÇÃO DE INVESTIGAÇÕES CRIMINAIS DO QUÉNIA

As autoridades acusaram Mansour, de 60 anos de idade, de contrabandear mais de 9.000 quilogramas de marfim de elefante avaliado em cerca de 4 milhões de dólares e 180 quilogramas de chifres de rinoceronte avaliados em cerca de 3,4 milhões de dólares. O material é proveniente de animais de vários países africanos, incluindo República Democrática do Congo, Quénia, Moçambique, Tanzânia e Uganda. Ele também foi acusado de tráfico de heroína.

Em suma, as autoridades disseram que Mansour ajudou a traficar materiais provenientes de 100 elefantes e 35 rinocerontes caçados no curso de sete anos, com início em 2012. Os receptores dos produtos traficados eram tipicamente gangues chinesas ou vietnamitas.

Os chifres e o marfim eram frequentemente escondidos em máscaras ou em estatuetas para escaparem a detecção. Eram enviados a partir de portos de Quénia, Moçambique e Tanzânia.

As autoridades recentemente apreenderam outros quatro membros da rede de crimes, incluindo o alegado líder de quadrilha, Moazu Kromah, que foi capturado em 2019. Antes de Kromah, a polícia apreendeu Amara Cherif, da Guiné, um outro membro de gangue. A polícia queniana apreendeu dois outros membros, os irmãos Ibrahim e Baktash Akasha, em 2017. Eles encontram-se agora na prisão, condenados por tráfico de drogas.

Thouless afirmou que a mistura de acusações demonstra que o comércio ilegal de produtos provenientes da fauna bravia geralmente está ligado a outros crimes.

Por volta da mesma altura em que as autoridades quenianas apreenderam Mansour, as autoridades malawianas anunciaram a sua vitória contra o cartel de Lin-Zhang, que tinha passado anos a praticar a caça furtiva da fauna bravia na África do Sul. Os nove membros receberam uma pena colectiva de 56,5 anos de prisão.

Grupos como os de Lin-Zhang e de Kromah possuem recursos e precisam de uma concentração de esforços para os trazer à justiça, Brighton K. Kumchedwa, director dos parques e fauna bravia do Malawi, disse à ADF.

“Este é um passo muito significativo na luta contra o comércio de produtos provenientes da fauna bravia, enviando assim um forte sinal para esses criminosos de que estamos a persegui-los e que o assunto é sério,” disse, falando em alusão à prisão de Mansour.

As autoridades anteriormente tinham prendido Mansour quando vinha do Quénia através do Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta, em Nairobi, em Julho de 2019. Ele eventualmente saiu sob caução, depois fugiu do país.

Mansour passou os 12 meses seguintes como fugitivo. Ele fugiu do Quénia quando as autoridades se preparavam para efectuar a extradição de um outro alegado membro da sua gangue para os EUA.

De acordo com as autoridades quenianas, Mansour viajou atravessando o Sudão do Sul e o Sudão para o Iémen, numa rota que o ajudou a evitar o Alerta Vermelho da Interpol, que havia sido emitido contra ele. A rota também forneceu um lugar seguro para ele em países que não têm tratados de extradição com o Quénia.

Com base nesse relato, o Procurador-Geral do Quénia, Noordin Haji, ordenou o tribunal, em Julho, para manter Mansour sob custódia sem direito a caução.

“Esperamos que, com o passar do tempo, este caso venha a desfazer uma das principais redes de tráfico que opera entre a África e a Ásia,” disse Thouless, “e venha a mudar o perfil de baixos riscos e altos ganhos do comércio ilegal de produtos da fauna bravia e venha também a agir como uma forma de dissuadir os outros traficantes.”

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