Exército do Mali Liberta uma Aldeia Depois de Cercada por Extremistas

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EQUIPA DA ADF

As Forças Armadas Malianas expulsaram extremistas armados para fora da pequena aldeia de Farabougou, onde a população resistiu ao cerco de duas semanas. O confronto começou no dia 8 de Outubro, quando os terroristas raptaram vários residentes locais naquela cidade de 2.000 habitantes e lutaram com caçadores locais.

Quando as chuvas torrenciais impossibilitaram que as forças especiais tivessem acesso ao centro do Mali por via terrestre, as Forças Aéreas do país transportaram-nas por via aérea. As Forças Aéreas também transportaram civis feridos para a cidade mais próxima a fim de receber tratamento médico, noticiou a Reuters.

Os observadores dizem que a ameaça dos terroristas ainda paira sobre a região.

“As vias de acesso para Farabougou continuam bloqueadas, os jihadistas ainda estão por perto, nas florestas ou escondidos num dos lados das estradas,” Dramane Symbara, presidente do município mais próximo de Sokolo, disse à Reuters.

A nível nacional, o conflito já matou milhares de soldados e civis desde 2012 e desalojou centenas de milhares de pessoas.

Na região central do Mali, a concorrência em relação aos recursos limitados levou a confrontos entre as comunidades agrícolas de etnia Dogon ou Bambara e os pastores Fulani. Os grupos de traficantes e terroristas aumentaram ainda mais a violência.

“A disponibilidade de armas, aliada às ligações complexas entre organizações criminosas, traficantes e grupos terroristas, possibilitou que uma cultura de violência se enraizasse e se espalhasse por todo o Mali,” Tenente-Coronel Alou Boi Diarra, das Forças Armadas Malianas, disse ao Centro de Estudos Estratégicos de África. “Isto está a enfraquecer os incentivos para a coexistência pacífica e a resolução dos conflitos através de meios não violentos.”

Diarra acrescentou que as formas tradicionais de resolução de conflitos, em que os anciãos das aldeias concordavam quanto às demarcações de terras de cultivo e de pastoreio, desgastaram-se. “A força substituiu o poder da diplomacia e das normas costumeiras,” concluiu Diarra.

O cerco de Farabougou começou cerca de dois meses depois de o exército do Mali ter lançado um golpe que levou ao afastamento do Presidente Ibrahim Boubacar Keita. Os líderes militares estabeleceram um governo interino até que o país volte ao regime civil.

Apesar da presença de 5.100 tropas francesas na região do Sahel e 13.000 tropas dos Estados Unidos, os ataques terroristas contra residentes de aldeias malianas e contra soldados continuam. De acordo com a ONU, os ataques terroristas contra as forças armadas do Mali causaram 175 mortes, entre Abril e Outubro.

Não existe consenso sobre como lidar com a insurgência.

No final de Outubro, o Ministro dos Negócios Estrangeiros Francês, Jean-Yves Le Drian, disse que manter um diálogo com terroristas não é uma opção. Le Drian disse à Agência France-Presse (AFP) que o Conselho de Segurança da ONU e a Força Conjunta G5 do Sahel, um grupo antiterrorista regional que inclui o Mali, partilham o seu posicionamento.

O Primeiro-Ministro interino do Mali, Moctar Ouane, discordou, dizendo que o diálogo oferece “uma oportunidade para lançar um grande debate com as comunidades para definir os contornos de uma nova governação,” reportou a AFP.

“Isto precisará de sincronização e coordenação com os nossos parceiros, especialmente aqueles que estão envolvidos militarmente,” acrescentou Ouane.

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