Há décadas que os governos africanos lutam contra os efeitos desestabilizadores das empresas militares privadas (EMP), mercenários e grupos paramilitares, que são pagos para proteger líderes ou lutar ao lado das forças governamentais em zonas de conflito —, muitas vezes, sem ter em conta as populações locais. Mercenários como o Africa Corps da Rússia, anteriormente Grupo Wagner, são acusados de cometer atrocidades contra civis na República Centro-Africana, Líbia, Mali, Moçambique e Sudão. Estas tropas veteranas lutam e divulgam a agenda geopolítica do Kremlin em troca de remuneração. No entanto, uma nova reviravolta na guerra contra o terrorismo no continente está…
ADF
Um guarda nacional mauritano demonstra uma imagem térmica de uma câmara acoplada a um drone fora de Oualata, em Abril de 2025. Estes cavaleiros do deserto, conhecidos como Méharistes, atravessam o Sahara em camelos. Nos últimos anos, eles recuperaram um papel central na estratégia de segurança do país. As suas patrulhas são cruciais num vasto território que partilha 2.200 quilómetros de uma fronteira pouco povoada com o Mali, um país há anos atormentado pelo terrorismo e pela insurgência. Os camelos podem mover-se onde até mesmo veículos com tracção a quatro rodas ficam imobilizados. A guarda tinha diminuído para cerca de…
Quando os extremistas do Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP) lançaram quatro ataques mortais simultâneos contra as forças militares nigerianas no final de Outubro de 2025, os drones armados desempenharam um papel fundamental. Os ataques a posições nas comunidades de Dikwa, Gajibo, Mafa e Katarko mataram cinco soldados e incendiaram uma base militar. No final, os soldados nigerianos repeliram os ataques, matando 50 combatentes do ISWAP. No entanto, o assalto ilustrou como os drones se tornaram parte integrante das operações terroristas em África. Embora os governos africanos tenham gasto milhões de dólares na compra de drones de nível…
Foi um raro momento de alegria na aldeia de Sanguéré-Lim, na República Centro-Africana, quando combatentes que antes inspiravam terror fizeram fila para depor as armas. Os combatentes da milícia Retour, Réclamation et Réhabilitation (3R) incluíam adolescentes vestindo camisolas de futebol e homens grisalhos com gorros de malha. Música animada tocava nos altifalantes enquanto um homem empunhando um lança-granadas ficava ao lado de um adolescente segurando duas mãos cheias de balas. “Hoje, os grupos armados depuseram as armas e isso mudou tudo,” Adama Yaouba, um morador da aldeia, disse às Nações Unidas. “Antes, nunca dormíamos em paz, estávamos sempre em guarda.…
O Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin, afiliado da al-Qaeda, realizou um ataque coordenado e abrangente a sete locais militares no oeste do Mali, incluindo perto das fronteiras com o Senegal e a Mauritânia, em meados de 2025. O grupo terrorista, mais conhecido como JNIM, foi responsável por um aumento nos ataques naquela época em vários países da África Ocidental, principalmente no Burquina Faso, no Mali e no Níger. O grupo tornou-se uma grande força na instabilidade regional e foi usado como justificativa para golpes militares nos três países do Sahel nos últimos cinco anos. O JNIM é apenas uma das franquias terroristas…
O futuro da mobilização militar do Ruanda no norte de Moçambique é incerto, visto que Kigali condicionou a continuação da sua missão na província de Cabo Delgado, assolada pela insurgência, à garantia de financiamento sustentado. O presidente Paul Kagame alertou recentemente que as forças ruandesas poderão retirar-se já em Maio, altura em que o apoio financeiro da União Europeia está previsto terminar. O Ruanda procura apoio financeiro a longo prazo para continuar as operações de combate ao terrorismo em Moçambique. “Não é que ‘o Ruanda possa retirar-se,’” o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Olivier Nduhungirehe, disse numa publicação nas redes sociais…
As forças militares e pró-governamentais do Burquina Faso são acusadas de terem morto centenas de civis entre Janeiro de 2023 e Agosto de 2025, de acordo com um relatório recente da Human Rights Watch (HRW). Dos 1.837 civis mortos no Burquina Faso durante esse período, mais de 1.200 foram assassinados pelas forças armadas burquinabês e pelas milícias aliadas conhecidas como Voluntários para a Defesa da Pátria (VDP). Tanto a junta militar do Burquina Faso, liderada pelo Capitão Ibrahim Traoré, como os VDP são acusados de limpeza étnica nas comunidades Fulani. Um dos ataques mais mortíferos contra civis ocorreu a 14…
Um especialista em segurança afirma que o grupo terrorista al-Shabaab e outras organizações extremistas estão a aprender a agir mais rapidamente numa altura em que aperfeiçoam os seus esforços para atingir comunidades e forças de segurança. O especialista em segurança Ibrahim Yanaya disse aos chefes de serviços de informação de 70 países, numa reunião realizada em Abril de 2026 no Quénia, que grupos militantes ligados a movimentos terroristas estão a mudar a forma como operam, com novos pontos de pressão que podem afectar países em toda a região, incluindo o Quénia. Yanaya, vice-director de projectos do Grupo Internacional de Crise,…
Os especialistas alertam que a Iniciativa de Governação Global (GGI) recentemente lançada pela China representa uma ameaça para as nações em desenvolvimento, ao promover o autoritarismo através da vigilância digital e da repressão. A adopção do “tecno-autoritarismo,” definido como o uso da tecnologia da informação digital por parte dos governos para vigiar, reprimir e manipular as populações, representa riscos significativos para os países africanos, principalmente ao minar os processos democráticos, os direitos humanos e a estabilidade política a longo prazo. O coronel reformado DCS Mayal, antigo oficial de informações do Exército indiano, assinalou uma grave falta de transparência que permeia…
No dia 25 de Março, as autoridades marroquinas e espanholas colaboraram na detenção de três suspeitos de pertencerem ao grupo Estado Islâmico: dois em Tânger e um em Maiorca, a maior ilha da Espanha. Na Espanha, o suspeito é acusado de planear um ataque a solo, enquanto os suspeitos em Marrocos terão fornecido financiamento e apoio logístico a combatentes ligados ao grupo Estado Islâmico na Somália (ISSOM) e a outras filiais do EI na região do Sahel, noticiou o jornal Morocco World News. Analistas afirmam que o ISSOM, em particular, está empenhado em expandir-se para além da sua base na…