EQUIPA DA ADF Com os recentes golpes de Estado militares a derrubarem governos civis, da Guiné ao Sudão, uma questão persiste: quando é que esses países regressarão a um regime civil ou democrático? A resposta, dizem os especialistas, depende da determinação dos militares em permanecer no poder, especialmente se tentarem manipular as eleições para dar aos líderes uma aparência de legitimidade democrática. Nalguns casos, os líderes das juntas prometem realizar eleições e restaurar a democracia num determinado período de tempo — três anos no caso da Guiné e, mais recentemente, no Níger. No entanto, um golpe de Estado prejudica permanentemente…
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EQUIPA DA ADF A junta militar que derrubou o presidente democraticamente eleito do Níger alegou que era necessário pôr termo à violência extremista que afecta o país e os seus vizinhos do Sahel. Algumas semanas depois, 17 soldados nigerinos morreram num ataque extremista perto da fronteira com o Mali. A junta do Níger, tal como as que derrubaram os governos do Burquina Faso e do Mali, alegou que os militares podem resolver o problema dos extremistas que os líderes civis não conseguiram. Oumar Moctar, líder do Partido da Renovação Democrática e Republicana do Níger, contestou essa avaliação. “O conselho militar…
EQUIPA DA ADF Nvou Michael tinha 15 espingardas de fabrico artesanal e 400 cartuchos de munições AK-47 quando a polícia a interceptou numa auto-estrada no Estado de Kaduna, em 2022. O oficial de relações públicas da Força Policial da Nigéria, Olumuyiwa Adejobi, arrancou a confissão de Michael durante uma conferência de imprensa em Abuja: ela vendia AK-47s por 15.000 nairas (cerca de 20 dólares) cada a vários grupos de bandidos que assolam a região noroeste da Nigéria há mais de uma década. “O que um homem pode fazer, uma mulher pode fazer ainda melhor,” disse Adejobi. “A suspeita especializou-se no…
EQUIPA DA ADF Uma mulher que vive em Moura, uma cidade na região de Mopti, no centro do Mali, recordou os horrores que lhe foram infligidos quando soldados malianos e mercenários russos do Grupo Wagner lançaram um ataque de cinco dias em Março de 2022. Depois de dias a massacrar homens, as tropas malianas e os combatentes do Grupo Wagner voltaram a sua atenção para as mulheres de Moura. A mulher disse que os soldados revistaram a sua casa à procura de homens, mas não encontraram nenhum. Voltaram na noite seguinte e, segundo ela, um homem branco com tatuagens…
EQUIPA DA ADF Há sinais de progresso na luta contra o grupo do Estado Islâmico (EI) e outros grupos terroristas na província moçambicana de Cabo Delgado. Mas uma série de ataques recentes mostra que os insurgentes estão longe de estar derrotados e estão a levar a cabo ataques mais sofisticados. Um dispositivo explosivo improvisado (DEI) controlado à distância danificou gravemente um veículo blindado das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) em Quiterajo em Julho. A explosão desencadeou um tiroteio durante o qual pelo menos um soldado das FADM foi morto, de acordo com uma reportagem do Cabo Ligado,…
EQUIPA DA ADF Desde que entraram na República Centro-Africana (RCA) em 2018, os mercenários russos do Grupo Wagner têm explorado impiedosamente os recursos naturais do país, recorrendo mais recentemente à exploração de madeira para financiar a organização e alimentar a guerra do presidente Vladimir Putin na Ucrânia. Em 2021, as autoridades da RCA atribuíram uma concessão de exploração de madeira de 30 anos à Bois Rouge, uma empresa associada ao Grupo Wagner, para extrair madeira de uma área de cerca de 186.000 hectares — uma área com mais do dobro do tamanho do Parque Nacional Mbaéré-Bodingué, do outro lado do…
EQUIPA DA ADF O povo Baka dos Camarões tem vivido no meio das exuberantes florestas tropicais durante milhares de anos, mas recentemente viu as suas vidas destruídas pela expansão das plantações de borracha chinesas. “Quando destruíram a floresta, estavam, na realidade, a destruir as nossas casas,” disse o ancião da aldeia Baka, Moise Ndjelee, ao Daily Maverick, da África do Sul. Ndjelee e cerca de 100 outros Baka foram expulsos das suas residências para dar lugar à plantação de borracha Sudcam, com 450 quilómetros quadrados. Actualmente, os caçadores-recolectores vivem na pobreza e em condições de superlotação na aldeia bantu de…
EQUIPA DA ADF Os terroristas da Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM) raptaram Boubacar Moussa no Níger em 2019 e obrigaram-no a combater nas suas fileiras no Mali. Moussa estava na JNIM quando o Mali sofreu o primeiro dos seus dois recentes golpes de Estado, em 2020. Na altura, segundo ele, muitos extremistas radicais encararam o derrube do governo como uma oportunidade. Receia agora que o recente golpe de Estado no Níger venha a aumentar o recrutamento de extremistas, possivelmente a agudizar a violência e a corroer ainda mais a estabilidade na volátil região do Sahel. “Os jihadistas apoiam muito…
EQUIPA DA ADF Enquanto o mundo tenta compreender o que levou ao golpe de Estado no Níger, há um factor que continua a ser analisado: a etnia. Ao longo da história do continente, os golpes de Estado têm estado estreitamente ligados a queixas étnicas. Isso é particularmente verdadeiro quando as forças armadas estão repletas de um grupo étnico e não reflectem a população que servem. O que emerge é a convicção de que o acesso ao poder e à progressão na carreira está ligado à etnia. “Podemos relacionar um grande número de golpes de Estado com a etnicidade,” Dr. Olayinka…
EQUIPA DA ADF Em pouco mais de dois anos, o Níger exemplificou o poder das forças de segurança presidenciais — e o que pode acontecer quando esse poder não é controlado. Em Março de 2021, a guarda presidencial do Níger reprimiu uma tentativa de golpe de Estado por parte de elementos das forças armadas, dois dias antes da tomada de posse do presidente eleito, Mohamed Bazoum. Em Julho de 2023, a guarda presidencial liderou um golpe que depôs Bazoum. O motim no seio do círculo mais próximo do presidente foi liderado pelo mesmo homem que protegeu a residência presidencial em…