As autoridades detiveram cinco pessoas, incluindo dois cidadãos mexicanos, numa unidade de fabrico de metanfetamina cristalina situada numa quinta rural na província de Limpopo, na África do Sul, no final de Agosto. Dois zimbabweanos e um malawiano foram igualmente detidos sob acusações relacionadas com o fabrico e a posse de drogas ilícitas. As autoridades apreenderam drogas e equipamento de fabrico de drogas no valor de 37,5 milhões de dólares nas instalações.
As detenções resultaram de uma operação conjunta que envolveu membros dos Hawks, a unidade do Serviço de Polícia da África do Sul [SAPS] especializada no combate ao crime organizado, e agentes do departamento de narcóticos do país, do Serviço de Informações Criminais e da Força-Tarefa Especial, bem como da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA) e do Departamento de Segurança Interna.
“Esta descoberta surge na sequência de uma investigação intensiva de dois meses sobre actividades suspeitas de fabrico de drogas na quinta,” o SAPS disse num comunicado. “A descoberta revelou uma suposta operação sofisticada, à escala industrial, que se acredita ter sido criada para o fabrico de substâncias ilícitas perigosas destinadas à distribuição.”
Este foi, pelo menos, o quinto desmantelamento de um laboratório de metanfetamina envolvendo membros de supostos cartéis de droga mexicanos na África do Sul desde Julho de 2024, quando as autoridades apreenderam um laboratório e drogas no valor de quase 125,4 milhões de dólares noutra quinta na província de Limpopo. O Cartel de Sinaloa e o Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) começaram a enviar químicos para o continente para produzir metanfetamina localmente, em vez de arriscarem a sua exportação.
Os observadores alertaram que os cartéis mexicanos também financiam terroristas, grupos armados e organizações criminosas que os ajudam a produzir e a transportar as drogas, num modelo de negócio semelhante ao de uma franquia. Os cartéis de Sinaloa e do CJNG começaram a aumentar a produção em África nos últimos cinco anos. Normalmente, organizam a produção, o tráfico e a distribuição, deixando as vendas locais a cargo de gangues criminosas. Ambos os cartéis também estão a contrabandear precursores químicos de drogas de e para a China e a Índia, passando pelo Quénia e pela África do Sul.
Willem Els, especialista em combate ao terrorismo do Instituto de Estudos de Segurança, disse à ADF que acredita que os cartéis mexicanos estão a subornar forças de segurança, juízes e políticos para obter protecção.
“Devido às nossas fronteiras porosas, à corrupção e ao comprometimento de actores integrados no Estado, é fácil para estes indivíduos passarem despercebidos,” considerou Els. “Quando enfrentam algum problema, contam com grandes quantias de dinheiro a apoiá-los. Continuam a subornar para se safarem e conseguem manter as suas operações. Devido à corrupção nos nossos portos de entrada e às nossas fronteiras porosas, não é um grande problema para estes indivíduos operarem além-fronteiras.”
A onda de recentes apreensões de metanfetamina sugere que a África do Sul já não é meramente um centro de trânsito para esta droga, que é altamente viciante, barata e de fácil acesso. O país tornou-se um dos maiores mercados consumidores mundiais de metanfetamina, conhecida localmente como “tik.” Os analistas afirmam que isto se deve às elevadas taxas de desemprego juvenil, às lacunas na aplicação da lei, à elevada potência da droga, ao seu baixo custo e a outros factores.
Ambos os cartéis mexicanos também produzem metanfetamina no Quénia, onde o seu consumo tem vindo a aumentar desde 2020, de acordo com um relatório da Comissão de Drogas da África Oriental e Austral. Os cartéis também operam na Nigéria, onde o aumento do consumo de metanfetamina tem sido associado a homicídios e outros crimes violentos, particularmente em comunidades mais pequenas onde a droga é produzida.
Em meados de Maio, as autoridades nigerianas detiveram três cidadãos mexicanos e outras seis pessoas num laboratório de metanfetamina de escala industrial na floresta de Abidagba, no Estado de Ogun. As autoridades apreenderam produtos químicos e drogas no valor de 363 milhões de dólares.
Antes de produzir metanfetamina local, o Cartel de Sinaloa estava envolvido no comércio de cocaína na África do Sul. Pouco depois de as autoridades terem descoberto um laboratório de metanfetamina com ligações ao México na província de Limpopo, em Setembro de 2025, foi encontrado um camião que viajava de Joanesburgo para a Cidade do Cabo a contrabandear pacotes de cocaína rotulados com a palavra “Tesla.” As etiquetas são semelhantes às embalagens de cocaína utilizadas pelos cartéis de droga no México, de acordo com o jornal sul-africano Daily Maverick, que noticiou que o Cartel de Sinaloa também mantém ligações com o vizinho Moçambique.
