Os países costeiros da África Ocidental estão a reforçar as parcerias de combate ao terrorismo após a ruptura de 2025 com as nações do Sahel, que paralisou a Força Conjunta do G5 Sahel e outras estruturas de segurança regionais.
Os líderes militares do Benin e da Nigéria reuniram-se recentemente para discutir uma operação conjunta ao longo da sua fronteira comum com o Níger, que se tornou um ponto nevrálgico para o terrorismo proveniente da província de Dosso, no Níger.
De acordo com o Projecto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED), os ataques do Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM) e do Estado Islâmico na Província do Sahel (ISSP) em toda a região aumentaram 86%, passando de cerca de 150 em 2024 para cerca de 280 em 2025. As mortes de civis durante esse mesmo período aumentaram mais de 260%, para mais de 1.000. A área afectada inclui os departamentos de Alibori e Borgou, no nordeste do Benin, e os Estados de Kebbi, Kwara, Níger e Sokoto, na Nigéria.
Desde 2019, o JNIM tem reivindicado ataques terroristas no Benin, na Costa do Marfim e no Togo. Um ataque a uma base militar beninesa em Abril de 2025 matou 54 soldados. Mais tarde nesse ano, o JNIM reivindicou o seu primeiro ataque no noroeste da Nigéria.
“Estes desenvolvimentos estão a ocorrer num contexto de mudanças geopolíticas, cooperação regional enfraquecida e coordenação limitada da segurança nas fronteiras,” Héni Nsaibia, analista sénior do ACLED para a África Ocidental, escreveu num relatório recente.
A ameaça dos terroristas na região fronteiriça entre o Benin, o Níger e a Nigéria assume novas dimensões à medida que os grupos extremistas se entrincheiram e utilizam a região para expandir a sua influência, escreveu Nsaibia.
Nsaibia acrescentou que a resposta à expansão terrorista tem sido complicada pela presença governamental limitada e pela fraca aplicação da lei ao longo das fronteiras porosas entre os Estados costeiros e os seus vizinhos sem litoral.
Muitos dos recentes ataques perpetrados pelo JNIM e pelo ISSP ocorreram perto do complexo florestal do Parque W-Arly-Pendjari, que se estende pelas fronteiras do Benin, do Burquina Faso e do Níger. Os grupos terroristas utilizam as florestas remotas e as colinas arborizadas próximas, conhecidas localmente como “dutses,” como refúgios e bases para as suas operações.
Os grupos terroristas também estão a recrutar membros nas comunidades em torno dos parques, explorando tensões étnicas, atraindo grupos de bandidos para a sua órbita e utilizando corredores de transporte para alargar o seu alcance para além da fronteira, segundo Nsaibia.
“Estas dinâmicas também ajudam a explicar a expansão dos militantes do Sahel para as zonas fronteiriças nigerianas, onde se localizam importantes centros de trânsito e onde as rotas de abastecimento servem as comunidades e as áreas controladas pelos militantes nos países vizinhos,” acrescentou.
A decisão dos líderes das juntas de Burquina Faso, Mali e Níger de se separarem da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e formarem o seu próprio bloco de segurança e económico, conhecido como Aliança dos Estados do Sahel, minou a cooperação regional e reduziu a colaboração transfronteiriça no combate ao terrorismo, observou Nsaibia.
Entretanto, os três Estados do Sahel têm assistido a um aumento dramático da violência extremista nos últimos anos. Juntos, continuam a ser o epicentro global da violência terrorista, de acordo com o Índice Global de Terrorismo.
Sunday Dare, conselheiro sénior do presidente nigeriano Bola Ahmed Tinubu, afirmou que o governo nigeriano está empenhado em reforçar as operações transfronteiriças de combate ao terrorismo com o Benin e outros parceiros regionais.
A operação conjunta planeada entre o Benin e a Nigéria inclui patrulhas fronteiriças coordenadas, partilha de informações e maior monitorização do tráfego ao longo da sua fronteira.
A abordagem combina prevenção com resposta rápida para proteger civis e trazer estabilidade à região fronteiriça, segundo o analista Enagnon Wilfried Adjovi.
“Esta parceria estratégica entre o Benin e a Nigéria reflecte uma crescente consciência das ameaças transfronteiriças e da necessidade de respostas concertadas para garantir a segurança e a resiliência das comunidades afectadas,” Adjovi escreveu recentemente para o site AfricActu.
