Duas operações contra células terroristas na Tunísia no início deste ano demonstram a capacidade das forças de segurança para detectar e neutralizar conspirações contra o país, enquanto destacam a ameaça terrorista persistente.
As forças de segurança realizaram as operações em Janeiro na província de Kasserine, na parte ocidental do país. Uma operação realizada no dia 3 de Janeiro impediu um ataque perto de uma feira semanal, matando o líder do grupo, Seddik El Abidi. Ele era natural da Tunísia e membro do batalhão Jund al-Khilafa (Soldados do Califado), um ramo do grupo Estado Islâmico, informou a agência noticiosa Tuniscope. As autoridades prenderam um cúmplice e, posteriormente, detiveram 10 pessoas ligadas à conspiração, de acordo com notícias da imprensa.
Quatro semanas depois, as autoridades desmantelaram uma célula terrorista de quatro membros perto da fronteira entre a Tunísia e a Argélia. Todos os quatro membros foram mortos, incluindo um homem que detonou um colete suicida após se recusar a render-se. As autoridades afirmaram que todos os membros da célula pertenciam à mesma família. O Ministério do Interior da Tunísia afirmou que a operação se baseou em “informações precisas que rastreavam a presença do grupo na região,” segundo noticiou o Middle East Online. Não houve qualquer ligação entre as duas operações, afirmaram as autoridades.
Os dois incidentes revelam a natureza “persistente, mas geograficamente confinada” dos grupos extremistas que operam nas montanhas ocidentais da Tunísia, o investigador Dario Cristiani escreveu para o grupo de reflexão Jamestown.
A Tunísia não sofre um ataque terrorista de grande dimensão desde Maio de 2023, quando um atirador matou dois fiéis e três agentes de segurança na ilha de Djerba, na sinagoga mais antiga do país.
Parte da abordagem da Tunísia ao terrorismo remonta a 2015, quando insurgentes perpetraram três ataques de grande envergadura, incluindo um num resort de praia em Sousse. Um atirador matou 38 pessoas no resort. A Tunísia respondeu aos ataques declarando um estado de emergência a nível nacional que continua em vigor. Em Janeiro de 2026, o presidente Kais Saied prorrogou-o até 31 de Dezembro, segundo a Reuters.
O estado de emergência contínuo, juntamente com a consolidação do poder de Saied em 2021, resultou num meio eficaz de prevenção do terrorismo, lê-se no relatório da Jamestown. Mas as medidas também suscitaram “críticas contínuas” por parte dos defensores das liberdades civis.
Ao abrigo do quadro de emergência, o Ministério do Interior pode proibir reuniões públicas, impor toques de recolher, realizar buscas em lojas e residências e monitorizar a imprensa, as emissões de rádio e as produções cinematográficas e teatrais, tudo sem autorização judicial prévia, segundo o site de notícias The New Arab. “Organizações de direitos humanos, tanto nacionais como internacionais, vêm alertando há anos que o quadro não cumpre as salvaguardas exigidas pelo direito internacional dos direitos humanos, sobretudo devido à sua prorrogação por tempo indeterminado,” informou o The New Arab.
As autoridades tunisinas informaram que, em 2025, desmantelaram 62 células terroristas e prenderam 2.038 pessoas ligadas ao extremismo. A agência Tunis Afrique Presse informou que as autoridades registaram 2.058 actos relacionados com o terrorismo durante o ano.
“Estas operações de alto risco envolveram um esforço coordenado entre várias unidades especializadas, incluindo serviços de inteligência nacionais e brigadas dedicadas ao combate ao terrorismo,” informou a Agência de Imprensa Africana.
TRÊS DINÂMICAS
As rusgas de Janeiro ilustram três dinâmicas-chave das operações de combate ao terrorismo da Tunísia, afirma o relatório de Jamestown:
- As redes terroristas no país continuam fragmentadas e localizadas. A morte de Abidi “sugere a persistência de células pequenas e envelhecidas, em vez da regeneração de estruturas organizacionais mais amplas.” A ausência de ataques em grande escala na última década demonstra as limitações dos recursos dos grupos terroristas.
- Os terroristas na Tunísia dependem do terreno acidentado das regiões ocidentais do país como “espaços de sobrevivência,” o que demonstra que dispõem de recursos humanos limitados. Essas regiões não constituem plataformas para ataques a nível nacional. O terrorismo em Tunis, a capital, e noutros grandes centros urbanos tem permanecido “extremamente limitado.”
- Com o seu estado de emergência nacional renovado mensalmente, os esforços de combate ao terrorismo da Tunísia tornaram-se “profundamente institucionalizados.” As tácticas incluem vigilância reforçada, poderes de detenção alargados, controlo mais rigoroso das fronteiras e “operações preventivas” regulares nas zonas montanhosas.
O relatório da Jamestown conclui que o terrorismo na Tunísia tem um âmbito geográfico restrito e uma profundidade organizacional superficial. O resultado tem sido conspirações isoladas e recursos humanos limitados, sugerindo “contenção em vez de escalada.”
“A região montanhosa do oeste continua a abrigar militantes isolados, e as infra-estruturas críticas permanecem uma vulnerabilidade teórica em vez de um campo de batalha activo, com instituições de segurança que mantêm uma superioridade operacional óbvia.”
