Mulheres Africanas Quebram Barreiras e Assumem Papéis de Liderança nas Operações de Paz da ONU

EQUIPA DA ADF

As mulheres africanas estão a fazer a diferença nos esforços globais de manutenção da paz das Nações Unidas, particularmente nas vidas das mulheres e raparigas que encontram durante as operações de segurança.

Téné Maimouna Zoungrana, coordenadora das equipas de segurança da Prisão Central de Ngaragba, a maior prisão da República Centro-Africana (RCA), está entre os muitos africanos que estão a reformular as opiniões tradicionalmente aceites sobre o papel das mulheres nas operações de manutenção da paz.

Em 2022, Zoungrana recebeu o primeiro Prémio Trailblazer das Nações Unidas para Mulheres Oficiais de Justiça e Correcção pelo seu trabalho na Missão Multidimensional Integrada de Estabilização das Nações Unidas na RCA. Foi fundamental na criação de uma equipa de intervenção rápida exclusivamente feminina e no recrutamento e formação de outros agentes na Central de Ngaragba.

“No meu ambiente profissional, no domínio da segurança, as mulheres são, muitas vezes, colocadas em segundo lugar ou mesmo ignoradas, devido a percepções estereotipadas de que os homens estão mais aptos para o trabalho,” disse Zoungrana à agência noticiosa italiana Inter Press Service (IPS). “Tive a coragem e a força, e a vocação, para quebrar barreiras e afirmar-me com confiança neste domínio.”

A participação das mulheres nas operações de manutenção da paz da ONU aumentou significativamente nas últimas décadas. Apenas 20 mulheres soldados serviram em missões de manutenção da paz da ONU em todo o mundo entre 1957 e 1989. Actualmente, há 6.200 mulheres soldados nas missões de manutenção da paz da ONU, metade das quais são africanas. Os números aumentaram gradualmente devido a iniciativas para persuadir e incentivar os países-membros a destacarem mais mulheres, de acordo com a IPS.

Egipto, Etiópia, Gana, Ruanda, Senegal, África do Sul e Zâmbia estão entre os países que fornecem mais tropas e agentes da polícia do sexo feminino às missões da ONU.

Em Fevereiro de 2022, a Comodoro Faustina Boakyewaa Anokye, da Marinha do Gana, foi nomeada comandante-adjunta da força da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental. Substituiu a falecida General Constance Emefa Edjeani-Afenu — a primeira mulher Brigadeiro-General das Forças Armadas do Gana — que concluiu o seu mandato em 2021. Edjeani-Afenu, que faleceu em 2022 após uma breve doença, foi promovida a Major-General a título póstumo.

“O mundo será um lugar melhor com a igualdade de género,” disse Anokye à IPS. “Devemos, portanto, continuar a desafiar os estereótipos de género, a denunciar a discriminação, a chamar a atenção para os preconceitos e a procurar a inclusão.”

Nem todas as mulheres africanas envolvidas nos esforços de manutenção da paz da ONU estão destacadas no continente.

Ao serviço da Missão Interina da ONU no Líbano (UNIFIL), a Capitã do Exército do Gana, Esinam Baah, liderou as patrulhas da linha de demarcação de 120 quilómetros entre o Líbano e Israel durante um destacamento recente de 18 meses. Liderou equipas que visitaram famílias locais para garantir a sua segurança.

Uma das 173 mulheres ganesas que serviram na UNIFIL, Baah visitava regularmente mulheres e raparigas que ainda lutavam para ajudar a reconstruir as suas comunidades depois de as tropas israelitas terem abandonado o sul do Líbano em 2000.

“Há algumas pessoas na cidade que não se sentem muito à vontade com um homem desconhecido a falar com as suas mulheres, por isso, como sou mulher, posso aproximar-me de qualquer mulher, em qualquer cidade, porque me vêem como uma mulher e não sou uma ameaça,” disse Baah à IPS.

Jackline Urujeni, que comandou uma força de 160 polícias ruandeses na Missão da ONU no Sudão do Sul, disse acreditar que as mulheres das forças de manutenção da paz estão a fazer uma diferença especialmente positiva entre as mulheres e as raparigas nas áreas em que servem. Metade dos oficiais que liderava eram mulheres.

“As mulheres aqui (no Sudão do Sul) têm-me feito muitas perguntas, especialmente quando percebem que sou a comandante de um grande grupo de polícias,” disse Urujeni à IPS. “Perguntam-me: ‘Como é que pode ser uma comandante? Não há homens no vosso país?’

“Reparei que as raparigas e as mulheres aqui estão gradualmente a tomar consciência dos seus direitos para serem quem querem ser,” acrescentou. “Compreenderam que as raparigas não existem apenas para casar e ter filhos. Estamos a abrir-lhes os olhos para novas possibilidades, para novas escolhas que lhes devem ser permitidas.”

Comentários estão fechados.