Ataques dos Rebeldes do M23 Aumentam o Tumultuo no Leste da RDC

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EQUIPA DA ADF

O grupo de militantes rebeldes do Movimento de 23 de Março, conhecido como M23, recentemente lançou a sua maior ofensiva numa década, na região leste da República Democrática do Congo (RDC).

Dezenas de milhares de civis fugiram com o reaparecimento da violência. O grupo ganhou atenção internacional quando despertou a última grande rebelião do leste da RDC, em 2012, antes da sua derrota meses depois.

“Estamos deslocados, estamos a fugir dos confrontos que ocorreram,” Alexis Sikuli, residente de Rutshuru, disse ao AfricaNews, no final de Maio de 2022. “Depois desta situação, estamos com medo. É por isso que vamos para Kibati, próximo de Goma [capital da província do Kivu do Norte].”

Os recentes ataques do M23 tiveram como alvo as Forças Armadas da República Democrática do Congo (FARDC) assim como os membros da missão de manutenção da paz das Nações Unidas na RDC (MONUSCO).

“Os rebeldes do M23 deliberadamente atacaram os soldados da manutenção da paz da MONUSCO na região [de Rutshuru], que responderam de acordo com o seu mandato,” disse a ONU num comunicado do dia 22 de Maio. “Uma operação conjunta FARDC-MONUSCO foi posteriormente lançada para expulsar os combatentes do M23 daquela área.”

Desde o seu reaparecimento em finais de 2021, as acções do M23 foram caracterizadas por escaramuças e tréguas.

No dia 28 de Março, o M23 atacou posições das FARDC, próximo da fronteira com Uganda e Ruanda e as comunidades próximas de Rutshuru, fazendo com que mais de 10.000 civis fugissem para o Uganda.

No dia seguinte, um helicóptero da ONU que fazia reconhecimento na região sudeste de Rutshuru despenhou, causando a morte de oito soldados de manutenção da paz. As FARDC afirmaram que o helicóptero foi “abatido” pelo M23.

Durante anos, o M23 afirmou que lutava contra grupos rebeldes, de etnia Hutu, que operavam na região leste da RDC, incluindo perpetradores do genocídio de 1994, em Ruanda. Mas os seus recentes ataques tiveram como alvo as forças congolesas devido às frustrações com as negociações de paz e promessas de conceder amnistia aos seus combatentes.

A recente campanha de violência do M23 é um dos muitos conflitos armados paralelos no leste da RDC, onde existem mais de 120 grupos armados. A luta causou uma crise humanitária, tendo em conta que os 5,6 milhões de deslocados internos da RDC constituem o maior número de pessoas deslocadas de todo o continente.

Em Março e Abril de 2022, o M23 declarou cessar-fogo unilateral em várias ocasiões, afirmando que estava disposto a dialogar com o governo da RDC.

As novas hostilidades fizeram com que o M23 fosse expulso das negociações da paz, em finais de Abril, entre a RDC e vários grupos armados.

“Tudo isso criou um contexto de tensão que causa receios de novos confrontos militares no território congolês, e os civis são sempre os que sempre pagam o maior preço,” investigador sénior da Human Rights Watch, na RDC, Thomas Fessy, disse à Voz da América.

“Em alguns dias de pesados confrontos próximos de Goma, mais de 70.000 pessoas ficaram deslocadas. De acordo com as organizações humanitárias, muitos deles agora irão precisar de ajuda.”

Depois da derrota da sua rebelião em 2013, o M23 assinou um acordo de paz com o governo da RDC, concordando em desarmar-se e transformar-se num partido político.

Partes do grupo regressaram à RDC em finais de 2016, descontentes com as negociações de paz que não abordaram questões subjacentes e frustrados por um processo de desarmamento, desmobilização e reintegração parado.

O grupo ressurgiu em Novembro de 2021, atacando aldeias e membros das FARDC a partir de esconderijos ao longo das fronteiras com Ruanda e Uganda.

“Todos vivemos com grande medo em nós,” vendedor de rua, Amos Bisimwa, disse à empresa de comunicação Deutsche Welle, depois de uma rusga em Novembro de 2021. “Ninguém sabe como será a próxima noite, muito menos se irá sobreviver.”

No dia 29 de Março, em meio a mais ataques do M23, a RDC juntou-se à Comunidade da África Oriental como um Estado parceiro.Menos de um mês depois, o bloco regional votou para estabelecer uma força militar regional para abordar a questão dos grupos armados violentos que proliferam no leste da RDC.

No fim do mês de Maio, relatos de uma outra trégua foram seguidos de relatos de mais confrontos.

“Quanto ao M23, houve alguma calmaria nos últimos dias,” investigador da Amnistia Internacional, Jean-Mobert Senga, disse à VOA. “Mas isso não significa que o conflito terminou no Kivu do Norte e em Ituri.”

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