Morcegos De Abijan Enfrentam Um Futuro Turbulento

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AGÊNCIA FRANCE-PRESSE

No crepúsculo, dezenas de milhares de morcegos escurecem o céu da zona comercial de Abijan quando passam, com os seus rangidos, entre os edifícios do centro económico da Costa do Marfim.

O cenário é uma característica do distrito do Planalto, onde se encontra a cidade. Mas agora uma variedade de perigos humanos ameaça os pequenos mamíferos, afirmam os conservacionistas.

Quando a noite chega, os morcegos dirigem-se para a floresta de Banco, próximo dali, que foi transformada em parque nacional, em 1953. Naquele lugar, os morcegos empanturram-se por toda a noite de insectos, frutas e flores, contou Magloire Niamien, biólogo e especialista em morcegos, da Universidade de Korhogo, no norte da Costa do Marfim.

Niamien disse que a população de morcegos da cidade pode ter chegado a um milhão, em 2020, mas reduziu de forma dramática por causa da urbanização e da caça furtiva.

“Cerca da metade da população de morcegos parece ter migrado para um outro lugar,” disse o Professor Inza Kone, que lidera o Centro Suíço de Pesquisa Científica da Costa do Marfim.

Cientistas afirmam que os morcegos desempenham um papel crucial na cadeia alimentar. Eles alimentam-se de muitos insectos que danificam as culturas, fazendo com que os agricultores poupem bilhões de dólares por ano em custos de pesticidas.

Algumas pessoas lamentam que os morcegos fazem muito barulho e mancham os carros com os seus excrementos.

Houve requerimentos que exigiam que as autoridades agissem, e as árvores já foram cortadas para fazer com que os morcegos desapareçam, disse o biólogo Blaise Kadjo, professor da Universidade Felix Houphouet-Boigny de Abidjan.

As pessoas também têm medo das doenças causadas por morcegos. O risco aumenta muito quando os morcegos são caçados e mortos com recurso a catanas para servir de alimento ou quando os humanos invadem o seu habitat. O Ébola é um vírus que se pensa ter-se propagado a partir de morcegos.

“Mas nunca registamos sequer um incidente de saúde ligado aos morcegos do Planalto,” disse Kadjo. “Levamos a cabo testes em 2014 e não encontramos qualquer traço de Ébola.”

Apesar dos riscos, os humanos ainda comem morcegos. No mercado de Siporex, no grande bairro de classe operária de Yopougon, Abidjan, três morcegos defumados são vendidos a 2.500 francos CFA (4,56 dólares).

Os cientistas querem que as autoridades costa-marfinenses protejam os morcegos, que desempenham um papel importante na fertilização de muitas plantas. Os morcegos também são umas das poucas criaturas capazes de garantir a reprodução do iroko, uma grande árvore de madeira dura cuja madeira é vendida em todo o mundo para fazer mobílias de luxo, mas está ameaçada por causa da sobreexploração na África Ocidental, disse Niamien.

“O seu papel é essencial para manter o ecossistema natural,” disse Kadjo.

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