Com Mais Testes e Laboratórios, África Procura Ganhar a Luta Contra a Pandemia

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EQUIPA DA ADF

As autoridades de saúde pública de África acreditam que as ferramentas como a testagem e o sequenciamento viral de genes ajudarão a rastrear a propagação da COVID-19 e reduzir o impacto de futuras vagas.

Os escritórios regionais da Organização Mundial de Saúde (OMS) para África e o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC) fizeram, cada um deles, o lançamento de projectos para expandir a capacidade do continente de descobrir e lutar contra surtos de COVID-19 antes de estes se propagarem.

A OMS está a trabalhar com o Instituto Nacional de Bioinformática da África do Sul para montar um laboratório regional com vista a fazer o estudo de amostras de vírus de toda a África Austral de modo a identificar novas variantes antes que estas possam assolar as comunidades como Beta e Delta o fizeram.

O centro regional irá expandir a capacidade de testagem genética que a OMS e o Africa CDC criaram em 2020, ligando laboratórios de todo o continente, o que permitiu que partilhassem pesquisas e fizessem o sequenciamento de material genético de mais de 43.000 amostras.

África produz cerca de 1% dos dados genéticos da COVID-19 do mundo.

“O sequenciamento genético prepara o caminho para que possamos rastrear o vírus da COVID-19, fazer a monitoria de mutações que possam causar o surgimento de novas variantes e responder de forma eficaz e atempada a variantes mais contagiosas,” disse o Dr. Nicksy Gumede Moeletsi, o virologista regional da OMS África. “O centro regional irá permitir que países estejam a um passo adiante em relação ao vírus.”

Ao mesmo tempo, a OMS e o Africa CDC pretendem aumentar a testagem da COVID-19 em todo o continente, através da distribuição de kits de testagem de diagnóstico rápido, fáceis de utilizar, para agências de saúde locais. Testes semelhantes estiveram disponíveis por muitos anos para testes caseiros de HIV.

Com recurso a uma amostra retirada através de uma zaragatoa nasal, os testes rápidos identificam de forma rápida a infecção pela COVID-19, mesmo que a pessoa não apresente sintomas. A OMS estima que 65% a 85% dos casos de COVID-19 de África não apresentam sintomas.

Os planos de testagem com uma base alargada partem de testes anteriores, que se concentravam primeiramente em pessoas que apareciam nos centros de saúde apresentando sintomas. A OMS estima que a estratégia de testagem actual de África detecta apenas cerca de 1 em cada 7 casos de COVID-19.

“A maior parte das transmissões são causadas por pessoas assintomáticas,” disse a directora da OMS para África, Dra. Matshidiso Moeti. “Os casos registados que vemos, por conseguinte, podem ser apenas a ponta do iceberg.”

Desde que pandemia começou, no início de 2020, os países africanos realizaram mais de 79,5 milhões de testes, mas encontram-se muito atrasados em relação a outras partes do mundo. Os países europeus, por exemplo, realizaram aproximadamente 12 vezes mais em relação a esse número no mesmo período, de acordo com dados do Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças.

Durante a mais recente vaga causada pela variante Delta, as taxas de positividade dos casos de África estiveram em média mais de 11%, que é o dobro da taxa em que a OMS recomenda confinamentos obrigatórios e outras medidas drásticas para interromper a propagação de uma doença.

Os custos económicos dos confinamentos obrigatórios nacionais fizeram com que os líderes políticos ficassem preocupados com o seu uso.

“Nós, como Africa CDC, estamos a afirmar que a forma como fizemos a gestão da pandemia com uma série de confinamentos obrigatórios severos chegou ao fim,” Dr. John Nkengasong, director do Africa CDC, disse recentemente.

As autoridades de saúde pública estão a procurar uma abordagem mais centralizada, utilizando métodos semelhantes à estratégia de vacinação em círculo, a qual ajudou a quebrar o surto de Ébola de 2014 a 2016, na África Ocidental.

De acordo com aquela estratégia, será pedido aos que testarem positivo para ficarem em isolamento. Qualquer pessoa que vive a menos de 100 metros de um caso positivo também será submetida a um teste. Todos irão receber máscaras e outro material para prevenir outras propagações do vírus.

Entre a testagem mais ampla e a expansão da capacidade laboratorial, as autoridades de saúde pública esperam que o continente possa dar passos significativos em direcção ao controlo da pandemia.

“Está claro na minha mente que o continente possui uma grande capacidade humana para a saúde pública,” disse Nkengasong.

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