Director da OMS Deseja Obter Mais Dados da COVID-19 da China

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EQUIPA DA ADF

O director da Organização Mundial de Saúde (OMS) está a apelar que a China divulgue mais dados que possam ajudar a revelar as raízes da pandemia da COVID-19 — uma solicitação a que o governo chinês está a resistir.

O Director-Geral da OMS, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, repetiu recentemente o seu apelo para que a China divulgue os dados brutos recolhidos das primeiras vítimas da pandemia. Ele afirmou que os dados são uma peça importante da próxima fase da investigação da OMS sobre as origens da COVID-19.

“Agora concebemos a segunda fase do estudo e estamos a pedir que a China seja transparente, aberta e cooperativa, principalmente em relação à informação — dados brutos que pedimos nos primeiros dias da pandemia,” disse Tedros.

Tedros também advogou um olhar mais aprofundado sobre os trabalhos internos do Instituto de Virologia de Wuhan, uma potencial fonte do surto viral. Ele apelou para que fosse feita uma auditoria aos laboratórios do instituto. Tedros disse que a sua própria experiência como técnico de laboratório ensinou-o que acidentes acontecem.

“É comum,” concluiu. “Precisamos de informação — informação directa — sobre qual era a situação destes laboratórios antes e no início da pandemia.”

O Instituto de Wuhan foi acusado de manusear os coronavírus sem os protocolos de segurança adequados. O referido instituto é famoso por estudar o tipo de coronavírus encontrado em morcegos semelhantes àquele que causa a COVID-19.

A China rejeita os planos da OMS para uma segunda investigação, particularmente uma que vai analisar com mais atenção o Instituto de Wuhan.

Zeng Yixin, Vice-Ministro da Comissão Nacional de Saúde, rejeitou o apelo para mais investigação sobre a possibilidade de uma fuga do laboratório.

“É impossível aceitarmos um plano de procura da origem desse género,” disse em resposta à proposta de Tedros para uma outra investigação.

Desde que surgiu, no centro da China, em finais de 2019, a COVID-19 já infectou aproximadamente 200 milhões de pessoas em todo o mundo e matou mais de 4 milhões.

No início de 2021, a OMS enviou uma equipa internacional de investigadores para Wuhan. O grupo visitou o Mercado Grossista de Mariscos de Huanan, onde o primeiro grupo de casos apareceu, em finais de 2019, e entrevistou alguns dos primeiros sobreviventes da COVID-19.

A equipa também visitou o Instituto de Wuhan. E finalmente, o relatório da equipa, que foi escrito em coordenação com as autoridades chinesas, esteve muito inclinado à ideia de que a COVID-19 teve origem a partir de contacto directo entre animais e pessoas.

Uma fuga do laboratório, concluiu a equipa, era muito improvável.

Aquela avaliação foi alvo de duras críticas de cientistas pelo mundo afora, que exigiram um escrutínio mais aprofundado do trabalho do Instituto de Wuhan. No dia 15 de Julho, Tedros descreveu a avaliação da equipa como sendo um “esforço prematuro” para descartar uma fuga do laboratório.

A pesquisadora em matérias de terapia de genes, Alina Chan, que esteve entre os 18 cientistas que recomendam uma avaliação mais aprofundada sobre a possibilidade de uma fuga laboratorial, elogiou o posicionamento de Tedros.

“É um sinal de que a OMS pode ser capaz de fazer uma investigação mais credível ou equilibrada,” disse ela à revista Science. Contudo, ela reconheceu que é pouco provável que a China coopere na realização de uma auditoria internacional aos laboratórios do Instituto de Wuhan.

A China tem sido criticada por encobrir as primeiras provas do surto do vírus que se tornou a pandemia da COVID-19. As autoridades governamentais chegaram ao extremo ao acusar o Dr. Li Wenliang, que revelou a existência do surto viral, de fazer declarações falsas e espalhar rumores. Mais tarde, Li morreu de COVID-19.

As autoridades chinesas recusaram-se a disponibilizar à equipa de investigação dados brutos sobre a saúde das primeiras vítimas. A China afirma que fornecer os dados a investigadores de fora seria violar a privacidade dos pacientes.

Numa conferência de imprensa da OMS, no dia 15 de Julho, o Ministro da Saúde de Alemanha, Jens Spahn, pediu maior cooperação da China.

“Estamos muito interessados em descobrir a proveniência deste vírus; e eu gostaria também de apelar aos nossos colegas chineses, que possamos ser capazes de continuar nesta investigação para que leve a resultados científicos,” disse Spahn.

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