Segunda Vaga Traz de Volta os Confinamentos Obrigatórios

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EQUIPA DA ADF

Uma segunda vaga de infecções pela COVID-19 está a assolar a África, trazendo de volta os confinamentos obrigatórios e as medidas rigorosas de combate no Botswana, na Nigéria, no Senegal, na África do Sul, no Zimbabwe e em outros lugares.

Assim como durante a primeira vaga, em Março de 2020, grande parte do debate centra-se à volta da eficácia dos confinamentos versus o seu impacto económico.

“Estamos numa corrida para salvar vidas agora,” Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, director-geral da Organização Mundial de Saúde, disse num discurso do dia 5 de Janeiro. “É importante, em qualquer crise, agir de forma rápida para evitar arrependimentos.”

A maior parte dos países africanos fez exactamente isso com encerramentos das fronteiras e restrições de viagens quando a pandemia eclodiu pela primeira vez. Doze países implementaram confinamentos obrigatórios enquanto 10 instituíram bloqueios parciais de cidade ou comunidades de alto risco.

Mas quando os casos diminuíram, os governos relaxaram as medidas, as pessoas baixaram a guarda e ignoraram os protocolos. As infecções subiram exponencialmente mais uma vez.

“Os números de casos são tão elevados em vários países que os hospitais e as unidades de tratamento intensivo estão a ficar cheias até a extremos perigosos,” disse Tedros. “Para alguns países, durante a recente quadra festiva e o tempo frio, as pessoas misturaram-se dentro das casas, o que sabemos que é muito arriscado e terá as suas consequências.

“As novas variantes, que aparentam ser mais transmissíveis, estão a exacerbar a situação.”

Em meados de Dezembro, as autoridades identificaram a nova e a mais contagiosa estirpe que está a impulsionar a mais recente onda de casos. O vizinho Botswana detectou a variante no dia 4 de Janeiro.

Depois de a África do Sul ter ultrapassado 1 milhão de casos, no dia 27 de Dezembro, e as taxas de positividade terem subido de 5% para 30%, o Presidente Cyril Ramaphosa restaurou as proibições relacionadas com o álcool e os aglomerados públicos, fez com que fosse obrigatório usar a máscara em locais públicos e prorrogou o recolher obrigatório.

“Eu peço a todos vocês” para seguirem as recomendações, apelou Ramaphosa, com lágrimas nos olhos, num discurso televisionado no dia 28 de Dezembro. “Baixamos a guarda e agora estamos a pagar o preço.”

Com os casos a aumentarem, o Presidente do Botswana, Mokgweetsi Masisi, impôs um recolher obrigatório das 20:00 horas às 4:00 horas da manhã, prorrogou as restrições de viagens e proibiu a venda e o consumo públicos de bebidas alcoólicas.

Países como a Costa do Marfim, a República Democrática do Congo, o Gana, a Mauritânia e a Nigéria viram o número de casos subir de forma galopante e estão a registar níveis de infecção recorde ou próximos do recorde.

No dia 22 de Dezembro, a Nigéria impôs um encerramento de cinco semanas de todos os bares, discotecas, centros recreativos e locais de realização de eventos. No Estado de Lagos, a polícia fez uma incursão e apreendeu os violadores numa altura em que o governador alerta para um outro confinamento, se as medidas de prevenção não forem cumpridas. O governador do Estado de Adamawa proibiu todos encontros sociais até uma data indefinida.

Depois de o Presidente Senegalês, Macky Sall, ter declarado um estado de emergência, no dia 6 de Janeiro, protestantes entraram em confronto com a polícia, que trabalhava para o cumprimento da primeira noite do recolher obrigatório imposto na capital, Dakar.

O Zimbabwe, que ficou sobrecarregado com uma subida galopante do número de infecções, enfrenta carência de camas e equipamento hospitalares. O Vice-Presidente, Constantino Chiwenga, anunciou um recolher obrigatório, no dia 2 de Janeiro, que parte do pôr-do-sol até ao nascer do sol, e um confinamento obrigatório de 30 dias para todos os serviços não essenciais.

“Este é o toque final; vamos derrotar este vírus de uma vez por todas,” Presidente Emerson Mnangagwa disse no Twitter.

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