Rússia Espalha Desinformação Sobre A Vacina Com Resultados Mortais

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EQUIPA DA ADF

Trolls russos estão a espalhar desinformação em África, através de aplicativos de envio de mensagens, numa tentativa de promover a vacina da COVID-19 da Rússia, em detrimento daquelas desenvolvidas nos Estados Unidos e noutros países do ocidente. A narrativa da propaganda russa centra-se em falsa informação sobre a segurança e a eficácia da vacina da COVID-19.

As consequências são potencialmente mortais para pessoas como Joël Bokadi, um mineiro na República Democrática do Congo (RDC), que recebeu informação falsa de um número nigeriano no WhatsApp, no início de Dezembro de 2020. A mensagem afirma que um especialista americano em doenças contagiosas tinha escondido uma pesquisa que demonstra que as vacinas da COVID-19 danificam o sistema imunológico das pessoas e que, por essa razão, fazem parte de uma conspiração para prejudicar as pessoas, de acordo com o site de notícias The Daily Beast.

Convencido pela falsa informação que recebeu do usuário de WhatsApp nigeriano, Bokadi reenviou a mensagem para várias dezenas de pessoas.

Os trolls russos começaram no Verão e aumentaram numa altura em que o país corria para desenvolver e promover vacinas. Eles geralmente trazem informação falsa sobre vacinas americanas feitas pela Pfizer e pela Moderna, assim como sobre a vacina do Reino Unido, AstraZeneca, enquanto promove a vacina russa.

A mensagem do WhatsApp, que Bokadi recebeu e espalhou, tinha sido publicada no dia anterior pela Opera News, um aplicativo de notícias e conteúdos de África  detido pelo fundo de investimento privado, Golden Brick Capital, da China, de acordo com o The Daily Beast. O artigo tinha o seguinte título: “Por que a África se Deve Focalizar na Vacina Sputnik V da Rússia.”

Na altura em que Bokadi recebeu a mensagem, o Conselho de Relações Estrangeiras acabava de pronunciar-se sobre o trabalho feito pela Novetta, uma empresa que recolhe e analisa dados tradicionais e das redes sociais em toda a África. Novetta desenvolveu um Programa de Rastreio de Boatos para seguir má informação sobre a vacina da COVID-19 e outros assuntos relacionados com a pandemia.

A campanha de desinformação russa começou no dia 11 de Agosto, quando o Ministério de Saúde da Rússia aprovou a Sputnik V e elogiou-a como a primeira vacina da COVID-19 do mundo, embora esta não tenha passado pela mesma avaliação clínica que as vacinas estão sujeitas a passar na maior parte dos países do mundo.

A campanha russa para tirar o crédito das vacinas do ocidente também tinha como alvo Moçambique, Nigéria e África do Sul. A análise da Novetta demonstrou que a vacina russa foi a vacina da COVID-19 mais debatida na imprensa africana e que o Presidente Russo, Vladimir Putin, foi, muitas vezes, mencionado em artigos noticiosos a elogiar a Sputnik V.

“Moscovo faz isso para o seu próprio interesse,” Okon Nya, director-executivo da Tregong, uma agência nigeriana de estudos sobre os meios de comunicação, que combate a desinformação sobre a COVID-19, disse ao The Daily Beast. “A Rússia não está apenas a prejudicar o ocidente mas está à procura de formas para convencer a África de que oferece melhor ciência médica do que os outros países.”

Os trolls russos são experientes em matérias de espalhar desinformação sobre as vacinas destinadas a combater surtos de doenças em África.

De 2018 a 2020, a Agência de Pesquisa de Internet, da Rússia, sob a gestão de uma aliado próximo de Putin, Yevgeny Prigozhin, ajudou a espalhar desinformação sobre uma vacina do Ébola durante um surto na RDC.

Um estudo feito pela Iniciativa Humanitária de Harvard demonstrou que cerca de 10.400 mensagens que mencionavam ou propagavam informação falsa sobre o Ébola inundaram as mensagens do WhatsApp na RDC durante dois meses em 2018.

O WhatsApp é detido pelo Facebook, que, em Outubro de 2019 e mais recentemente em Dezembro de 2020, removeu seis redes de contas russas por se envolverem em interferência estrangeira. A campanha de desinformação da conta do troll russo tinha como alvo países africanos, nomeadamente Camarões, República Centro-Africana, Costa do Marfim, RDC, Líbia, Madagáscar, Moçambique, África do Sul e Sudão, e estava ligada ao Grupo Wagner e ao director da Agência de Pesquisas de Internet, Prigozhin.

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