Quénia Procura Preservar Línguas Em Vias De Extinção

VOZ DA AMÉRICA

Em África, centenas de línguas indígenas estão prestes a extinguir-se. Isso inclui pelo menos 13 línguas do Quénia. Grupos da sociedade civil queniana estão a propor uma lei para ajudar a preservar e salvaguardar esses dialectos que estão a desaparecer.

Leriman Letiko, de 102 anos de idade, está a transmitir conhecimentos de uma cultura e um dialecto que podem estar perto do seu fim. Letiko e seu irmão de 95 anos de idade, Leteiyon, são os únicos que restam numa tribo de cerca de 10.000 que falam fluentemente Yakunte.

A organização cultural das Nações Unidas UNESCO classifica a língua Yakunte como extinta, mas os Yaaku, uma tribo indígena na Floresta Mukogodo e seus arredores em Laikipia, um condado na região central do norte do Quénia, estão a lutar para mantê-la viva.

“Tanto a minha mãe como a minha avó falavam Yakunte”, disse Letiko. “O período em que começámos a interagir mais e a casarmos com os Maasai, foi quando a língua começou a perder-se. Quando nos casamos numa tribo diferente, adoptámos as suas línguas.”

A maioria dos Yaakus agora fala Kimaasai, a língua dos seus vizinhos Laikipia Maasai. Letiko tem usado a tradição oral para transmitir o conhecimento linguístico e cultural para o seu filho e outros Yaakus. Ele diz que a única forma de salvar o dialecto Yakunte é introduzindo-o nas escolas locais.

Os grupos da sociedade civil e o Ministério dos Desportos, Cultura e Artes do Quénia elaboraram o projecto de lei para documentar e promover as línguas indígenas do país.

Kimani Njogu, um linguista que também é membro da Academia de Línguas Africanas, diz que as línguas podem morrer como qualquer outra coisa.

“Devido à globalização e urbanização bem como ao facto de não termos uma transferência muito sistemática de línguas entre gerações, temos pessoas mais velhas que não transmitem a sua língua para os mais jovens, bem como sistemas de educação onde certas línguas dominam o ensino, pelo que um grande número de línguas está em perigo.”

Njogu acrescenta que as tecnologias de informação devem ser usadas para captar essas línguas antes que elas desapareçam.

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