Uma série de detenções recentes destaca a tendência dos cartéis de droga mexicanos para fabricarem metanfetamina na Nigéria e noutras regiões. Os analistas afirmam que os cartéis de Sinaloa e da Jalisco Nova Geração (CJNG) estão a enviar os seus próprios químicos para produzir metanfetamina. São também acusados de financiar terroristas, grupos armados e gangues criminosas que os ajudam a produzir e a transportar as drogas, num modelo de negócio semelhante ao de uma franquia.
No dia 19 de Agosto, as autoridades nigerianas detiveram Arturo Carrera Loaiza, um cidadão mexicano de 40 anos, no Aeroporto Internacional Murtala Muhammed, em Lagos, quando este tentava sair do país. As autoridades afirmaram ter encontrado imagens digitais de equipamento compatível com a produção de metanfetamina e que Loaiza vestia o que parecia ser uma bata de laboratório. Os dados de localização das imagens conduziram os agentes a uma propriedade no Estado de Ebonyi, onde encontraram precursores químicos e equipamento para a produção de drogas, segundo noticiou a BBC.
O General Mohamed Buba Marwa, presidente da Agência Nacional de Combate ao Tráfico de Drogas da Nigéria (NDLEA), disse que uma investigação mais aprofundada conduziu os agentes a uma casa isolada nas proximidades, onde recuperaram precursores químicos, equipamento de fabrico de drogas e um crivo contendo vestígios de metanfetamina. As autoridades acreditam que Loaiza tenha levado um compatriota mexicano para trabalhar noutro laboratório suspeito de metanfetamina, situado numa floresta no Estado de Oyo.
“Esta descoberta surge na sequência de meses de investigação meticulosa sobre uma rede criminosa mais vasta por trás de uma série de laboratórios clandestinos de drogas descobertos em várias partes do país este ano,” Marwa disse à The Associated Press.
No dia 24 de Setembro, a NDLEA deteve dois homens nigerianos acusados de operar um laboratório de metanfetamina no Estado de Enugu. Os suspeitos terão alegadamente operado as instalações com um membro de um cartel de droga mexicano que, entretanto, já abandonou a Nigéria. Esta foi a quarta grande apreensão de um laboratório de metanfetamina no país com ligações a cidadãos mexicanos desde Maio.
Rafaella Liptschitz, especialista em redes criminosas do New Lines Institute, disse ao jornal digital The U.S. Sun que os cartéis mexicanos estão a adaptar os seus modelos de negócio e a tornar-se mais resilientes à medida que crescem.
“À medida que a pressão das forças policiais se intensifica numa área, estes grupos diversificam a produção, espalhando as operações de forma que uma apreensão num país tenha pouco impacto na perturbação do comércio como um todo,” afirmou Liptschitz. “A adaptação constante, seja através das cadeias de abastecimento, dos métodos de tráfico ou dos locais de produção, torna extremamente difícil acompanhá-los.”
As autoridades sul-africanas desmantelaram pelo menos cinco laboratórios de metanfetamina envolvendo suspeitos de pertencerem a cartéis de droga mexicanos desde Julho de 2024, altura em que as autoridades apreenderam um laboratório e drogas no valor de quase 125,4 milhões de dólares numa quinta na província de Limpopo. No final de Agosto, cinco pessoas, incluindo dois mexicanos, foram detidas noutro laboratório de metanfetamina numa quinta em Limpopo. As autoridades apreenderam drogas e equipamento no valor de 37,5 milhões de dólares nas instalações.
“Em vez de os cartéis deslocarem a sua liderança, transferem o conhecimento de produção para grupos locais,” Liptschitz disse ao The U.S. Sun. “Isso cria uma estrutura de baixo risco e alto retorno que permite aos cartéis mexicanos integrarem-se em redes criminosas já estabelecidas sem serem os proprietários absolutos da operação. Assim, o desmantelamento de um laboratório ou uma detenção causam poucos danos à organização. Isso não é novidade, mas está a tornar-se mais evidente no estrangeiro.”
Willem Els, especialista em combate ao terrorismo, do Instituto de Estudos de Segurança, disse à ADF que acredita que os cartéis mexicanos exploram as fronteiras porosas da África do Sul e estão a subornar forças de segurança, juízes e políticos para obter protecção.
“Quando enfrentam alguns problemas, têm muito dinheiro a apoiá-los,” afirmou Els. “Continuam a subornar para escaparem e podem continuar a operar.”
Julian Rademeyer, da Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional, disse no programa de rádio 702 Drive, de Joanesburgo, que o cartel de Sinaloa se estabeleceu em pelo menos 50 países.
No dia 24 de Setembro, as autoridades quenianas destruíram mais de uma tonelada métrica de metanfetamina, com um valor estimado de 63 milhões de dólares, que tinha sido apreendida cerca de um ano antes ao largo da costa de Mombaça. Em 2024, foi descoberto um laboratório de metanfetamina na zona rural perto de Namanga, uma comunidade na fronteira com a Tanzânia. Entre os detidos encontravam-se três quenianos, dois nigerianos e um alegado membro do CJNG.
Em Abril, as autoridades moçambicanas detiveram um cidadão local e dois mexicanos identificados como membros do cartel de Sinaloa durante uma operação contra o tráfico de droga no Aeroporto Internacional de Maputo. Os membros do cartel “pretendiam estabelecer-se no território nacional,” o Serviço Nacional de Investigação Criminal disse num comunicado.
