O secretário-geral das Nações Unidas apelou à tomada de medidas para dar prioridade à manutenção da paz em África, incluindo a promoção da iniciativa “Silencing the Guns” (Silenciar as Armas), da União Africana.
O Secretário-Geral, António Guterres, fez a recomendação na sede da ONU em Nova Iorque, após a nona conferência entre o organismo global e a UA.
“A cooperação entre as nossas organizações nunca tinha sido tão forte — nem tão necessária,” Guterres disse numa conferência de imprensa ao lado do presidente da Comissão da UA, Mahmoud Ali Youssouf. “O nosso mundo está em turbulência, abalado por conflitos mortíferos, desigualdades crescentes, caos climático e tecnologias descontroladas. Os impactos fazem-se sentir profundamente no continente africano.”
Guterres afirmou que os parceiros estão a trabalhar em estreita colaboração em programas de manutenção da paz, incluindo a iniciativa de paz da UA. O programa Silencing the Guns in Africa é um programa emblemático que visa pôr fim a todos os conflitos, actos de violência e violência de género, enquanto promove a paz e o desenvolvimento em todo o continente. O programa foi lançado em 2013 com uma meta para 2020, mas o prazo foi alargado até 2030. Centra-se em abordar as causas profundas da instabilidade, através do desarmamento, do diálogo político e do desenvolvimento socioeconómico.
A UA tem um plano de paz denominado Roteiro-Mestre de Lusaka, adoptado em 2016. Este fornece um quadro para abordar as causas dos conflitos, centrando-se em cinco áreas interligadas: governação política, desenvolvimento económico, coesão social, sustentabilidade ambiental e paz e segurança. O grupo de investigação Amani Africa afirma que o roteiro “enfatiza o reforço dos mecanismos de prevenção e resolução de conflitos, o avanço da reconstrução pós-conflito, a abordagem da governação e dos factores económicos que impulsionam os conflitos, a promoção da democracia e do Estado de direito e a redução da proliferação de armas ilícitas.”
Guterres afirmou que apoia a atribuição de assentos permanentes a África no Conselho de Segurança da ONU, “corrigindo de uma vez por todas uma injustiça intolerável enfrentada pelo continente africano.” Ele também salientou a necessidade de financiamento para o desenvolvimento e inovações, afirmando que o progresso do continente “é travado por um sistema financeiro global desactualizado e injusto.”
“O mundo não deve virar as costas à África, que abriga quase um quinto da humanidade,” disse o chefe da ONU, alertando que “o que está em jogo é demasiado importante. E o potencial é demasiado grande.”
