Asaída de três países do Sahel da CEDEAO em Janeiro de 2025 prejudicou os esforços de combate ao terrorismo. Para restaurar esse trabalho, será necessário superar a desconfiança entre os países e os seus vizinhos, segundo especialistas.
Um ponto de partida nessa jornada, segundo o analista Eric Tevoedjre, do Benin, pode ser um novo acordo diplomático entre a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental e o Burquina Faso, o Mali e o Níger, que agora operam como a Aliança dos Estados do Sahel (AES).
“Manter boas relações com os Estados da AES é um imperativo estratégico para a CEDEAO,” Tevoedjre escreveu para o site Development and Cooperation. “A oferta de reconhecimento diplomático pode melhorar significativamente a situação.”
Grupos militares nas três nações do Sahel derrubaram os seus governos democraticamente eleitos, começando com um golpe no Mali em 2021. Em 2024, os líderes dos três países anunciaram que formariam o seu próprio pacto de defesa mútua. Os líderes da aliança militar comprometeram-se a derrotar os terroristas. Até agora, têm tido um desempenho pior do que os seus antecessores e, de acordo com o Índice Global de Terrorismo, a região lidera agora o mundo em termos de terrorismo.
O terrorismo ao longo das fronteiras porosas da região ameaça a segurança dos Estados costeiros, particularmente ao longo do complexo do parque natural W-Arly-Pendjari, que se estende do Níger e ao Benin.
“A desconfiança entre as duas organizações [CEDEAO e AES] impede a partilha de informações vitais e a coordenação de operações militares para impedir que certos territórios sejam usados como zonas de recuo,” a analista Jeannine Ella Abatan escreveu para o Instituto de Estudos de Segurança, em Março de 2025.
Algumas semanas antes dos países da AES se separarem da CEDEAO, o Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM) matou 30 soldados beninenses numa base perto da fronteira com o Burquina Faso e o Níger. Em Abril de 2025, combatentes do JNIM mataram pelo menos 54 agentes de segurança perto do Parque Nacional W. Nesse mesmo mês, militantes do JNIM lançaram o seu primeiro ataque com drones kamikaze contra as forças armadas do Togo, na região norte de Savanes.
O JNIM procura criar bases nos Estados costeiros a partir das quais possa lançar ataques contra o Burquina Faso. “A falta de coordenação antiterrorista entre o Benin e os seus vizinhos burquinenses e nigerinos provavelmente cria lacunas de segurança e facilita as ofensivas do JNIM,” Liam Karr escreveu para a página da internet Critical Threats.
“Como a CEDEAO e a AES não financiarão iniciativas antiterroristas em conjunto, os seus projectos individuais provavelmente serão muito menos eficazes ou simplesmente não serão realizados devido aos custos iniciais proibitivos,” os analistas Michael Howard e Ethan Czaja escreveram na revista Small Wars Journal.
Na cimeira dos Chefes de Defesa Africanos de 2025, em Nairobi, Quénia, os principais líderes militares enfatizaram repetidamente a necessidade de melhorar os esforços de segurança colectiva em áreas como a África Ocidental.
Para esse fim, a CEDEAO e a AES devem colaborar na luta contra a ameaça comum do terrorismo, escreveu Tevoedjre. “O reconhecimento político marcaria o início de uma nova era e abriria caminho para uma cooperação africana autodeterminada, em vez de confronto.”
