Pela primeira vez, a Cimeira das Forças Terrestres Africanas realizou-se na Europa e incluiu representantes da indústria de defesa.
A cimeira anual, patrocinada pela Força-Tarefa do Exército dos EUA para o Sul da Europa e África (SETAF-AF), decorreu nos dias 23 e 24 de Março, em Roma, e atraiu mais de 300 participantes de 47 países. Tratou-se da 13.ª edição do evento e a primeira a realizar-se fora de África desde 2022.
O Coronel William Daniel, director de cooperação de segurança da SETAF-AF, afirmou que o objectivo do evento era aliar ideias a “soluções comprovadas e escaláveis” para os desafios de segurança de África.
Sobre os líderes da indústria presentes que exibiram tecnologia de ponta, Daniel afirmou: “O seu objectivo é ajudar-nos a passar da identificação de desafios para a implementação de soluções.”
Vários oradores enfatizaram a importância das ferramentas tecnológicas. O Major-General Saidu Audu, da Nigéria, comandante da Força-Tarefa Conjunta Multinacional (MNJTF), afirmou que os veículos aéreos não tripulados revelaram-se vitais para a recolha de informações. A MNJTF, uma aliança regional de quatro nações para combater o terrorismo e o crime na Bacia do Lago Chade, recebeu oito drones da União Europeia, que também treinou operadores utilizando um simulador e ministrou cursos sobre manutenção de drones.
Em declarações aos participantes, Audu apelou a um maior apoio internacional para garantir a segurança da Bacia do Lago Chade. “As questões de segurança africanas não são apenas preocupações africanas,” afirmou, de acordo com uma reportagem do serviço noticioso italiano Nova.news.
Durante o seu discurso de abertura, o General Christopher Donahue, comandante do Exército dos EUA para Europa e África, revelou um plano para apoiar a formação de operadores de drones no continente. No exercício anual Leão Africano, que terá lugar no Gana, Marrocos, Senegal e Tunísia em Abril e Maio, haverá um módulo de formação em drones para cerca de 16 participantes.
Os EUA planeiam dar continuidade a esse esforço e criar um centro de formação regional em Marrocos, com o objectivo de criar centros noutras partes de África.
“Trata-se de uma capacidade sustentável e duradoura que, assim que comprovarmos a sua eficácia, poderemos levar para outras partes de África,” afirmou Donahue.
Donahue disse que imagina o centro de formação sediado em Marrocos como um local onde as partes interessadas possam identificar problemas de segurança urgentes e mobilizar uma variedade de recursos e criatividade para resolver os problemas.
Oferecerá “uma abordagem diferente para nos formarmos mutuamente, aprendermos uns com os outros e partilharmos informações para resolver um problema,” afirmou Donahue. “É isso que vamos começar em Marrocos.”
Nas observações finais da conferência de dois dias, o Tenente-General John W. Brennan Jr., vice-comandante do Comando dos EUA para África, salientou a importância da inovação que ultrapassa os adversários.
“A revolução técnica em curso é implacável, e as mudanças estão agora a ocorrer numa questão de meses. Isso é um desafio, mas também uma oportunidade para inovar e manter a nossa vantagem,” afirmou Brennan. “Temos de trabalhar com uma abordagem inteligente, incluindo recursos financeiros, para que os parceiros capacitados possam avançar e satisfazer as suas necessidades.”
Perante estas ameaças, Brennan apelou a alianças mais profundas e consistentes entre os aliados de segurança.
“Temos de construir forças interdependentes para garantir um mundo mais estável para as gerações futuras,” disse aos participantes. “Temos de trabalhar juntos; não há desafio demasiado grande. A união é a nossa força.”
