30 Anos Depois, SANDF Enfrenta Desafios Orçamentais e de Prontidão

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EQUIPA DA ADF

Trinta anos após a sua fundação, a Força Nacional de Defesa da África do Sul (SANDF) vê o seu papel histórico como grupo de manutenção da paz no continente cada vez mais limitado por restrições financeiras que podem obrigar os líderes a repensar a sua missão.

Com 70.000 membros, cerca de metade dos quais nas forças terrestres, a SANDF está entre as maiores forças armadas de África. Desde que a força foi reconstituída no final da era do apartheid, os líderes políticos sul-africanos têm-na chamado para uma série de tarefas, desde formação internacional e missões de manutenção da paz a actividades internas de manutenção da ordem pública.

Estas missões continuam com um orçamento que diminuiu de 1,5% do produto interno bruto da África do Sul para cerca de 0,8%, de acordo com Darren Olivier, director da African Defense Review. Prevê-se que o actual orçamento da defesa de 2,7 bilhões de dólares aumente nos próximos anos, mas não o suficiente para acompanhar a inflação de cerca de 5%.

“O que se verifica é que o orçamento diminuiu em relação à inflação e à economia. Entretanto, o custo da SANDF em termos de combustível, pessoal e tudo o resto aumentou,” disse Olivier à televisão eNCA. “Simplesmente não é possível gerir um exército da dimensão da SANDF com o orçamento actual.”

Os observadores dizem que a redução constante do financiamento colocou a SANDF num estado de declínio. O problema tornou-se tão pronunciado que o Ministro da Defesa, Thandi Modise, disse ao Parlamento, em Julho de 2023, que a prontidão das forças armadas estava a tornar-se “insustentável.”

“Chegámos agora a um ponto em que a república tem de decidir o tipo de força de defesa que quer e o que pode pagar,” escreveu Modise no seu relatório ao Parlamento.

A prontidão das forças armadas da África do Sul tem sido debatida após o recente destacamento de quase 3.000 soldados no âmbito de uma missão da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) contra os terroristas do M23 no leste da República Democrática do Congo (RDC). A missão foi enviada sem cobertura aérea porque oito dos 11 helicópteros de ataque Denel Rooivalk da África do Sul foram imobilizados devido à falta de fundos para a sua manutenção. Os restantes três podem voar com restrições, de acordo com os oficiais da defesa.

Além disso, os helicópteros de transporte Oryx, do país, que foram destacados como parte da missão das Nações Unidas na RDC, enfrentam problemas de manutenção semelhantes.

Modise disse em Outubro de 2023 — dois meses antes da missão da SADC à RDC — que apenas cinco dos 39 helicópteros Oryx do país estavam operacionais. O país precisava de gastar 132 milhões de dólares para repor os restantes em funcionamento, disse.

“Os meios aéreos são absolutamente críticos em qualquer operação de contra-insurgência, particularmente neste terreno,” Piers Pigou, director do programa da África Austral, no Instituto de Estudos de Segurança, sediado em Pretória, disse recentemente ao BizNews. “Demos a mão a algo que não somos capazes de entregar.”

O orçamento restrito da defesa sul-africana causou efeitos em cadeia na Denel, que perdeu pessoal qualificado suficiente para atrasar de tal forma vários projectos importantes que estes estão tão ultrapassados como o equipamento que foram concebidos para substituir, de acordo com Armscor, o braço de aquisições da SANDF.

A utilização crescente de forças de reserva pela SANDF para aumentar o número de efectivos nas suas missões levou o orçamento da defesa a registar uma perda de mais de 150 milhões de dólares em salários — uma situação que deverá piorar com mais cortes no orçamento da defesa no horizonte.

O especialista em defesa Helmoed Heitman disse ao News24 que as forças sul-africanas estão tão sobrecarregadas que a segurança nacional do país pode estar em risco.

“O exército não tem tropas suficientes para ir para todo o lado,” disse Heitman. “Tem tropas em Moçambique, na RDC, além de fazer trabalhos na fronteira. Depois, de vez em quando, são chamados a fazer trabalhos a nível local. Simplesmente não têm corpos suficientes para fazer o trabalho.”

Em declarações à eNCA, Olivier apelou a uma maior coerência no orçamento da defesa para permitir um planeamento a longo prazo. Entretanto, o orçamento da SANDF teria de duplicar para que as forças armadas pudessem satisfazer as actuais exigências que lhes são colocadas, afirmou.

“Isso não é realista,” acrescentou. “Então, a resposta é: ‘O que é que perdemos? De que é que abdicamos?’ Em última análise, precisamos de uma nova revisão da defesa — algo que reexamine completamente qual é o papel da defesa no país.”

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