Ciclismo Arranca em Nairobi

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AGÊNCIA FRANCE-PRESSE

Uma tendência crescente em Nairobi, Quénia, é ver cada vez mais pessoas a envolverem-se no ciclismo, desde o início da pandemia da COVID-19, apesar da grande falta de pistas para ciclismo.

É um sinal promissor numa cidade capital onde a poluição do ar aumentou em 182% desde a década de 70 e os congestionamentos custam cerca de 1 bilhão de dólares em produtividade perdida anualmente.

Na sua loja de venda de bicicletas usadas na cidade, Jimmy Karumba disse que experimentou um aumento nas vendas de mais de 50% em 2020. O lojista, que vendia principalmente bicicletas para crianças antes da pandemia, disse que recebeu muitos clientes adultos à procura de evitar os transportes públicos e de continuar em forma.

Sem a protecção das pistas de ciclismo, os ciclistas devem navegar entre camiões antiquados, carros de tracção a quatro rodas em alta velocidade e motocicletas cruzando as pistas, numa auto-estrada muito agitada durante a hora da ponta. Contudo, alguns ainda vêem vários benefícios para este meio de transporte.

Apesar de ter sofrido dois acidentes ligeiros, o videógrafo Steven Odhiambo é um grande adepto dos benefícios do ciclismo. Ele diz que perdeu 20 quilogramas apenas por pedalar e poupa significativamente nos transportes, graças a uma bicicleta usada que ele comprou por cerca de 140 dólares.

“O receio estava em tentar manobrar nestas nossas estradas onde a grande percentagem dos motoristas geralmente são descuidados,” disse. “Podem empurrar-te para fora da estrada; não estão preocupados contigo. Mas eu apenas olho para as vantagens e desvantagens. Estou mais seguro numa bicicleta, estou a cumprir com o distanciamento social e gasto menos tempo.”

Cyprine Odada, da Critical Mass, uma aliança de grupos de ciclistas que promove uma corrida mensal de cerca de 1.000 pessoas, em Nairobi, disse que a pandemia mostrou aos políticos que o ciclismo tem grande popularidade entre os quenianos e não é exclusivamente um meio de transporte para os que têm menos recursos financeiros.

“Estranhamente, a COVID tem sido boa para os ciclistas,” disse. “Demonstrou aos políticos que as pessoas querem caminhar, as pessoas querem pedalar. E elas têm de o fazer, quer eles gostem ou não. Eles têm de encontrar uma forma de garantir que as pessoas cheguem aos seus destinos de forma segura e sã. Não tem mais a ver connosco, obrigando a nós mesmos a partilhar as estradas com os motoristas, precisamos de espaços dedicados especificamente para os ciclistas e para os pedestres.”

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