Aplicativo Ajuda Pescadores do Gana a Lutarem Contra Arrastões Ilegais

Reading Time: 2 minutes

EQUIPA DA ADF

Agastados com o facto de os arrastões estrangeiros os privarem continuamente de alimentos e rendimentos, os pescadores artesanais do Gana estão a utilizar um novo aplicativo para smartphones a fim de detectar e denunciar a pesca ilegal.

O aplicativo chama-se Dase, que significa “provas” em Fante, uma língua local. Foi desenvolvido recentemente pela Fundação para a Justiça Ambiental, uma organização não-governamental que trabalha para combater a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada na África Ocidental.

Mais de 100.000 pescadores e 11.000 canoas operam em Gana, de acordo com Steve Trent, director-executivo da fundação. O aplicativo também está a ser desenvolvido para ser utilizado na Libéria e na Serra Leoa.

No Gana, a “pesca marítima é a base de sustento de mais de 2,7 milhões de pessoas — quase 10% da população — e mais de 200 vilas costeiras dependem da pesca como a sua fonte primária de rendimento,” disse Trent à ADF num e-mail. “Contudo, as unidades populacionais de peixe estão a registar um declínio acentuado, impulsionado, na sua maioria, pela pesca ilegal generalizada praticada por arrastões industriais de proprietários chineses.”

Quando um arrastão é suspeito de praticar a pesca ilegal, um pescador artesanal pode abrir o aplicativo e fotografar a embarcação — incluindo o seu nome e número de identificação — para gravar a localização. O aplicativo faz o upload da denúncia numa base de dados que as autoridades podem utilizar para apanhar e penalizar os prevaricadores.

A fundação divulgou o aplicativo em Novembro de 2020 e pretende encorajar os pescadores artesanais a utilizá-lo de forma regular.

Nos passados 15 anos, os pescadores ganeses experimentaram uma queda de 40% no rendimento médio anual por canoa artesanal, de acordo com a fundação.

 Frederick Bortey é um dos muitos pescadores ganeses que querem que o governo passe a banir os arrastões industriais ilegais. “Os meus filhos não estão a ter dinheiro para poderem ir à escola,” Bortey disse à Voz da América. “Por isso, é muito doloroso o facto de estarmos a falar sobre isso. Podem tentar expulsar essas pessoas por nós. Gostaríamos que isso acontecesse, para que possamos pescar, também, no nosso próprio país.”

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.