Militantes de Cabo Delgado Espalham-se pela África Oriental

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EQUIPA DA ADF

Vídeos trémulos de um celular captaram a cena de um terrorista solitário envolvido num tiroteio nas ruas de Dar es Salaam, Tanzânia, em finais de Agosto.

Caminhando debaixo do sol da tarde, o homem segurava uma espingarda de assalto nas mãos e uma segunda espingarda pendurada ao pescoço. Matou três agentes da polícia e um guarda de segurança antes de ser alvejado até à morte pela polícia nos portões da Embaixada Francesa.

O Inspector-Geral da Polícia tanzaniana, Simon Sirro, especulou sobre a motivação do atacante, sugerindo que pode estar relacionado com a insurgência islâmica no vizinho Moçambique, para onde a Tanzânia enviou tropas como parte de uma força de segurança regional.

“Existem problemas,” disse Sirro à imprensa local no dia 25 de Agosto. “Os nossos soldados estão lá.”

Depois de anos de violência em Cabo Delgado, na região nordeste de Moçambique, forças multinacionais finalmente registaram algum progresso contra os militantes.

Essa corrente de vitórias das forças de segurança, contudo, causou insegurança em outras partes da África Oriental, quando os combatentes fugiram de Moçambique.

“Os militantes estão sob pressão militar cada vez maior, retirando-se para as florestas, em direcção e atravessando a fronteira tanzaniana e tornando-se ainda mais abusivos para com os civis com quem cruzam,” escreveu Alex Vines para o Journal of International Affairs, da Universidade de Georgetown.

Em Moçambique, os terroristas islamitas de uma facção extremista chamada Ansar al-Sunna causaram tumulto, atacando e capturando grandes alvos em Cabo Delgado. De acordo com as Nações Unidas, mais de 2.500 pessoas foram mortas e cerca de 700.000 fugiram das suas casas desde que iniciou a insurgência em 2017.

Os militantes de Moçambique espalharam-se também para partes da região sul da Tanzânia.

Dois dias antes do ataque terrorista em Dar es Salaam, uma outra cena dramática, embora sem qualquer ligação, ocorreu em Mombasa, Quénia.

Centenas de espectadores chocados alinhados nas ruas próximo do canal do Ferryboat Likoni para a Ilha de Mombasa, no dia 23 de Agosto, para observar as forças especiais quenianas e a polícia de combate ao terrorismo a derrubarem dois suspeitos terroristas há muito procurados.

Depois de os homens terem sido algemados e retirados, a polícia revistou a sua viatura e encontrou duas espingardas de assalto, munições, catanas e material para produção de bombas.

A polícia também recuperou um mapa de lugares que planeavam atacar, incluindo várias estações de segurança e centros comerciais.

No dia 25 de Agosto, o jornal queniano, The Nation, reportou que: “Os dois suspeitos, um cidadão queniano de 30 anos de idade e um cidadão tanzaniano de 35 anos de idade, são regressados do al-Shabaab (Ansar al-Sunna). As agências de segurança na região costeira continuam em grande alerta.” O jornal chamou Cabo Delgado de “a nova fronteira de jovens desiludidos” que procuram juntar-se à actividade extremista.

Os países da região precisam de fortalecer a sua colaboração e termos de segurança agora para impedirem que a insurgência islamita se alastre, disse Vines.

Ele insiste que a decisão de Moçambique de solicitar ajuda militar do Ruanda foi uma jogada táctica que visava encorajar a nova presidente tanzaniana, Samia Suluhu Hassan, a ser mais cooperativa.

“Reduzir a insurgência com eficácia é uma possibilidade a longo prazo,” escreveu Vines. “Irá exigir que haja uma relação de trabalho próximo com a vizinha Tanzânia e outros Estados da África Oriental para reprimir os combatentes estrangeiros radicalizados e os seus apoiantes internos.”

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